Autor: Gilson Guilherme Miguel Ângelo
Editora GAESEMA

Resumo: Este artigo propõe uma nova base filosófica, moral e espiritual para compreender a produção humana como um acto sagrado. Através da integração entre os paradigmas académicos de Harvard e Oxford com os fundamentos da filosofia GAESEMA, argumenta-se que a produção antecede a economia e carrega uma dimensão espiritual negligenciada pêlos sistemas modernos. O artigo apresenta um modelo comparativo entre produção natural e produção corrompida, propondo uma revolução na consciência produtiva do ser humano.
Palavras-chave: produção espiritual, economia filosófica, GAESEMA, sustentabilidade, responsabilidade moral, revolução económica, espiritualidade natural
1. Introdução:
Produzir é Existir Antes de qualquer organização económica, política ou técnica, o acto de produzir emerge como expressão fundamental da natureza humana. A produção é um prolongamento da vida, uma linguagem do corpo e do espírito, através da qual o homem afirma sua existência. Produzir não é apenas resolver necessidades, é revelar intenções, valores, crenças e sonhos. O presente artigo parte desta compreensão ancestral, negligenciada péla modernidade capitalista e industrial, para propor uma reforma profunda da maneira como se entende e pratica a produção.
2. A Produção como Ato Sagrado e Filosófico
Produzir é, na sua essência mais pura, um acto sagrado. Não se trata de um rito religioso tradicional, mas de uma transcendência concreta: ao transformar a matéria, o homem participa do ciclo da vida e da criação. A árvore que dá frutos, o rio que escava caminhos, o pássaro que canta ao amanhecer: todos são exemplos de uma produção que une função, beleza e espiritualidade. O homem, por sua vez, ao produzir cultura, filosofia, alimentos, moradia ou linguagem, revela sua alma e sua visão do mundo. Não há produção neutra; cada produto é um espelho íntimo da intenção de seu criador.
3. O Elo entre Produção, Decisão e Consequência
Toda produção é precedida por uma decisão moral e seguida por uma consequência real. O que se escolhe produzir, e como, não é uma questão meramente técnica. É um julgamento espiritual. Um produtor que exaure os recursos naturais e contamina o ambiente está criando uma cadeia de desequilíbrio. Em contrapartida, um produtor que respeita os ciclos naturais, promove biodiversidade e distribui com equidade está regenerando o planeta e a sociedade. A história mostra que civilizações que harmonizaram sua produção com os ritmos da Terra prosperaram em sabedoria e sustentação.
4. Produção e a Alma da Natureza
A produção é um fenómeno espiritual porque está inscrita na alma da natureza. A natureza não produz para acumular ou dominar, mas para manter o equilíbrio, a beleza e a continuidade da vida. O fruto é útil, mas também belo. O rio irriga, mas também canta. A flor perfuma e encanta. A produção humana, ao perder esse sentido de gratuidade e harmonia, torna-se uma força destrutiva. Recuperar a espiritualidade da produção é integrar-se novamente à lógica da criação.
5. Comparativo: Produção Natural vs. Produção Humana Corrompida
| Aspecto | Natureza | Produção Humana Moderna |
| Propósito | Nutrir a vida | Lucro, status, domínio |
| Forma | Estética integrada à função | Poluição, rigidez, feiura |
| Ciclo | Renovador, sem desperdício | Extracção até o esgotamento |
| Relação | Interdependência e cooperação | Competitividade e exploração |
| Valor espiritual | Presente gratuito à vida | Produto morto para consumo alienado |
6. Perguntas Filosófico-Espirituais da Natureza ao Homem
- Para que produzimos? Alimentamos para vida ou enriquecemos os poucos?
- O que devolvemos ao mundo? Sustento ou degradação?
- Qual a beleza do que criamos? Honramos a Terra ou a violentamos? Estas perguntas, mais do que reflexões, são desafios à consciência humana e económica.
7. A Revolução Espiritual da Produção
Segundo a filosofia GAESEMA, o homem é o único ser capaz de produzir com consciência e intenção espiritual. Por isso, carrega também a responsabilidade sobre os efeitos de sua produção. A produção de armas, ideias, alimentos ou modelos educativos exige discernimento. Nada do que se produz é neutro. Toda produção projecta uma civilização futura. Produzir com alma é garantir um mundo habitável, belo e justo.
8. A Nova Consciência do Homem Produtor
O verdadeiro produtor não é apenas um operário ou um empreendedor. É um ser moral, espiritual e criador. Ele pensa antes de agir, honra os ciclos naturais, e substitui a lógica do domínio péla cooperação. Este produtor sagrado constrói sem destruir, cria sem explorar, transforma sem corromper. Essa é a base de uma nova humanidade.
9. Conclusão: O Homem como Produtor Sagrado
O futuro da economia, da política e da vida em sociedade depende da reconexão do homem com a espiritualidade da produção. Toda produção é uma profecia. A civilização do futuro será mais bela, mais ética e mais durável quando o produto final for um presente ao mundo e não uma arma de destruição lenta. A alma da natureza clama por um novo tipo de produtor: consciente, grato e sagrado.
Referências:
- MIGUEL ÂNGELO, Gilson Guilherme. Livro (A, E, I, O, U DA PRODUÇÃO. CAPíTULO – 5, (A Espiritualidade da Produção Natural). Instituto GAESEMA, 2024.
- SENGE, Peter. The Fifth Discipline. Harvard Business Review Press.
- SCHUMACHER, E. F. Small is Beautiful. Oxford University Press.
- CAPRA, Fritjof. The Systems View of Life. Cambridge University Press.
- SHIVA, Vandana. Earth Democracy. Zed Books.
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