Gilson Guilherme Miguel Ângelo
Editora GAESEMA

Instituto GAESEMA de Filosofia Integral
Este artigo propõe uma abordagem filosófica, espiritual e ética da produção humana a partir da concepção dos Sete Elementos — Terra, Água, Fogo, Ar, Éter, Decisão e Consequência — conforme sistematizado na Filosofia GAESEMA. Defende-se que a produção não é apenas um processo técnico ou económico, mas uma prática integral que conecta o humano ao cosmos e à moralidade. Utilizando um método qualitativo de análise simbólica, demonstra-se que os elementos operam como categorias estruturantes da realidade produtiva e da consciência humana, estabelecendo uma ponte entre a natureza, o espírito e a responsabilidade social.
Palavras-chave: produção consciente; filosofia simbólica; espiritualidade; GAESEMA; sete elementos.
1. Introdução
A prática da produção, comumente compreendida como transformação de recursos em bens ou serviços, carece de um reenquadramento ético e cosmológico diante das crises actuais — ambientais, sociais e espirituais. A filosofia GAESEMA propõe uma leitura integral da produção como acto moral e espiritual, regido por elementos naturais e princípios conscienciais. Este artigo tem por objectivo apresentar os Sete Elementos da Produção como um modelo filosófico para compreender e orientar a actividade produtiva em harmonia com a ordem universal. A hipótese é que só haverá sustentabilidade verdadeira se a produção for vivida como um acto consciente, ético e sagrado.
2. Fundamentos Filosóficos da Produção Integral
Desde as civilizações antigas, como as tradições africanas, gregas, hindus e chinesas, o mundo era interpretado como uma grande dança de elementos naturais. Nessas cosmovisões, a produção não era dissociada da espiritualidade ou da moral, sendo vista como continuação da criação universal. A filosofia GAESEMA retoma essa sabedoria ancestral, incorporando-a à contemporaneidade como resposta à fragmentação provocada pêlo tecnicismo moderno. A proposta é uma ética da produção enraizada em sete princípios elementares — cinco ligados à natureza e dois à consciência humana.
2.1 A Sabedoria dos Sete Elementos: A Produção como Ordem Natural e Acto Consciente
Produzir é mais do que transformar recursos em bens ou serviços. Produzir é agir no mundo, intervir na natureza, estabelecer uma relação entre o visível e o invisível. É tocar o tempo com as mãos e imprimir valores sobre a matéria. A produção, na filosofia GAESEMA, é um acto profundo, espiritual e político. Ela deve ser compreendida à luz de sete elementos essenciais: Terra, Água, Fogo, Ar, Éter, Decisão e Consequência. Estes sete elementos formam a estrutura natural e moral de toda produção verdadeira.
2.1.2 A Ordem Natural da Produção
Desde os tempos mais antigos, as civilizações sabiam que o universo era regido por elementos fundamentais. No mundo africano, grego, hindu e chinês, a produção da vida era sempre pensada como uma dança entre forças da natureza. Não havia separação entre o espiritual e o material, entre o cosmos e a economia. A produção era parte da ordem do universo.
Hoje, no mundo moderno, fragmentado pêlo tecnicismo, esquecemos essa verdade. Mas a natureza ainda fala. E ela fala através dos elementos. Compreendê-los é retornar à inteligência da criação. É alinhar o acto de produzir com a harmonia universal. A produção que nega essa sabedoria produz desequilíbrio. A que respeita, floresce.
3. Os Sete Elementos da Produção Consciente
3.1 Terra – O Armazém da Vida
A Terra é a base, a estrutura, a matéria sólida da produção. Representa o território, os recursos, a propriedade e a memória biológica. Sem Terra, não há onde plantar, nem onde construir. Toda produção começa com respeito ao solo, ao ambiente e à história. A Terra é a base, o sustento, o primeiro ventre que acolhe o corpo humano. Tudo que é físico, denso e visível tem na Terra sua origem e seu fim. Representa o alimento, a habitação, o chão onde se pisa e o corpo que se ergue. A Terra ensina a paciência, pois tudo que nela cresce tem seu tempo, sua estação e seu processo. Para o homem, a Terra é mais do que solo: é a memória dos passos, o registo de suas quedas, o espelho dos seus rastros. Não há consciência espiritual que não tenha começado péla relação com a Terra. O que não cresce em terra, não floresce no espírito. O que não respeita a terra, não entende a si mesmo.
Lição da Terra: Respeita as bases. Quem ignora o chão em que pisa, constrói ruína.
3.2 Água – O Transporte da Vida
A Água é o movimento, o transporte, a circulação. Ela liga pontos distantes, conecta produtores e consumidores, permite trocas e interacções. Produzir é permitir que a vida flua — entre sectores, entre pessoas, entre tempos. A Água é a memória em movimento. É o fluxo da emoção, da intuição, da pureza e da transformação. A água molda o que toca, penetra onde há espaço e remove o que está parado. É o primeiro espelho do rosto humano e o primeiro som que escutamos antes de nascer. A água lava, conecta, renova. A alma aprende com a água a fluir, a não resistir à mudança, a respeitar o ciclo da vida. Aquele que nega a água em si, seca por dentro. Sem água não há lágrima, não há compaixão, não há reconciliação. A água ensina que o mais forte é, muitas vezes, o que mais se dobra para não quebrar.
Lição da Água: Permite o fluxo. Acumular sem partilha é sufocar a vida.
3.3 Fogo – A Energia da Transformação
O Fogo é a energia que activa a produção. Ele representa a criatividade, o trabalho, o esforço, a transformação. É o fogo que aquece, que ilumina, que impulsiona. Mas se for mal-usado, também destrói. O Fogo é a faísca da vontade, da paixão e da energia criadora. É a luz que guia, o calor que move e a dor que purifica. O fogo pode tanto aquecer quanto consumir. Ele é o primeiro sopro da transformação: queima o velho para que nasça o novo. Todo homem que deseja crescer, deve passar pêlo fogo. O fogo prova, revela, separa o verdadeiro do ilusório. É o fogo que nos ensina que arder por algo pode ser tanto bênção quanto maldição, e que a intensidade sem sabedoria pode virar autodestruição. A consciência do fogo é a base da liderança, da coragem e da fé. É o elemento da alma em expansão.
Lição do Fogo: Usa a energia com consciência. Paixão sem sabedoria vira tragédia.
3.4 Ar – O Espírito da Produção
O Ar é o pensamento, a inteligência, a comunicação. É ele que leva ideias, que inspira inovação, que organiza o caos. Produzir sem inteligência é repetir erros. Produzir com o ar do tempo é estar em sintonia com o presente. O Ar é o pensamento, a ideia, o sopro de vida que nos liga ao invisível. É o primeiro respiro ao nascer e o último ao partir. É o mensageiro do tempo, o veículo da palavra e o guardião da liberdade. O ar não se vê, mas sente-se; não se segura, mas define tudo. O homem que não sabe escutar o ar, vive surdo à vida. Ele traz o vento das mudanças, o silêncio das alturas, e a presença de tudo que está entre o início e o fim. O ar nos ensina a escutar com o coração, a falar com sabedoria, e a respeitar aquilo que não se pode controlar.
Lição do Ar: Cria com leveza e inteligência. O silêncio, a escuta e a visão são partes do fazer.
3.5Éter – A Ligação Suprema
O Éter é o sentido, o propósito, o espírito por trás da produção. Ele é invisível, mas está em tudo. Ele transforma fábricas em templos, e produtos em bênçãos. Produzir sem Éter é lucrar sem alma. O Éter, o quinto elemento, é a consciência superior, o campo espiritual que interliga todos os outros. É o espaço onde a matéria se encontra com o invisível, o tempo se dobra, e o espírito desperta. O éter é onde habitam as ideias antes de se tornarem forma, onde os sonhos se alimentam e a eternidade respira. No éter não há peso, mas presença. Não há forma, mas sentido. É a casa da intuição divina, o lugar onde a alma conversa com o universo. O homem que não compreende o éter vive preso aos ciclos terrenos, sem ascensão, sem propósito superior. O éter ensina que a vida vai além do visível, e que o invisível é a verdadeira fonte da realidade.
Lição do Éter: Produz com propósito. Sem ética, todo resultado é vazio.
4. Os Dois Elementos da Consciência Humana
4.1 Decisão – A Escolha Criadora
Decisão (O Elemento Invisível da Escolha)
Produzir é escolher. Decidir como, por que, para quem e com que meios produzir. A decisão é o acto moral central da produção. Ela define se um recurso será usado para construir ou destruir, para libertar ou explorar, para curar ou poluir. Decidir é colocar-se no centro da criação. A decisão bem feita respeita os cinco elementos e escuta o tempo. A decisão inconsciente gera colapsos.
Para o pensador Gilson Guilherme Miguel Ângelo, a Decisão é o sexto elemento essencial da existência. É o ponto em que todos os outros cinco convergem para gerar movimento. A Decisão é o portal onde o homem revela sua liberdade, onde ele molda o destino a partir da consciência, ou se entrega à repetição por falta dela. É o primeiro acto que liberta ou aprisiona, edifica ou destrói. O que decide hoje, será a estrutura do amanhã. Toda transformação humana começa por uma decisão — mesmo que inconsciente. Decidir é dar forma ao éter, é escolher a frequência, o caminho e o peso das próprias acções. O homem que não aprende a decidir, é decidido pêlos outros. A decisão é o instrumento mais sagrado da liberdade humana, pois nela habita o poder de mudar toda a realidade.
Função Produtiva:
- Direccionar a energia (fogo) com ética.
- Gerir o território (terra) com justiça.
- Escolher os canais de circulação (água) com equidade.
- Comunicar (ar) com verdade.
- Conectar-se ao propósito (éter) com espiritualidade.
Lição da Decisão: A liberdade de produzir exige sabedoria para escolher. Decidir é plantar: o que se planta retorna.
4.2 Consequência – O Retorno Inevitável
O Elemento Esquecido da Responsabilidade
Toda produção gera efeitos. As consequências são os frutos visíveis ou invisíveis das decisões tomadas. Uma economia que desmata para lucrar colhe escassez. Um sistema que explora o trabalhador colhe revoltas. Uma sociedade que produz com amor colhe paz.
A consequência é a justiça da natureza. Ela não pune nem recompensa: apenas devolve o que foi semeado. A produção inconsequente é a raiz da crise ambiental, da desigualdade e da guerra. A Consequência é o sétimo elemento — o espelho da decisão e o juiz invisível de toda acção. Tudo que o homem faz, mesmo que por omissão, gera uma resposta no universo. A consequência é o retorno, o eco, a justiça natural que corrige, ensina e transforma. É o reflexo da consciência, o resultado da vibração escolhida. Ninguém escapa da consequência: ela é o retorno espiritual, emocional, físico ou existencial daquilo que se decidiu ou ignorou. Quando mal compreendida, a consequência parece castigo; mas quando é aceita com sabedoria, transforma-se em mestra. Um homem só se torna sábio quando aprende a ver cada consequência como um ensinamento, não como punição. A consequência é o ponto final de um ciclo, e o início de uma nova decisão. E é neste eterno ciclo que a alma evolui.
Função Produtiva:
- Revelar o impacto dos actos produtivos.
- Medir o retorno material e imaterial.
- Corrigir o desequilíbrio e orientar o futuro.
Lição da Consequência: Toda produção é uma promessa ao futuro. Aquilo que hoje parece lucro, amanhã pode ser ruína — ou salvação.
Para o pensador Gilson Guilherme Miguel Ângelo, a existência humana não se sustenta apenas nos elementos materiais e naturais. É na união dos elementos físicos (Terra, Água, Fogo, Ar), espirituais (Éter) e morais (Decisão e Consequência) que o ser humano compreende a totalidade de si mesmo. Cada um dos sete elementos comunica-se entre si. A decisão é o elo entre a vontade e o destino. A consequência é o portal que liga o passado ao futuro. E o homem, ao aprender com seus pequenos erros — como o tropeço numa pedra ou o lixo lançado por um pássaro — transforma-se num ser completo: aquele que olha para frente, para baixo, para cima e para dentro, tornando-se, enfim, um espírito desperto em corpo humano.
5. O Produtor como Guardião da Harmonia
O verdadeiro produtor, na Filosofia GAESEMA, não é apenas alguém que transforma matéria. Ele é um guardião da harmonia universal, um sacerdote da produção. Seu papel é respeitar a ordem dos elementos, tomar decisões com consciência e aceitar as consequências com humildade.
A produção torna-se assim um ato sagrado. Não se trata apenas de produtividade, mas de espiritualidade aplicada. Cada produto é uma oferenda ao tempo, ao mundo e às futuras gerações.
3. Conclusão: O Ciclo da Produção Sagrada
A sabedoria dos Sete Elementos da Produção revela que:
- Sem Terra, não há base.
- Sem Água, não há conexão.
- Sem Fogo, não há impulso.
- Sem Ar, não há pensamento.
- Sem Éter, não há sentido.
- Sem Decisão, não há direção.
- Sem Consequência, não há verdade.
Toda produção que ignora esse ciclo está condenada à instabilidade, à insustentabilidade e à injustiça. Mas a produção que respeita essa ordem — torna-se uma ponte entre o humano e o divino.
Produzir com os sete elementos é, enfim, construir não apenas um produto — mas um mundo.
6. Conclusão
A filosofia dos Sete Elementos oferece um novo paradigma para a produção: holístico, ético e espiritual. Terra, Água, Fogo, Ar e Éter compõem a base natural da existência. Decisão e Consequência representam a consciência moral do ser humano. Ao respeitar essa ordem, a produção se torna ponte entre o humano e o divino. Ao ignorá-la, gera desequilíbrios. Produzir com consciência dos Sete Elementos é, portanto, construir um mundo — não apenas um produto.
Referências
MIGUEL ÂNGELO, Gilson Guilherme. Livro (A, E, I, O, U DA PRODUÇÃO. CAP – 5, A Natureza como Primeira Fábrica). Instituto GAESEMA, 2024.
CAPRA, Fritjof. As Conexões Ocultas. São Paulo: Cultrix, 2002.
MORIN, Edgar. A Cabeça Bem-Feita. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2001.
KIMMERER, Robin Wall. Braiding Sweetgrass: Indigenous Wisdom, Scientific Knowledge, and the Teachings of Plants. Milkweed Editions, 2013.
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