A Lógica Sustentável da Produção: A Natureza como Professora e o Homem como Aprendiz

Autor: Gilson Guilherme Miguel Ângelo
Revista GAESEMA | Volume 5 Da Produção | Ano 2025 | Número Especial 7

Resumo

Este artigo apresenta uma proposta filosófica e prática para a produção sustentável inspirada na lógica da natureza e nos princípios da filosofia GAESEMA. Ao invés de impor regras econômicas artificiais e excludentes, GAESEMA convida o ser humano a aprender com a própria Terra: sua organização, seus ritmos e sua sabedoria ancestral. A partir de seis fundamentos — Limite, Equilíbrio, Economia, Inclusão, Sentido e Moral — o artigo reconstrói o conceito de produção como uma prática consciente, regenerativa, ética e espiritual. Mais do que uma denúncia ao modelo atual, trata-se de uma lição coletiva: produzir com responsabilidade é o maior ato de cidadania planetária.

Palavras-chave:

Produção; Sustentabilidade; Filosofia Africana; GAESEMA; Ética Produtiva; Desenvolvimento Humano.

1. Introdução

Este artigo faz parte do ponto 7 do Capítulo 5 do livro (O A; E; I; O; U da Produção), de autoria do filósofo e pensador africano Gilson Guilherme Miguel Ângelo. A proposta aqui apresentada não é uma simples crítica ao modelo de desenvolvimento actual, mas uma orientação didáctica, acessível e inclusiva para todos os cidadãos — desde governantes até trabalhadores informais — repensarem a produção como um acto ético e colectivo. Inspirada na filosofia GAESEMA, que une gestão, espiritualidade, moralidade e economia, a reflexão propõe uma revolução silenciosa: escutar a natureza como nossa professora e aceitar que somos apenas aprendizes temporários. Em vez de provocar culpabilidade, o objetivo é educar e transformar consciências, alinhando a produção com os princípios do bem viver, do bem comum e da regeneração. O que aqui se apresenta é mais do que um modelo: é uma proposta de reeducação civilizacional.

2. Os Fundamentos da Produção Sustentável em GAESEMA

2.1. Produzir com Limites: A Inteligência dos Ciclos Naturais

Na natureza, tudo possui um tempo, um espaço e uma medida. O rio que transborda alaga, o solo que é forçado a produzir sem descanso se torna infértil. O limite, portanto, não é fracasso — é sabedoria. A produção humana, especialmente no contexto africano, precisa abandonar a obsessão por crescimento ilimitado e compreender que o verdadeiro progresso respeita as fronteiras do corpo, do solo, da água e do tempo. A filosofia GAESEMA nos ensina que o primeiro passo da produção sustentável é aceitar que a abundância vem do equilíbrio, e não do excesso. O limite é um convite à reinvenção, à inovação com responsabilidade. O produtor que compreende os sinais do solo e respeita seus ritmos planta com mais sabedoria e colhe com mais justiça.

Síntese: O verdadeiro produtor é aquele que reconhece o momento de plantar, de esperar e de parar — porque entende que a Terra também precisa respirar.

2.2. Produzir com Equilíbrio: Harmonia entre Crescimento e Preservação

A natureza é o maior exemplo de gestão equilibrada. Em um ecossistema, cada elemento cumpre uma função sem sobrecarregar os outros. Quando o ser humano rompe esse equilíbrio, surgem doenças, mudanças climáticas e fome. Produzir com equilíbrio é mais do que distribuir tarefas: é saber ouvir os impactos e agir com consciência. A filosofia GAESEMA propõe que o planejamento produtivo seja sempre orientado por três perguntas: o que é justo para o ambiente, o que é útil para a sociedade, e o que é saudável para a alma do produtor? A resposta a essas perguntas ajuda a evitar excessos, reconcilia lucro com sustentabilidade e coloca o ser humano novamente como parte do ciclo, e não como dominador.

Síntese: A produção equilibrada não nega o crescimento, mas exige que ele seja sensato, colectivo e duradouro.

2.3. Produzir sem Desperdício: A Sabedoria de Reaproveitar Tudo

Na lógica da natureza, não há lixo: a folha que cai se transforma em adubo; o excremento alimenta o solo. O desperdício é uma invenção humana, e sua presença revela ignorância. A produção sustentável segundo GAESEMA exige que cada recurso seja usado com inteligência, criatividade e gratidão. O desperdício é visto como um acto de desrespeito espiritual — uma ingratidão para com os dons da Terra. Produzir com inteligência é saber transformar o supérfluo em útil, o resto em semente. Isso vale tanto para a economia doméstica quanto para a política industrial. O futuro é da produção circular, onde até os resíduos ganham valor simbólico e material.

Síntese: Produzir com sabedoria é entender que tudo tem valor — e que jogar fora é como queimar riqueza.

2.4. Produzir com Inclusão: Todos Têm Lugar no Sistema Produtivo

Na floresta, não existe exclusão: até os insectos cumprem uma função vital. Do mesmo modo, a produção humana precisa incluir todos os actores — pequenos, médios e grandes. Excluir é matar talentos, marginalizar saberes e reduzir a produtividade colectiva. GAESEMA defende uma produção onde o saber tradicional, o agricultor de subsistência e o trabalhador informal sejam reconhecidos como essenciais. A produção sustentável é aquela que respeita a diversidade cultural, dá voz às periferias e valoriza a contribuição de cada ser humano. Incluir não é favor — é estratégia inteligente para o desenvolvimento integral.

Síntese: A economia só será sustentável quando o mais pequeno for tratado com a mesma importância do mais rico.

2.5. Produzir com Sentido: O Trabalho como Missão e Não Apenas Ganho

Produzir apenas por dinheiro esvazia a alma e esgota o corpo. A produção com sentido é aquela que une propósito e acção, que transforma o trabalho em missão. GAESEMA convida a uma espiritualidade da produção, onde cada actividade tenha significado para o indivíduo e para a comunidade. Não se trata de religião, mas de consciência: o que produzo serve à vida? Serve ao bem comum? Ao responder sim, o produtor sente orgulho, sente-se útil e reverte o esvaziamento existencial tão comum no mundo moderno. O sentido é o que torna o acto produtivo também um acto espiritual.

Síntese: Trabalhar com sentido é fazer da produção um caminho de elevação humana e social.

2.6. Produzir com Moralidade: A Ética como Fundamento da Civilização

Sem moral, a produção vira destruição. O lucro que nasce da exploração é falso desenvolvimento. GAESEMA ensina que toda produção deve ser guiada por uma ética profunda: respeito ao trabalhador, ao consumidor, ao meio ambiente e ao futuro. A moral produtiva valoriza o justo, o transparente, o digno. Ela impõe limites éticos à ambição, transforma a empresa em espaço de cidadania e o mercado em espaço de cooperação. A produção sem moral pode até gerar riqueza, mas também gera desigualdade, corrupção e violência. Com moral, a produção cura, organiza e emancipa.

Síntese: A moralidade é o solo invisível sobre o qual toda produção justa deve ser cultivada.

3. Conclusão: A Natureza Ensina, o Homem Aprende, a Produção Evolui

A filosofia GAESEMA apresenta uma proposta urgente e necessária: reconciliar o ser humano com a natureza, e reconciliar a produção com o bem comum. O planeta está nos dando sinais claros de que o modelo actual está falido. Mas ao invés de culpar, este artigo propõe educar. A Terra não nos pertence; nós pertencemos a ela. E o nosso dever é aprender com sua sabedoria. Produzir com limites, equilíbrio, inteligência, inclusão, propósito e moral é mais do que um modelo — é um novo modo de viver. Sejamos humildes para reaprender. E corajosos para aplicar.

Quem não aprende com a natureza, será corrigido por suas consequências.

Referências Conceituais

  • Gilson G. M. Ângelo (2024). O A; E; I; O; U da Produção
  • Filosofia GAESEMA: Gestão e Administração Económica, Social, Espiritual e Moral de África
  • Fritjof Capra (1996). A Teia da Vida
  • William McDonough & Michael Braungart (2002). Cradle to Cradle
  • Zygmunt Bauman (2013). Vida para Consumo
  • James Lovelock (1979). Hipótese de Gaia

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