Autor: Gilson Guilherme Miguel Ângelo
Revista: GAESEMA / CAPÍTULO 2 DO LIVRO IVº A ORIGEM DE TODA PRODUÇÃO, 2ª OBRA(DINHEIRO É UM PRODUTO COMPLEXO) GAESEMA Ano: 2025

Resumo
Este artigo apresenta uma análise crítica sobre a natureza do dinheiro, defendendo que ele é, antes de tudo, um produto derivado do trabalho humano e da produção material e imaterial. Contrapondo-se às visões tradicionais do capitalismo, do comunismo e da teoria monetarista clássica, propõe-se aqui uma nova abordagem baseada na Filosofia GAESEMA, que vê o dinheiro como resultado directo da acção produtiva e como elemento dependente da dignidade laboral, da justiça produtiva e da soberania territorial. O texto questiona os modelos económicos impostos à realidade africana, propõe uma reforma moral e filosófica da moeda, e introduz o conceito de MAR — Metodologia Artesanal Reprodutiva — como instrumento alternativo de valorização do trabalho informal e reestruturação económica das nações africanas. O artigo convida à reflexão sobre o papel do dinheiro na sociedade contemporânea e sua verdadeira origem humana e espiritual.
Introdução
O dinheiro, tal como o conhecemos, tem sido tratado como símbolo de poder, acumulação e dominação, mais do que como um reflexo da produção e do trabalho humano. Esta inversão de valores, marcada por séculos de práticas coloniais, políticas monetárias centralizadas e doutrinas económicas ocidentais, conduziu à alienação social, à corrupção institucional e à desvalorização da dignidade do trabalho — especialmente em contextos como o africano. A Filosofia GAESEMA propõe uma ruptura com esta lógica: o dinheiro não é o princípio, mas o resultado; não é um deus a ser adorado, mas um produto a ser gerido.
Neste artigo, partimos do princípio de que todo dinheiro verdadeiro é fruto do trabalho real, da produção legítima e do esforço humano organizado. Analisamos as origens filosóficas, económicas e espirituais desta ideia, relacionando-a com a realidade dos sistemas produtivos africanos, e propomos o resgate de um modelo alternativo: a Metodologia Artesanal Reprodutiva (MAR). Esta abordagem permite compreender o dinheiro como instrumento ético, pedagógico e produtivo, e não como fim em si mesmo. Com isso, convidamos o leitor a repensar o papel do dinheiro, não como mistério financeiro, mas como essência social moldada pela mão do trabalhador e pelo ciclo da produção.
1. O Dinheiro como Reflexo Directo da Produção Real
Na visão da Filosofia GAESEMA, o dinheiro não é um conceito abstracto gerado arbitrariamente por bancos centrais ou políticas monetárias, mas sim um produto humano real, que emerge naturalmente do acto produtivo. O dinheiro é, portanto, a materialização simbólica de um esforço anterior: o trabalho. Isso significa que toda moeda que circula é, ou deveria ser, a consequência directa de uma acção produtiva — seja esta de carácter agrícola, industrial, artesanal, tecnológico, intelectual ou espiritual. Ao desconectarmos o dinheiro do seu berço natural — a produção — passamos a viver num sistema monetário desumanizado, especulativo, instável e essencialmente injusto.
Exemplo comparativo:
Enquanto um agricultor transforma solo em alimento, um banqueiro moderno pode multiplicar dinheiro sem produzir absolutamente nada de útil para a sociedade. GAESEMA denuncia esse desequilíbrio como uma traição à essência do valor.
Reflexão de Gilson:
O dinheiro deve ser um eco do suor humano, e não um grito do capital desalmado.
2. O Processo de Produção como Fundamento do Valor Monetário
A geração do dinheiro começa, necessariamente, com a transformação de matéria ou ideias em produtos úteis. A Filosofia GAESEMA afirma que é no acto de produzir que o valor nasce — e é este valor que o dinheiro deve representar. A riqueza de um povo, portanto, não está na quantidade de moeda emitida, mas na sua capacidade de transformar recursos em produtos e soluções úteis à colectividade.
Subpontos Fundamentais:
- O trabalho agrícola transforma a natureza em alimento.
- A actividade artesanal transforma a matéria-prima em objectos úteis.
- A criação intelectual transforma o pensamento em saberes compartilháveis.
- A prestação de serviços é a produção de funcionalidade social.
Exemplo:
Um pescador, ao capturar peixe, transforma tempo, conhecimento e habilidade em produto. O dinheiro que ele recebe é a prova social desse esforço. Essa é a verdadeira origem ética do valor monetário.
3. O Trabalho como Fonte do Valor Intrínseco do Dinheiro
A Filosofia GAESEMA resgata o valor do trabalho como origem do dinheiro. Ao contrário dos sistemas capitalistas financeiros que atribuem valor ao capital em si, GAESEMA entende que o valor monetário é a representação simbólica do trabalho humano investido. Isso restabelece a dignidade do trabalhador e destrói a noção de dinheiro como dinheiro que gera dinheiro — conceito central na especulação e na usura moderna.
Subponto Filosófico:
O valor do dinheiro deve ser sempre traçável até uma actividade produtiva concreta. Assim, uma nota de moeda ou um saldo digital representam, na verdade, “trabalho solidificado”.
Gilson comenta:
“É preciso inverter o pensamento: não é o dinheiro que compra o trabalho, é o trabalho que produz o dinheiro. Esta inversão é o que sustenta a tirania do sistema financeiro moderno.”
4. A Formação do Valor de um Produto e sua Relação com o Dinheiro
O valor económico de um produto é multidimensional. Na Filosofia GAESEMA, esse valor depende de três factores principais:
- A utilidade social do produto.
- O tempo e esforço investido na sua criação.
- A necessidade colectiva que ele satisfaz.
Portanto, o dinheiro que surge da sua venda é, em essência, uma medida da importância do produto na vida social.
Exemplo:
Um remédio, uma enxada ou um livro didáctico têm valores muito maiores do que artigos de luxo, mesmo que o mercado diga o contrário. Na lógica GAESEMA, o valor real não depende da raridade, mas da relevância para a sobrevivência e dignidade humana.
5. Produção Colectiva e Dinheiro como Valor Colectivo
Outro pilar central da Filosofia GAESEMA é que o dinheiro é, por natureza, um produto colectivo. Nenhuma produção é isolada. Um simples pão depende do agricultor, do padeiro, do transportador, do fabricante de máquinas, do contador, etc. O dinheiro que esse pão gera não é do padeiro, mas da rede produtiva.
Exemplo em cadeia:
Para produzir uma caneta:
- Há quem extrai o plástico.
- Quem o molda.
- Quem o monta.
- Quem transporta.
- Quem vende.
- Quem escreve com ela.
Cada parte é um elo de produção e, portanto, parte legítima do valor representado no dinheiro que a caneta movimenta.
Gilson conclui:
O dinheiro é um certificado da comunhão produtiva entre os membros de uma sociedade. Nenhum homem produz riqueza só.
6. A Produção como Centro da Economia
Na visão de GAESEMA, a economia deve ser produtocêntrica, e não financista. Isso significa que o centro do sistema económico deve ser o acto de produzir bens e serviços essenciais, e não o lucro sobre o capital financeiro ou a especulação sobre dívidas. Dinheiro é apenas um espelho — a verdadeira riqueza é o que se produz.
Desdobramento político-económico:
- O Estado deve estimular a produção real.
- O imposto deve incidir sobre o consumo de luxo, e não sobre a produção de alimentos ou livros.
- O crédito deve ser direccionado ao pequeno produtor, não ao especulador de bolsa.
7. A Criação Monetária e a Crítica ao Sistema Bancário Tradicional
A crítica mais forte de GAESEMA recai sobre o sistema bancário moderno. Hoje, a maior parte do dinheiro é criada por dívida, juros e especulação, e não por produção. Gilson propõe que todo dinheiro novo criado deva ter origem em um acto de produção documentado.
Proposta alternativa — MAR (Metodologia Artesanal Reprodutiva):
A criação de moeda local, comunitária ou digital, associada à produção artesanal, agrícola ou de serviços. Bancos seriam transformados em centros de conversão de produção em moeda, e não em multiplicadores de dívida.
Reflexão GAESEMA:
O banco não deve criar riqueza sem produzir. O banco deve guardar, redistribuir e garantir que o dinheiro reflicta valor real — e não ganância virtual.
8. O Caminho da Transformação de Recursos Naturais em Dinheiro: Etapas Filosóficas
A Filosofia GAESEMA apresenta um processo em seis etapas para compreender como o dinheiro nasce da produção:
Etapa 1: Trabalho + Recurso = Início da Produção
O homem age sobre a natureza. Sem isso, não há economia.
Exemplo: Um pescador lança sua rede no mar.
Etapa 2: Transformação = Produto
Esse acto gera algo útil: alimento, objecto, conhecimento.
Exemplo: O peixe pescado vira alimento no mercado.
Etapa 3: Produto = Valor Económico
Se o produto é útil, ele tem valor. Quanto mais necessário, mais valioso.
Exemplo: Água potável num deserto tem valor inestimável.
Etapa 4: Produto Troca = Dinheiro Surge
O produto é vendido. Surge o dinheiro — reflexo do esforço e utilidade.
Exemplo: O peixe é vendido por 3.000 Kwanzas.
Etapa 5: Dinheiro = Representação do Valor
A nota de 3.000 Kwanzas representa o trabalho de pescar, limpar, transportar e vender o peixe.
Etapa 6: Dinheiro Circula = Colectivização do Valor
O pescador compra roupa. O alfaiate compra arroz. O dinheiro viaja — e com ele, viaja o valor da produção inicial.
9. A Estrutura Pública como Extensão da Produção: Reforma Administrativa à Luz da Filosofia GAESEMA
A Filosofia GAESEMA, além de propor um novo entendimento sobre o dinheiro e a produção, propõe também uma reforma estrutural nos modelos de administração pública contemporâneos. O pensador angolano Gilson Guilherme Miguel Ângelo defende que o actual modelo profissional de administração pública — burocrático, fragmentado e excessivamente político — precisa ser revisto com urgência.
Segundo a visão GAESEMA, o Estado moderno deve buscar uma outra compreensão existencial dos dois escalões hierárquicos na sua estrutura executiva, escalões esses que representem directamente as acções políticas fundamentadas na existência produtiva do povo. Em vez de um aparelho estatal voltado exclusivamente para a arrecadação, controle e execução verticalizada de políticas públicas, é necessário instaurar uma dinâmica horizontal que valorize a contribuição directa da população e recoloque a produção real no centro do processo decisório.
Crítica à Burocracia e ao Modelo Gestão-Executivo
Na prática contemporânea, muitos governos utilizam o Produto Interno Bruto (PIB) como caixa monetária central para justificar as acções do executivo. Entretanto, conforme Miguel Ângelo observa, grande parte dessas acções são populares em essência, pois decorrem directamente da produção, do trabalho e do esforço colectivo do povo.
Executivo, na visão GAESEMA, é o todo grosso da nação — todo cidadão que produz, que trabalha, que participa na construção da realidade colectiva.
Nesse sentido, os ministérios devem ser reposicionados como agentes fiscais do desenvolvimento real, fiscalizando e apoiando não apenas as agências estatais, mas também a produção artesanal, agrícola e industrial do sector privado. O angolano propõe que as funções executivas exercidas pélas agencias retornem aos ministérios, visto que estes já detêm um elevado número de quadros técnicos e operacionais empregados para tais especificas áreas — os quais muitas vezes tornam-se meras despesas políticas sem produção funcional associada.
Nova Função dos Ministérios e Agências: Sinergia Produtiva
A coexistência entre ministérios e agências estatais gera duplicidade de funções, dispersão de recursos e um modelo sonolento e oneroso de gestão, alimentado por dinheiro público. Ambas as estruturas são mantidas por valores monetários — o próprio dinheiro em circulação — e, por isso, devem funcionar em conformidade com os princípios da produção nacional.
Miguel Ângelo destaca que, para haver real progresso, o Estado deve deixar de financiar directamente a máquina política com recursos públicos, e passar a fomentar a ligação produtiva com o sector privado, sem excessiva burocracia. Isso fortaleceria não apenas a economia, mas também a soberania social e o compromisso entre povo e governo.
Proposta GAESEMA para Reforma Econômica-Administrativa
A proposta do pensador angolano Gilson Guilherme Miguel Ângelo, consiste em reverter o entendimento do PIB, deixando de vê-lo como um (caixa estatal), e passando a tratá-lo como resultado simbólico e dinâmico da produção nacional. Essa analogia real exigiria:
- Que cada ministério respondesse por necessidades específicas com base na produção do povo.
- Que as agências existenciais se tornassem extensões fiscalizadas dos ministérios, e não entidades autônomas duplicadoras de funções.
- Que os quadros políticos deixassem de ser sustentados por burocracias estéreis, e passassem a actuar como agentes operacionais da produção nacional de forma mais dinâmica.
Para que uma economia acerte o percurso de sua real direcção, é preciso valorizar a base produtiva real dos humanos, e dinamizar as estruturas ministeriais com esta consciência.
Essa visão reformista convida os governos contemporâneos — especialmente os africanos — a abandonarem o modelo de gestão centrado no consumo do dinheiro público e a migrarem para um sistema fiscalizador, produtivo e regenerador da dignidade económica de seus cidadãos.
Conclusão: Dinheiro como Essência Material do Trabalho e do Produto
A Filosofia GAESEMA propõe uma revolução no entendimento do dinheiro. Ele deixa de ser uma (entidade) financeira e passa a ser uma expressão material do trabalho humano colectivo. Assim, propõe-se um novo modelo económico:
- Onde a produção define o valor.
- Onde o trabalho dignifica o dinheiro.
- Onde o banco serve à produção — e não o contrário.
- Onde a moeda é espiritualizada pêlo suor, e não desvalorizada péla ganância.
Mensagem Final de Gilson Guilherme Miguel Ângelo: Se o dinheiro não representa produção, ele é mentira. E toda mentira monetária gera pobreza verdadeira.
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