Produzir é Ser Livre: A Liberdade Como Expressão Máxima do Espírito

Autor: Gilson Guilherme Miguel Ângelo
Revista GAESEMA | CAP 6 Da Produção | Ano 2025 | Número Especial 8

🔰 Introdução

Este artigo faz parte do Capítulo 5 da obra filosófica O A, E, I, O, U da Produção, da autoria do pensador Gilson Guilherme Miguel Ângelo, e é uma extensão directa dos princípios da Filosofia GAESEMA. Aqui, propomos uma reflexão profunda e transformadora sobre o que significa ser verdadeiramente livre num mundo cada vez mais dominado péla alienação produtiva, consumismo e dependência sistémica. A liberdade humana, defendemos, não se encerra no direito ao voto ou à locomoção, mas manifesta-se plenamente na capacidade de produzir com consciência e dignidade. Este não é apenas um texto teórico: é um convite educativo e reformador a todas as pessoas, classes e instituições para repensarem a produção como fundamento da liberdade integral — individual, social e espiritual.

1. Liberdade como Capacidade de Criar

A verdadeira liberdade não é apenas uma questão jurídica ou política — é ontológica. Produzir é o maior gesto de afirmação do ser humano: é dizer ao mundo (eu existo), com obras, acções e resultados. A Filosofia GAESEMA resume este princípio com clareza: quem sabe produzir, nunca será escravo. Porque a produção consciente, vinda do espírito, liberta o indivíduo dos sistemas falidos, da mendicância institucional e da dependência. Criar algo útil com as próprias mãos ou mente é uma forma de soberania silenciosa. O produtor verdadeiro não precisa de discursos para provar o seu valor — ele mostra na prática. Criar é, pois, a liberdade em acto: é mais do que protestar, é propor e realizar. Num mundo onde muitos apenas consomem, o criador é o verdadeiro livre.

2. Da Dependência à Autonomia

A escravidão moderna é sofisticada e invisível: está nos empregos vazios de sentido, na cultura da dívida, no vício tecnológico e na repetição do pensamento alheio. Muitas pessoas vivem sem perceber que não são mais autoras da sua própria existência. A produção consciente rompe com esse ciclo. Ela devolve o ser humano ao centro do seu poder. Produzir o próprio alimento, desenvolver ideias próprias, agir com propósito e gerar valor são formas de romper com a dependência sistémica. Cada passo rumo à autonomia é um passo rumo à liberdade: autonomia alimentar, intelectual, espiritual e económica. É nesse sentido que GAESEMA propõe uma revolução silenciosa, mas profunda — onde cada cidadão se reconcilia com o seu poder de criação.

3. Produção como Expressão da Identidade

A identidade de um povo não está apenas nos seus trajes, músicas ou bandeiras — está, sobretudo, na forma como produz e no que produz. Um simples objecto artesanal pode revelar mais da alma de uma comunidade do que qualquer documento oficial. Por isso, os sistemas coloniais e capitalistas historicamente tentaram desestruturar as formas de produção locais, substituindo-as por padrões externos. Ao destruir a produção, destrói-se também a identidade, o orgulho, a cultura e a autonomia de um povo. O resgate da produção própria — artesanal, comunitária, cultural — é um acto político e espiritual. Cada semente plantada, cada objecto feito à mão, cada ideia transformada em projecto é um grito silencioso de resistência e autenticidade. Produzir é afirmar: (sou quem sou).

4. O Produtor como Ser Livre

A Filosofia GAESEMA eleva o conceito de produtor: não é apenas o trabalhador formal, o agricultor ou o industrial. É qualquer pessoa que, com intenção e consciência, transforma ideias em valor. Uma criança que faz brinquedos de papel já está a produzir liberdade. O produtor é livre porque pensa por si mesmo, age com propósito e reconhece o valor do seu trabalho. Ele não está à mercê de modas ou sistemas — ele cria caminhos. Essa liberdade não é dada por governos nem comprada com dinheiro: é cultivada com ética, prática e visão. Ser produtor é ser espiritualmente maduro. É compreender que a verdadeira riqueza está no poder de realizar e não apenas de consumir. E nesse sentido, todo produtor consciente é, por natureza, um ser livre.

5. O Papel da Produção no Desenvolvimento Territorial

Produzir não é apenas um acto individual, mas um pilar da soberania colectiva. Um país que depende da importação de tudo o que consome é um país frágil, vulnerável e colonizado economicamente. Ao contrário, nações e comunidades que valorizam a sua produção local são mais resilientes diante das crises globais. A produção descentralizada, sustentável e ética deve ser tratada como prioridade política — não apenas como actividade económica, mas como instrumento de paz e justiça social. Isso inclui desde o artesanato à agricultura familiar, passando pélo conhecimento local e péla inovação criativa. Cada produto local é uma barreira contra a dependência externa. Portanto, produzir é também construir independência territorial, cultural e económica.

6. Produzir é Resistir

No contexto africano, esta verdade é ainda mais evidente. Produzir com consciência é resistir à colonização mental, à dependência estrutural e à importação forçada de modelos culturais e económicos. Cada vez que um africano transforma a matéria-prima local em algo útil, está a recuperar a sua soberania. A Filosofia GAESEMA ensina que não basta consumir com responsabilidade — é preciso produzir com consciência. O consumo consciente é um começo, mas não é o fim. A verdadeira libertação está em fazer, criar, realizar. Só assim se rompe a escravidão invisível do consumo imposto. Produzir é, no fundo, um acto de resistência silenciosa, mas poderosa. É dizer: (não precisamos que o mundo nos salve — podemos salvar-nos produzindo com consciência).

7. Educação para Produzir = Educação para Ser Livre

A educação que forma apenas repetidores e obedientes não liberta — forma servos modernos. Uma educação que não ensina a criar, resolver e produzir apenas prepara pessoas para a submissão. A Filosofia GAESEMA defende uma educação produtiva, que conecte o espírito à prática, a criatividade à técnica e a ética à natureza. Uma escola transformadora deve ensinar a transformar ideias em realidade, a valorizar o saber prático, a cultivar autonomia espiritual e a integrar todas as formas de conhecimento. Produzir deve ser parte da pedagogia, não apenas da economia. Porque só se educa verdadeiramente quem ensina a produzir. E só é livre aquele que sabe criar o próprio caminho. Educar para produzir é, portanto, educar para viver com dignidade e liberdade.

Conclusão

Neste capítulo do pensamento GAESEMA, descobrimos que a liberdade plena do ser humano não está na aparência da modernidade, mas na profundidade da sua capacidade de produzir com consciência. A produção liberta porque transforma o ser em autor da sua própria existência. Cada pessoa, ao reconectar-se com sua força criadora, participa da libertação do coletivo. Em vez de esperar soluções externas, somos chamados a assumir a responsabilidade pela criação do mundo em que vivemos. Porque, no fim, produzir não é apenas gerar bens — é gerar sentido, dignidade e liberdade.

Referências Conceituais

  • Gilson G. M. Ângelo (2024). O A; E; I; O; U da Produção
  • Filosofia GAESEMA: Gestão e Administração Económica, Social, Espiritual e Moral de África

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