O Não-Produtor como Pecado Social: A Omissão como Injustiça Estrutural na Filosofia GAESEMA da Produção

Autor: Gilson Guilherme Miguel Ângelo

Editora GAESEMA

Resumo:

A Filosofia GAESEMA propõe uma visão ampliada da produção, entendida não apenas como actividade económica, mas como expressão moral e espiritual do ser humano. Este artigo analisa a omissão como forma de injustiça estrutural, partindo da ideia de que o não uso ou o mau uso do dom produtivo é um pecado social, cujas implicações éticas afectam profundamente o tecido colectivo. Utilizando autores como Paulo Freire, Hannah Arendt, Martin Luther King Jr., Amartya Sen e Karl Marx como eixos teóricos, discute-se como a marginalização e o desperdício de potencial humano são expressões de estruturas sociais desequilibradas, que exigem revisão ética e política. O artigo defende que a activação do dom produtivo de cada indivíduo é fundamental para a justiça, a inclusão e a construção de uma sociedade mais humana.

Palavras-chave:
Ética da produção; omissão; potencial humano; justiça estrutural; Filosofia GAESEMA; exclusão social.

1. Introdução

Na tradição ética da Filosofia GAESEMA, a produção é mais do que funcionalidade económica: é a realização do dever moral e espiritual do ser humano. O acto de produzir é entendido como uma forma de participação activa na construção do mundo, sendo, portanto, um dever ético que transcende a dimensão utilitária. Nesse contexto, a omissão produtiva — motivada por medo, conformismo, egoísmo ou apatia — é vista como uma falha moral e uma injustiça estrutural. O não-produtor, ao negar ou negligenciar seu dom, compromete a colectividade, tornando-se partícipe de um pecado social: o de não contribuir com um mundo que exige cooperação, responsabilidade e transformação.

2. A Produção como Expressão Ética e Espiritual

A ética produtiva da Filosofia GAESEMA reconhece que cada ser humano possui uma potência criativa singular, cujo florescimento está intrinsecamente ligado à sua auto-realização e à sua função social. Essa produção não se limita à geração de bens materiais, mas abrange também a contribuição simbólica, intelectual, afectiva e comunitária. O dom humano, ao ser desperdiçado, deixa de cumprir sua missão de colaboração com o bem comum.

Assim, produzir torna-se um acto de presença e de compromisso com a vida compartilhada. Quando o ser humano se omite — por medo ou alienação — ou é impedido de produzir por barreiras estruturais, toda a sociedade se empobrece.

3. A Omissão como Falha Ética e Estrutural

A omissão produtiva não é uma ausência neutra: é um tipo de corrupção moral. Quando a sociedade aceita que indivíduos sejam marginalizados, impedidos de exercer seus dons, ela participa activamente da perpetuação da injustiça. Segundo a filosofia GAESEMA, a ética exige:

  • Descoberta e activação do dom produtivo individual: não reconhecer ou não agir sobre o próprio potencial é negar a contribuição singular que cada um pode oferecer ao mundo.
  • Não-permissão do desperdício de potencial humano: talentos ignorados são oportunidades de justiça, beleza ou serviço perdidas — uma falha colectiva.
  • Construção de condições sociais justas para a produção com dignidade: a verdadeira ética produtiva responsabiliza tanto o indivíduo quanto a colectividade. Cabe à sociedade criar estruturas que possibilitem a inclusão produtiva dos vulneráveis e marginalizados.

Nesse sentido, o desemprego e a exclusão social não são meras falhas de mercado, mas expressões de uma estrutura moralmente corrompida, que falha em criar ambientes de inclusão e emancipação.

4. Diálogos Filosóficos sobre a Omissão

A crítica à omissão produtiva encontra eco em diversos pensadores:

Paulo Freire

Freire vê a educação como um acto de libertação e denúncia da marginalização estrutural do potencial humano. O educando deve ser agente activo, e não mero receptor. A omissão é, portanto, um erro pedagógico e estrutural.

A educação, para ser libertadora, deve ser um acto de criação.

Hannah Arendt

Para Arendt, o agir é a manifestação da liberdade humana. A omissão é alienação e recusa da participação pública.

O não agir é um abandono dessa liberdade.

Martin Luther King Jr.

A inacção diante da injustiça é cumplicidade. A responsabilidade ética exige acção, solidariedade e transformação social.

A vida mais persistente e urgente pergunta: o que você está fazendo pêlo outro?

Amartya Sen

Sen destaca que o desenvolvimento deve garantir liberdade e oportunidade. A exclusão da produção é uma falha ética de uma sociedade que não cria condições para a liberdade real.

O desenvolvimento é permitir que as pessoas vivam a vida que desejam.

Karl Marx

Marx denuncia a alienação como forma de impedimento da realização produtiva humana. O não-produtor é vítima das condições impostas por uma estrutura que oprime e limita a liberdade de criar.

O trabalho é a maneira péla qual o ser humano se realiza.

5. Considerações Finais

A Filosofia GAESEMA propõe um novo paradigma para pensar a produção: não apenas como mecanismo de mercado, mas como expressão do ser. O não-produtor — quando resultado de omissão consciente ou de estruturas sociais excludentes — encarna um pecado social que afecta a todos.

Em tempos de desemprego estrutural, marginalização e exclusão, torna-se urgente resgatar a ética da produção como dever moral colectivo. A activação do dom produtivo não é um luxo, mas uma necessidade civilizatória. Só haverá justiça onde houver dignidade produtiva para todos.

 Link da Revista GAESEMA

A revista GAESEMA pode ser a cessada através do site oficia:
👉 www.revistagaesema.com

Editado péla Editora Gaesema / E-mail: gaesefma@gmail.com (Estes são os canais oficiais onde você pode submeter artigos para publicação e acompanhar as edições publicadas) .

Artigo Publicado Péla Revista Gaesema

G


Descubra mais sobre Revista G

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Deixe um comentário