Autor: Gilson Guilherme Miguel Ângelo
Revista GAESEMA | CAP 7 Da Produção | Ano 2025 | Número Especial 9

O Capítulo 7 de (O A, E, I, O, U da Produção) desloca a discussão de quanto produzimos para por que produzimos. A Filosofia GAESEMA ensina que o valor não se completa na fábrica nem na lavoura; só se consuma quando um produto muda de mãos e supre uma necessidade humana. Ao substituir a economia reducionista por uma lógica espiritual–social–ecológica, o capítulo apresenta a tríade — Produção → Permuta → Satisfação — capaz de regenerar comunidades, re-humanizar mercados e reconectar pessoas ao propósito. O artigo desenvolve cada ponto e convida governos, empreendedores, educadores e cidadãos a repensar a riqueza como ciclo vivo, não como pilha numérica.
1. O Ciclo Natural: da Produção à Satisfação
Produzir é o acto primordial de converter matéria ou ideia em forma útil; porém uma ferramenta guardada na prateleira é apenas potencial, não valor. Só quando essa ferramenta chega a outra pessoa, por meio da permuta, e alivia uma carência, o ciclo se completa. Tirar qualquer elo — produção, permuta ou satisfação — quebra o fluxo e empobrece a economia viva. GAESEMA, portanto, define riqueza como alinhamento desses três momentos dentro de um mesmo sopro existencial em que o bem-estar realizado vale mais que o estoque acumulado.
2. Permuta como Acto Espiritual e Social
Permutar, na óptica GAESEMA, é muito mais que comercializar; é firmar uma aliança de sentido entre criadores. Cada troca carrega confiança, reconhecimento mútuo, alívio de necessidade e renovação do ciclo produtivo. O dinheiro pode intermediar, mas nunca é o valor em si. Presentear, trocar ou vender confirma que o meu trabalho se completa na vida do outro — por isso a permuta é um gesto espiritual que fortalece o tecido social a cada transacção.
3. Satisfação: o Fim Último da Produção
Um produto alcança sua razão de ser apenas quando gera bem-estar. GAESEMA distingue três níveis: físico (fome, abrigo, saúde), emocional/social (alegria, identidade, afecto) e espiritual (sentido, verdade, transcendência). A produção consciente mira os três, reconhecendo que um pão carrega cultura e um livro alimenta a alma. O lucro é legítimo, porém secundário: o dividendo principal é a harmonia criada entre objecto e a pessoa.
4. A Ética da Troca
Sem ética, a permuta inclina-se à exploração e a satisfação murcha em frustração. Preço justo, transparência de origem, respeito ao trabalho e equilíbrio entre custo e benefício são salvaguardas indispensáveis. Uma troca rica é aquela em que todas as partes saem mais prósperas em dignidade, não só em moedas. Economias sustentadas em propagandas enganosa , trabalho oculto ou obsolescência planejada podem inflar o PIB de qualquer país, mas empobrecem o capital moral humano — equação insustentável.
5. Produção Local, Permuta Justa, Satisfação Colectiva
Economias territorializadas encurtam a distância entre quem faz e quem usa, reduzindo custos, humanizando relações e preservando cultura. Quando as comunidades fazem circular seus próprios bens primeiro, o dinheiro fica perto, as habilidades aprimoram-se e a pegada ambiental diminui. Só o excedente segue para fora, fortalecendo o comércio externo a partir de uma base interna saudável. GAESEMA resume: (produz onde vives, troca com quem conheces, satisfaze-te em conjunto.)
6. Produção como Ponte entre Povos
A tríade escala também ao plano internacional. Um povo que conhece suas produções sabe o que oferecer; um povo que conhece suas necessidades sabe o que aceitar com dignidade. A África, berço de civilizações, pode revalorizar os seus ofícios, agro-saberes e artes criativas para negociar a partir da força cultural, não da carência. Permutas éticas e orgulhosas convertem-se em diplomacia prática — uma ligação pacífica de culturas por meio de valores honrados.
7. Permuta Espiritual: Todo Produto é Semente
O ponto mais radical de GAESEMA afirma que cada artefacto é uma semente espiritual. A intenção do criador germina na vida do usuário, moldando pensamentos e atitudes. A permuta é, pois, um encontro de almas mediado por bens tangíveis, e a satisfação é o florescer desse encontro. Quando a produção nasce de integridade, a colheita é elevação social; quando nasce de ganância, a colheita é vazio. Reconhecer essa dimensão devolve reverência ao trabalho e responsabilidade ao comércio.
Conclusão
Produzir, permutar e satisfazer não são departamentos separados; são respirações sucessivas de um mesmo organismo económico. GAESEMA convida-nos a respirar conscientemente: criar com cuidado, trocar com honra, satisfazer com plenitude. Assim substituímos extração por reciprocidade, consumo por completude e métricas de lucro por uma contabilidade de florescimento humano. Uma economia que ignora a satisfação é uma fábrica sem propósito; uma economia que honra a tríade é uma civilização em equilíbrio consigo e com a Terra.
Referências Conceituais
- Gilson G. M. Ângelo (2024). O A; E; I; O; U da Produção
- Filosofia GAESEMA: Gestão e Administração Económica, Social, Espiritual e Moral de África
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