Autor: Gilson Guilherme Miguel Ângelo
Editora GAESEMA

Resumo
O presente artigo investiga os fundamentos filosófico-produtivos do método GAESEMA, com ênfase no Capítulo Iº do livro (A, E, I, O, U DA PRODUÇÃO) – A Ideia, como uma resposta às crises actuais das cadeias produtivas globais. Propõe-se que a ideia seja compreendida como matéria-prima espiritual da produção, anterior à técnica e à materialidade, sendo esta uma abordagem de alta aplicabilidade em contextos africanos. Diante da crescente instabilidade das economias centrais — marcada por conflitos armados, rupturas logísticas e dependência tecnológica —, países africanos com vocação para a produção e exportação podem encontrar na visão interior do produtor uma base regenerativa para a economia. A pesquisa baseia-se na leitura filosófica da criação, entendendo a produção como expressão espiritual e estratégica da imaginação aplicada. O método GAESEMA se apresenta, assim, como proposta de reorientação produtiva para o continente africano, por meio da valorização do invisível que precede o fazer.
Palavras-chave: Produção; Espírito criador; África; GAESEMA; Filosofia da criação.
Abstract
This article explores the philosophical and productive foundations of the GAESEMA method, focusing on Chapter A – The Idea as a response to today’s global production crises. It argues that the idea should be understood as the spiritual raw material of production, preceding both technique and material resources. Given the growing instability in central economies—marked by armed conflicts, logistical breakdowns, and technological dependency—African countries with a strong export potential may find in the producer’s inner vision a regenerative foundation for sustainable development. The research adopts a philosophical reading of creation, treating production as a spiritual and strategic expression of applied imagination. The GAESEMA method thus emerges as a reformative model for the African continent through the appreciation of the invisible that precedes action.
Keywords: Production; Creative spirit; Africa; GAESEMA; Philosophy of creation.
1. Introdução
A crescente instabilidade global — acentuada por conflitos militares, crises sanitárias e colapsos logísticos — revelou a fragilidade do modelo industrial dominante. As cadeias de produção globalizadas, dependentes de centros tecnológicos e de capitais concentrados, enfrentam rupturas graves. Países tradicionalmente centrais no sistema produtivo encontram-se, paradoxalmente, sem capacidade de resposta local frente a suas próprias necessidades.
Neste contexto, a África surge como espaço de possibilidades produtivas. Dotada de recursos naturais, juventude abundante e vasto território, o continente precisa de mais do que investimentos: precisa de uma reconfiguração do pensar produtivo. O método GAESEMA, desenvolvido pélo pensador Gilson Guilherme Miguel Ângelo, oferece um caminho nesse sentido. Sua proposta parte da ideia como base criadora, situando o espírito do produtor como fonte essencial da produção.
2. Fundamentação Filosófica do Método GAESEMA
A originalidade do método GAESEMA está em sua inversão epistemológica: a produção não começa com capital, nem com técnica, mas com visão interior.
Segundo o Capítulo Iº do livro (A, E, I, O, U DA PRODUÇÃO) — A, responde péla (Ideia), e toda criação legítima nasce de uma intuição profunda, de uma escuta espiritual.
A ideia é, nesse sentido, o primeiro estágio da matéria invisível.
Assim como a árvore está contida na semente, o produto está contido na visão do produtor, antes mesmo da acção.
Esse modelo rompe com a lógica mecanicista da produção capitalista, substituindo a centralidade do recurso pélo protagonismo da imaginação aplicada. O produtor é visto não como um executor de processos, mas como um (espírito em concepção) — alguém que responde criativamente às necessidades humanas.
3. Aplicação Prática: A Produção como Ato de Transformação
Ao colocar a ideia como matriz da produção, o método GAESEMA permite que indivíduos e a comunidades actuem mesmo diante de restrições materiais.
Um agricultor que sonha com sua terra, mesmo sem ferramentas, já iniciou o ciclo produtivo.
O gesto invisível de imaginar uma solução torna-se, no modelo GAESEMA, um ato concreto de transformação.
Essa abordagem é especialmente potente em contextos africanos, onde muitas vezes o produtor é excluído do sistema por não dispor dos meios (industriais) tradicionais.
Ao valorizar o que antecede a técnica — a concepção —, o método devolve dignidade e centralidade ao acto de imaginar.
4. Solução para Crises de Produção: A África como Protagonista
A actual crise de produção vivida por países como Alemanha, França, EUA e Japão abre espaço para uma nova geometria produtiva.
A África, historicamente tratada como fornecedora de matéria-prima, pode agora assumir o papel de criadora de soluções, desde que valorize sua capacidade autónoma de criação.
O método GAESEMA propõe que a criação comece do espírito para a técnica, e não o contrário.
Países africanos podem construir uma nova identidade produtiva baseada:
- na autonomia intelectual do produtor;
- na produção local e significativa;
- no fortalecimento das economias de base comunitária;
- na redução da dependência tecnológica importada.
5. Considerações Finais
O Capítulo Iº do livro (A, E, I, O, U DA PRODUÇÃO), com seu método GAESEMA não oferece apenas uma filosofia de produção — oferece uma chave civilizatória.
Em vez de aguardar por soluções externas, os países africanos podem olhar para dentro:
olhar para o invisível que já pulsa em seus criadores.
A ideia é a centelha.
E toda vez que ela é acolhida com seriedade, nasce um mundo novo.
Referências Bibliográficas (Exemplos — incluir fontes reais conforme necessidade editorial)
- ÂNGELO, Gilson Guilherme Miguel. GAESEMA: O Espírito Produtor. Luanda: Editora GAESEMA, 2025.
- FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia. São Paulo: Paz e Terra, 1996.
- MIGNOLO, Walter D. Epistemologias do Sul. Buenos Aires: Clacso, 2010.
- LATOUR, Bruno. Jamais Fomos Modernos. Rio de Janeiro: Editora 34, 1994.
- SANTOS, Boaventura de Sousa. A Crítica da Razão Indolente. São Paulo: Cortez, 2000.
Editado péla Editora Gaesema
E-mail: gaesefma@gmail.com
Artigo Publicado Péla Revista Gaesema
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