Dinheiro, Produto e Fé

Autor: Gilson Guilherme Miguel Ângelo
Revista: GAESEMA / CAPÍTULO 4 DO LIVRO IVº A ORIGEM DE TODA PRODUÇÃO, 2ª OBRA(DINHEIRO É UM PRODUTO COMPLEXO) GAESEMA Ano: 2025

Resumo

Este artigo propõe uma abordagem filosófica e económica da natureza do dinheiro a partir da Filosofia GAESEMA, que o compreende como um produto humano gerado não apenas pêlo trabalho material, mas também péla fé do produtor. Ao integrar os conceitos de dinheiro, produto e fé, busca-se apresentar um modelo alternativo ao pensamento económico clássico, centrado na produção como acto espiritual e relacional. A fé é abordada como elemento estruturante da confiança nas trocas económicas, sendo essencial para a geração de valor e para a sustentabilidade dos sistemas produtivos. O artigo propõe que a restauração da fé no trabalho e na justiça da troca pode transformar o dinheiro em símbolo de bem-estar colectivo.

Palavras-chave: Dinheiro, Produção, Fé, Confiança Económica, Filosofia GAESEMA, Valor, Economia Espiritual.

1. Introdução

No contexto da Filosofia GAESEMA, o dinheiro é concebido não apenas como unidade de troca ou medida abstracta de valor, mas como um produto humano carregado de espiritualidade e confiança. A sua essência vai além do material e encontra-se nas intenções do produtor, na crença na utilidade do trabalho e na justiça da troca. Este artigo investiga a relação entre dinheiro, produto e fé, destacando a centralidade da confiança nas relações económicas e produtivas.

2. O Dinheiro como Produto Gerado péla Fé

A fé, enquanto confiança racional e ética no sistema produtivo, é o motor que impulsiona a criação do dinheiro como produto socialmente reconhecido. A produção, ao ser realizada com a crença de que gerará valor e reconhecimento, incorpora um elemento de fé que transcende a matéria.

Por exemplo, o acto de plantar uma semente pressupõe confiança no ciclo produtivo natural. Este gesto inicial do agricultor é movido por uma fé concreta: a de que o seu trabalho trará frutos. Assim também ocorre na economia: a produção só se realiza quando há fé na retribuição justa.

Segundo Arrow (1972), a confiança é o lubrificante do sistema social. A fé do produtor é esse lubrificante silencioso da engrenagem económica, sem o qual o sistema se desgasta, desmotiva e colapsa.

3. A Fé na Economia como Relacionamento Humano

A economia é, fundamentalmente, uma rede de relações humanas, e o dinheiro é o instrumento simbólico que mede a confiança nessas relações. Quando um trabalhador entrega sua força de trabalho em troca de dinheiro, ele deposita fé na estrutura que regula essa troca.

Segundo Giddens (1990), a confiança nos sistemas abstractos é um pilar das sociedades modernas. No entanto, quando essa confiança se rompe por injustiças sistémicas, corrupção ou desvalorização do trabalho, ocorre o colapso da fé económica, o que se manifesta em práticas de informalidade ou fuga do sistema formal.

Portanto, o dinheiro é mais do que valor representado — é valor acreditado.

4. O Produto como Reflexo da Fé do Produtor

A produção carrega em si a intencionalidade do sujeito. O produto final não é apenas um objecto: é uma manifestação visível da esperança invisível que moveu seu criador. Quando o trabalho é feito com dedicação e crença na sua utilidade social, o produto passa a carregar um valor simbólico e espiritual.

Este pensamento converge com o conceito de (trabalho vivo) de Karl Marx, que distingue o trabalho como criador de valor e não apenas como custo (Marx, 1867). A Filosofia GAESEMA amplia esse conceito ao incluir a fé como elemento activo na produção de valor.

5. A Relação entre Dinheiro, Produto e Fé na Economia

A economia saudável depende da harmonia entre produção, confiança e justiça. Dinheiro, produto e fé formam um triângulo interdependente:

  • O dinheiro nasce da confiança de que o produto tem valor.
  • O produto é criado com a fé do trabalhador em sua utilidade.
  • A sustenta a circulação económica justa.

Inspirando-se em Amartya Sen (1999), podemos dizer que a liberdade de produzir com fé e receber uma compensação justa é uma das formas mais fundamentais de liberdade económica. A fé não é um luxo psicológico; é um recurso económico invisível, sem o qual o valor não se sustenta no longo prazo.

A FÊ COMO CENTELHA CRIADORA

6. A Ideia como Princípio Produtivo Reformado Por Gilson Guilherme Miguel Ângelo

No universo da produção humana, há um ponto de origem que escapa às lógicas tradicionais da economia e da técnica. Este ponto não está nos instrumentos, nem nos capitais, tampouco nas estruturas físicas do fazer. Segundo o pensador angolano Gilson Guilherme Miguel Ângelo, autor da Filosofia GAESEMA e da obra O A, E, I, O, U da Produção, a produção começa na FÊ — uma centelha invisível, uma vibração interior anterior à acção, anterior até mesmo ao pensamento estruturado.

Essa centelha é, na verdade, a Ideia — o instante inaugural onde o invisível se apresenta como possibilidade. É o estado primitivo e espiritual do processo criativo. Para Gilson Guilherme Miguel Ângelo, (No princípio era a Ideia. E a Ideia estava com o homem. E o homem era produtor). Essa afirmação, longe de ser apenas uma metáfora poética, revela a compreensão filosófica de que o acto produtivo nasce da fé interior em algo que ainda não é, mas já vibra dentro do espírito humano.

A FÊ: O Estado Inicial da Criação

A FÊ, nesse contexto, não se reduz à crença religiosa nem à confiança cega. Ela é a intuição de uma verdade ainda não manifestada — é a antecipação espiritual do que pode vir a ser. É a capacidade de perceber, mesmo em meio ao nada, uma semente latente de realidade. Essa percepção não é racional, nem lógica: ela é vivência interior, revelação sensível, o início silencioso de toda obra.

Para Gilson Guilherme Miguel Ângelo, a FÊ é o próprio (A) — o alfa — o primeiro som da existência produtiva, o sopro que rompe o silêncio e proclama: (Eu estou aqui para criar). Este é o ponto de ignição, o limiar entre o vazio e a possibilidade, onde o espírito do produtor se conecta com o invisível e o transforma em impulso criador.

A Ideia como Gravidez do Espírito

Essa primeira centelha — a ideia — é uma gravidez do espírito. Ela não tem ainda forma, nem nome, nem estrutura, mas carrega em si todo o potencial de uma nova realidade. Como escreve o autor em O A, E, I, O, U da Produção:

  • Cada forma criada, cada obra realizada, cada solução engenhosa já foi, em sua origem, apenas uma semente abstracta — um pensamento solitário, flutuando entre o sentir e o saber.

Neste estágio, o produtor ainda não age; está em estado de escuta, de contemplação silenciosa. Ele torna-se um mediador entre dois mundos: o mundo do não-ser e o mundo do vir-a-ser. Esse espaço intermediário é sagrado e, muitas vezes, desprezado pélas lógicas do imediatismo e da produtividade mecânica.

Mas é nesse vazio fértil que a transformação começa. É nele que o espírito encontra a visão interior que dará forma à obra. Sem esse instante de FÊ, sem essa abertura ao invisível, nenhum gesto produtivo se sustenta, nenhuma técnica tem alma, nenhuma obra é autêntica.

Produzir é Antecipar a Possibilidade

A Filosofia GAESEMA nos propõe um novo entendimento da criação. Para além do lucro, da utilidade ou da reprodução técnica, produzir é responder a uma visão interior. É transformar a necessidade sentida em criação consciente, é dar resposta ao mundo não apenas com as mãos, mas com o espírito desperto.

Como afirma o autor:

  1. A produção verdadeira não se ergue sobre cifras. Ela se ergue sobre imaginação aplicada, sobre a capacidade — rara, mas fundamental — de ver o que ainda não é e agir para trazê-lo à existência.
  2. É a FÊ que permite esse gesto. Ela é o que precede toda técnica, todo cálculo, toda execução. É ela que transforma o desejo bruto em sonho articulado. É ela que transfigura o vazio em forma, o medo em obra, a carência em cultura.

A FÊ como Matéria-Prima Espiritual da Produção

Ao dizer que a FÊ é a centelha inicial, Gilson Guilherme Miguel Ângelo está afirmando que a verdadeira economia começa no invisível. Não no banco, nem no contracto, nem no plano de negócios — mas no coração humano que ousa imaginar o que ainda não existe. A ideia é, assim, a matéria-prima espiritual da produção, e a FÊ é o solo onde ela germina. É o gesto que antecede o movimento. O projecto que precede o plano. O fogo que antecede a forja.

Esta concepção desafia todas as teorias tradicionais de produtividade que reduzem o processo criativo a lógica, planificação ou interesse económico. A produção, dentro do pensamento GAESEMA, é uma realidade espiritual, existencial e filosófica. É um acto de resistência contra o conformismo e o vazio. Criar é, acima de tudo, acreditar.

A Ideia é o Princípio — e a FÊ, seu Berço

Para Gilson Guilherme Miguel Ângelo, a FÊ é a primeira força criadora. É por meio dela que a ideia se acende e a produção se inicia. Toda obra, toda transformação material ou social começa nesse instante sútil, quando o ser humano entra em contacto com a sua visão interior e escuta o sussurro sagrado do espírito:

  • Cria.

A Filosofia GAESEMA, ao afirmar essa origem espiritual da produção, nos convida a reformar não apenas os meios de produção, mas o próprio olhar sobre o que é produzir. Produzir não é repetir, é antecipar. Não é apenas fabricar, é gerar. E todo acto de geração começa com fé.

FÊ, portanto, é mais do que uma crença — é a centelha criadora do espírito produtor.

6. Considerações Finais

Redefinir o dinheiro como produto da fé humana é mais do que uma provocação filosófica — é uma proposta prática de reestruturação da economia. Em vez de ser apenas instrumento de poder ou acúmulo, o dinheiro pode se tornar símbolo de confiança, reciprocidade e bem-estar colectivo.

A Filosofia GAESEMA propõe que a restauração da fé no processo produtivo seja o ponto de partida para um novo modelo de economia centrado na dignidade do trabalho, na ética da troca e na espiritualidade da produção.

Referências

  • Arrow, K. J. (1972). Gifts and Exchanges. Philosophy & Public Affairs, 1(4), 343–362.
  • Giddens, A. (1990). The Consequences of Modernity. Stanford University Press.
  • Marx, K. (1867). O Capital: Crítica da Economia Política. Volume I.
  • Sen, A. (1999). Development as Freedom. Oxford University Press.
  • Polanyi, K. (1944). The Great Transformation: The Political and Economic Origins of Our Time. Beacon Press.
  • Fukuyama, F. (1995). Trust: The Social Virtues and the Creation of Prosperity. Free Press.
  • Ângelo, Gilson Guilherme Miguel. Dinheiro é um Produto Complexo. Filosofia GAESEMA, 2025.
  • Filosofia GAESEMA. A Origem Sistemática da Produção, 2024.

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