A Produção Humana e o Verdadeiro Valor do Dinheiro: A Redefinição Económica e Social da Acção Privada

Autor: Gilson Guilherme Miguel Ângelo
Revista: GAESEMA / CAPÍTULO 1 DO LIVRO IVº A ORIGEM DE TODA PRODUÇÃO, 2ª OBRA(DINHEIRO É UM PRODUTO COMPLEXO) GAESEMA Ano: 2025

RESUMO
Este artigo desenvolve os principais pontos do Capítulo I da obra (Dinheiro é um Produto Complexo), abordando o conceito de dinheiro como produto da acção humana e propondo uma transformação radical na compreensão económica e social da produção, do valor e do papel do sector privado. A partir da Filosofia GAESEMA, o texto propõe uma visão filosófico-científica que desloca o centro do valor do dinheiro das instituições financeiras para o produtor humano, revelando que o dinheiro é, antes de tudo, espiritual, social, político e comercial.

PALAVRAS-CHAVE: Dinheiro, Valor, Produção, Sector Privado, Filosofia GAESEMA, Consciência Económica, Espiritualidade da Economia

1. INTRODUÇÃO: O DINHEIRO COMO ENERGIA HUMANA CONCENTRADA

A compreensão tradicional do dinheiro, limitada aos seus aspectos monetários, contábeis e financeiros, precisa ser urgentemente reformada. A Filosofia GAESEMA propõe uma visão mais profunda: o dinheiro é uma manifestação simbólica e concreta da produção humana. O ser humano, ao transformar a natureza, gera valor, e esse valor, ao ser reconhecido socialmente, transforma-se em dinheiro. Assim, o dinheiro é a concentração espiritual, social e comercial do trabalho produtivo.

2. O PRODUTOR COMO ORIGEM DO DINHEIRO

Na perspectiva GAESEMA, o dinheiro não se origina no banco central, nem nas taxas de juros, nem nas políticas fiscais. A sua verdadeira origem está no produtor. Todo aquele que transforma, cria, inventa ou organiza algo útil para a sociedade é o verdadeiro génese do dinheiro. Isso inclui o camponês, o artesão, o programador, o músico, a vendedora ambulante, o pescador, a mãe que cozinha para vender na rua, o jovem que grava vídeos ou oferece serviços digitais, o escritor, e todos outros. São eles que convertem a matéria em valor, a ideia em produto, a energia em moeda.

3. O SECTOR PRIVADO COMO FUNDAÇÃO ESTATAL INVISÍVEL

O Estado, na visão moderna, apresenta-se como provedor do bem-estar. No entanto, a Filosofia GAESEMA afirma que o Estado é apenas um gestor da organização social e que a verdadeira base estatal é sustentada péla acção privada. O sector privado — empresas, cooperativas, trabalhadores autónomos, informais, pequenos e grandes empreendedores — é o pilar silencioso que gera os recursos que sustentam o aparelho estatal através da arrecadação fiscal e da circulação de riquezas.

Essa compreensão impõe uma mudança de atitude: é preciso responsabilizar e empoderar o sector privado como protagonista da economia, ao invés de tratá-lo como dependente das políticas estatais.

Para o pensador angolano, criador da Filosofia GAESEMA, Gilson Guilherme Miguel Ângelo, é urgente promover reformas profundas na compreensão académica e social da relação entre três partes, o 1º Estado, a 2ª Economia (Ministérios e Agencias Estatais) e por fim a 3ª Produção — sendo esta última o verdadeiro grosso da existência do povo, sem distinção nem separação. Gilson defende que os sistemas de administração pública, péla sua história funcional pós-Segunda Guerra Mundial, evoluíram sob um mesmo padrão político, sem romper com a centralidade de sua origem, consagrada na Carta das Nações Unidas (ONU). Esta estrutura, que assegura a soberania dos Estados, foi construída a partir do poder de decisão superior concentrado em cinco nações (China, Rússia, França, Inglaterra e EUA), impondo uma direcção comum e limitando qualquer alteração real na democracia universal, desde os Estados superiores até os inferiores.

Tal uniformidade institucional resultou em constituições nacionais que mantêm três forças naturais e opostas que sustentam as administrações públicas, quer sejam de sistemas abertos ou fechados (centralizados, desconcentrados ou descentralizados, como nas soberanias autárquicas). Em todos os modelos, há sempre um centro soberano de decisão sobre o território. No entanto, essa estrutura choca-se com a realidade social e económica vivida hoje, onde a produção não pode continuar sob o controlo de um grupo que apenas vence eleições em disputa com outros grupos, pois cada grupo político já possui os quadros técnicos e ideológicos necessários para defender as suas visões de sobrevivência e governação de forma natural como acontece com uma cemente colocada no solo apos brotar sem uma explicação único, mostrando assim a natureza como tudo funciona incluindo os humanos por serem parte desta.

Diante disso, é fundamental compreender que o povo, organizado em territórios centralizados ou autárquicos, deve tratar a produção como o seu primeiro e verdadeiro governo. Assim, os Sete Produtos Essenciais da Vida — Alimento, Habitação, Vestuário, Saúde, Conhecimento, Espiritualidade e Relacionamento —, conforme defendido por Gilson na obra O A, E, I, O, U DE TODA PRODUÇÃO, ganham protagonismo e reconfiguram a relação entre a produção e os sistemas profissionais de administração pública. Este último, ao longo do tempo, gerou seu (filho obediente), o sistema gestionário da Administração Pública.

Esse sistema gestionário, limitado cultural e estruturalmente, não consegue cumprir plenamente sua missão existencial. Em resposta, buscou no seu (pai ministerial estatal centralizado) uma terceira força de ligação com o povo: o chamado (sistema integrado da Administração Publica), que hoje permite ao sector privado não estatal estabelecer alguma relação económica com o Estado. Porém, esse caminho é tortuoso: desde o poder central — onde se define o PIB de um país —, a decisão económica passa por ministérios, depois por agências de administração pública, e somente no final alcança o povo.

Esse percurso evidencia uma inversão: o sistema natural de produção foi subvertido nos seus valores essenciais. A confusão instala-se quando se atribui ao poder político um papel que ele não possui nessa dinâmica — já que esse poder é, por sua vez, reflexo directo da cultura social dos vários grupos que disputam o controlo do Estado. Portanto, é no sector privado — compreendido aqui como todas as empresas e cidadãos que exercem funções fora do conforto estatal profissional — que se encontra a base produtiva real. São estes indivíduos e colectivos que produzem bens e serviços e sustentam o verdadeiro funcionamento da vida social, mesmo que de forma invisível e ignorada.

É urgente que esses actores privados — sejam empresariais, colectivos ou individuais — reconheçam-se como comerciantes naturais, pois todos, ao final, precisam comercializar seus serviços, seja por conta própria, seja trabalhando para instituições privadas. O sector privado não é apenas complementar ao Estado: ele é a fundação invisível que torna possível a própria existência material e funcional do Estado. Reconhecer isso não é apenas um acto de justiça social, mas uma reforma epistemológica necessária à soberania económica verdadeira dos povos.

4. A ESPIRITUALIDADE DO DINHEIRO

O dinheiro, antes de ser material, é espiritual. Representa uma missão de transformação do mundo. Todo dinheiro autêntico está vinculado a uma produção legítima que atendeu a uma necessidade real da sociedade. Quando dissociado da produção, o dinheiro perde sua espiritualidade e transforma-se em ferramenta de corrupção, especulação e domínio injusto.

A espiritualidade do dinheiro reside na intenção produtiva: o que produzo? Para quem? Com que finalidade? Quanto mais alinhado ao bem comum e à utilidade colectiva, mais sagrado se torna o valor produzido.

5. TODO CIDADÃO QUE PRODUZ É COMERCIANTE

A divisão artificial entre (comerciante e trabalhador) é uma distorção da verdade económica. Todo aquele que produz algo é, no final, um comerciante do seu serviço, do seu produto, do seu tempo ou da sua inteligência. Mesmo quem presta serviços para terceiros está a vender suas capacidades, e, portanto, participa activamente do mercado.

Essa compreensão é fundamental para a reconstrução da dignidade produtiva. A sociedade precisa abolir o preconceito contra a informalidade e reconhecer que, na ausência de estruturas estatais eficientes, é o informal que garante a sobrevivência económica de milhões.

6. A EDUCAÇÃO PARA A PRODUÇÃO COMO BASE DA SOBERANIA ECONÓMICA

Revolucionar a compreensão do dinheiro implica transformar também a educação. A escola não pode continuar a formar apenas empregados ou funcionários públicos péla força cultural e aplicada pêlos grupos idealista políticos. É urgente reformar todo conceito existencial de formar produtores, empreendedores, inventores, comerciantes, gestores e agricultores. A verdadeira educação económica é aquela que ensina a gerar valor.

7. CONCLUSÃO: UMA NOVA FILOSOFIA DO VALOR E DA RIQUEZA

A partir da Filosofia GAESEMA, este artigo proclama:

  • O dinheiro é um produto da acção humana.
  • O valor não está no papel, mas na utilidade social do que se produz.
  • O sector privado é o verdadeiro produtor da riqueza.
  • O Estado deve organizar, mas não centralizar a economia.
  • Todo cidadão que produz é um agente económico.

Este é um chamado à lucidez económica. Que cada cidadão africano, cada jovem, cada mulher e homem do povo compreenda: produzir é reinar. E quem produz, tem o direito de decidir os caminhos do seu país.

REFERÊNCIAS BÁSICAS

  • Ângelo, Gilson Guilherme Miguel. Dinheiro é um Produto Complexo. Filosofia GAESEMA, 2025.
  • Filosofia GAESEMA. A Origem Sistemática da Produção, 2024.
  • ONU. Relatório sobre Economia Informal na África, 2023.
  • Banco Africano de Desenvolvimento. Dinâmicas Produtivas e Empreendedorismo Comunitário, 2022.
  • Freire, Paulo. Educação como Prática da Liberdade, 1967.

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