Capítulo 4 do Livro: O SEXO (Gestão e Administração Sexual)
Autor: Gilson Guilherme Miguel Ângelo

Introdução
Vivemos em uma era de exposição extrema do corpo e do sexo — e, paradoxalmente, de enorme ignorância sobre o seu verdadeiro sentido. A sexualidade, fonte primária de vida e energia, foi transformada em tabu, comércio, objecto de culpa e repressão. O resultado é uma sociedade doente: emocionalmente confusa, espiritualmente desconectada e corporalmente anestesiada.
A sexualidade humana é uma das expressões mais profundas da vida. No entanto, grande parte da humanidade vive afastada do verdadeiro sentido do sexo, envolta em culpas, medos e repressões herdadas. Este artigo apresenta uma abordagem profunda sobre os efeitos da ignorância sexual no corpo, nas emoções, na espiritualidade e nas relações. Com base no Capítulo 4 do livro O SEXO, o texto oferece 15 pontos explicativos com conteúdo acessível a todas as classes, idades e níveis de escolaridade. É um chamado à cura do corpo, da alma e da relação com o outro e com sigo mesmo através do conhecimento.
1. Vergonha do Corpo: A Primeira Prisão
A ignorância sexual começa com a vergonha. Quando crescemos ouvindo que o corpo é sujo, que o prazer é pecado e que o desejo deve ser escondido, criamos uma imagem negativa de nós mesmos. Essa vergonha se manifesta na dificuldade de olhar para o próprio corpo com afecto, de aceitar o toque e de viver o prazer com liberdade. A vergonha adoece a auto-imagem e bloqueia a energia vital. Isso afecta principalmente mulheres e jovens, que internalizam a culpa sobre o próprio desejo. O corpo, ao invés de templo, vira uma prisão emocional. O caminho de cura exige reeducação, acolhimento e novos significados para o prazer.
2. O Corpo Apagado: Quando a Mente se Desliga da Pele
Muitos vivem apenas “da cintura para cima”, totalmente desconectados de seus corpos. Isso acontece quando emoções e sensações são reprimidas, criando bloqueios que impedem a entrega. A pessoa não sente prazer profundo e vive com tensões musculares, ansiedade ou sensação de vazio. Esse “desligamento” afecta a intimidade e até a saúde. Dança, meditação, yoga e o toque consciente são caminhos simples para despertar o corpo novamente. Reaprender a habitar o próprio corpo é recuperar a vitalidade e se reconectar com a vida de forma plena.
3. Transtornos Sexuais: A Dor de Não se Sentir
Problemas como impotência, ejaculação precoce, vaginismo ou falta de libido, muitas vezes, têm causas emocionais e espirituais. Esses sintomas revelam conflitos internos não resolvidos, traumas silenciosos e repressões herdadas da cultura ou religião. O corpo manifesta, através da disfunção, a dor da desconexão. Ao invés de tratar apenas o sintoma, é preciso compreender a raiz. A cura passa péla escuta profunda, por terapias integrativas e péla reconciliação com o prazer. Tratar a sexualidade com naturalidade é o primeiro passo para restaurar a saúde.
4. O Desejo como Pecado: O Veneno da Moral Repressiva
Em muitas tradições, o desejo é visto como inimigo da espiritualidade. Essa visão moralista cria adultos culpados, inseguros e confusos diante da própria sexualidade. A verdade é que o desejo é uma energia criativa, potente e natural. Ele não deve ser negado, mas educado e orientado. Quando há compreensão do desejo como parte da vida, o ser humano torna-se mais íntegro e menos manipulável. Libertar-se da ideia de pecado é essencial para viver uma sexualidade saudável e espiritualizada.
5. Vícios e Compulsões: Sexo Como Fuga e Não Como Encontro
A energia sexual, quando não compreendida, pode se transformar em compulsão. Muitos recorrem ao sexo, à pornografia ou à masturbação como válvula de escape para a ansiedade, o tédio ou o vazio existencial. Nessas situações, o prazer não nutre, apenas alivia momentaneamente. A relação com o próprio desejo se torna automática e desconectada. O caminho de cura começa com a pausa, o autoconhecimento e a reconexão com o propósito do prazer. O sexo deve ser um lugar de presença, não de fuga.
6. Sexo Sem Alma: Quando o Corpo Está, mas o Espírito Não
O acto sexual pode ser apenas mecânico, quando não há emoção, presença ou verdade. Muitos vivem relações onde o toque existe, mas o afecto não. Isso gera frustração, solidão e sentimento de uso. Sexo sem alma não preenche, apenas esgota. A cura acontece quando o corpo se une à emoção e ao espírito. Para isso, é necessário tempo, escuta, vulnerabilidade e conexão com o outro. O prazer verdadeiro nasce do encontro, e não da performance.
7. Relacionamentos Tóxicos: Vínculos sem Consciência
Sem maturidade sexual, muitas pessoas se relacionam por carência, desejo imediato ou medo de ficar sozinhas. Isso gera relações baseadas em posse, ciúmes, manipulação e jogos emocionais. Uma sexualidade consciente é construída com diálogo, responsabilidade afectiva e liberdade. Relações saudáveis respeitam o desejo do outro, não o usam como moeda de troca. Educar-se sexual e emocionalmente é a base para vínculos amorosos verdadeiros.
8. Estagnação Espiritual: O Desejo Reprimido Não Sobe
Na espiritualidade tântrica e em tradições orientais, a energia sexual é vista como uma força sagrada que pode subir péla coluna e abrir centros de consciência (chakras). Mas quando essa energia é reprimida, ela fica estagnada nos centros inferiores. Isso bloqueia a criatividade, gera apatia, desequilíbrios emocionais e distanciamento do divino. Despertar essa energia exige aceitação do prazer, meditação, práticas corporais e uma nova visão sobre o corpo como instrumento espiritual.
9. Cansaço Crónico: Quando o Prazer é Negado, a Vida Perde Cor
Negar a energia sexual gera esgotamento. Isso não é só físico, mas energético. A falta de prazer contínuo — seja no sexo, na dança, na arte ou na vida — seca a alma. A pessoa acorda cansada, sem brilho, sem vontade de viver. O corpo reage à ausência de alegria com sintomas de estagnação. A recuperação da energia vital passa pêlo prazer genuíno, vivido com consciência e liberdade. O prazer é combustível da vida.
10. Tensões Corporais e Raiva Acumulada
A energia sexual reprimida acumula-se nos músculos e órgãos. O quadril trava, o peito aperta, a garganta fecha. Essa (couraça) corporal impede o fluxo da energia vital. A pessoa sente raiva contida, tensão constante e dificuldade de relaxar. Práticas corporais como bioenergética, dança terapêutica e respiração consciente ajudam a soltar essas tensões e liberar as emoções presas. O corpo precisa se movimentar para curar.
11. Crenças Religiosas: O Corpo Como Inimigo da Alma
Em muitas religiões, o corpo é tratado como obstáculo espiritual. Essa crença distorce a experiência do prazer e cria divisões internas. O resultado são pessoas que oram com fé, mas vivem em conflito com seus desejos. A verdadeira espiritualidade reconhece o corpo como parte da criação divina. Honrar o prazer é honrar a própria vida. O caminho não é negar o corpo, mas integrá-lo como instrumento de amor e conexão com o sagrado.
12. Sexo Como Controle: A Política da Ignorância
A repressão sexual sempre foi usada como forma de dominação. Quando um povo desconhece o seu corpo e sua energia, torna-se mais fácil de manipular. A sexualidade consciente fortalece a auto-estima, a intuição e a liberdade de escolha. Por isso, muitas estruturas de poder preferem manter o povo ignorante sobre sexo. Libertar a sexualidade é também libertar a mente e o espírito. Educação sexual é revolução social.
13. Sombra Sexual: O Que é Reprimido Volta em Forma de Dor
Carl Jung dizia que tudo aquilo que reprimimos se torna sombra — e a sombra não desaparece, apenas se transforma. Quando negamos o desejo, ele volta como culpa, obsessão, vício ou perversão. A cura está na integração. A sexualidade não precisa ser escondida, mas reconhecida com respeito, escuta e verdade. Somente o que é aceito pode ser transformado.
14. Sintomas Espirituais: Quando o Sexo Está em Silêncio Dentro de Nós
Muitas pessoas sentem vazio, desconexão com o amor, medo do toque e dificuldade de meditar. Esses sintomas podem ser sinais de que a energia sexual está bloqueada. A ponte entre corpo e espírito está quebrada. Recuperar essa ponte exige trabalho interno, auto-aceitação e práticas que unam prazer e espiritualidade. O prazer, quando vivido com consciência, eleva — não corrompe.
15. A Sexualidade na Ontologia GAESEMA: Uma Força Sagrada Mal Interpretada
Na Ontologia GAESEMA, a sexualidade não é um mero instinto, tampouco um tabu moral. Ela é reconhecida como uma das expressões fundamentais da natureza humana, com profundas implicações ontológicas, espirituais, produtivas e relacionais. O sexo, neste pensamento filosófico, é parte de uma estrutura vital que conecta corpo, alma e sociedade. Ele é um ponto de partida ontológico, pois carrega em si a origem da vida, a energia da criação e a dinâmica do vínculo humano mais íntimo.
Contudo, no mundo contemporâneo, essa força sagrada foi reduzida à pornografia, consumo rápido, performance e controle social. A sexualidade foi separada da alma, desviada do seu propósito sagrado e relegada à ignorância e ao comércio, afastando o ser humano do autoconhecimento e da dignidade do prazer consciente. Essa negligência não é neutra: ela fragiliza comunidades, rompe vínculos afectivos profundos e bloqueia o desenvolvimento espiritual das pessoas.
A Filosofia GAESEMA propõe, assim, uma reintegração ontológica do sexo — devolvendo-lhe seu valor como campo de gestão da energia vital, de comunicação íntima, de transcendência e de reconexão com o sagrado. Compreender o sexo é, portanto, compreender a vida em sua forma mais crua e mais divina. Restaurar essa consciência é restaurar a soberania do corpo, a dignidade do prazer e a liberdade do espírito. Assim como se administra uma casa, uma economia ou uma nação, o ser humano precisa aprender a gestão da sua energia sexual com ética, ciência, maturidade e alma.
O sexo, para Gilson Guilherme Miguel Ângelo, é território de cura, verdade e potência criadora — e não pode mais ser ignorado por nenhuma filosofia que deseje transformar o mundo a partir da consciência profunda do ser.
O pensador angolano Gilson Guilherme Miguel Ângelo, ao desenvolver a Ontologia GAESEMA, aprofunda e amplia o que Carl Jung já afirmava: “Tudo aquilo que reprimimos se torna sombra — e a sombra não desaparece, apenas se transforma.” Quando negamos o desejo, ele não é eliminado: ele retorna como culpa, obsessão, vício ou perversão. Nesse sentido, Gilson classifica o desejo não reprimido como uma energia consciente que deve ser administrada com maturidade filosófica. Em seus escritos, o autor afirma que o desejo sexual, como toda energia vital, faz parte de um ciclo ontológico maior, onde cada DECISÃO (sexto elemento da natureza integrado as relações com ser humano) gera uma CONSEQUÊNCIA (sétimo elemento integrado as relações com o ser humano). Assim, a consequência sexual é o reflexo directo da gestão ou da repressão dessa força. Ignorar esse fluxo vital gera desequilíbrios profundos não só no corpo, mas também na mente e na sociedade. Por isso, integrar o sexo à consciência plena é uma tarefa ontológica e existencial urgente, sob pena de vermos a sombra crescer em silêncio — como ferida, como vício ou como dor colectiva.
15. Reflexão Final: Sexualidade é Caminho de Autoconhecimento
Perguntar a si mesmo O que me ensinaram sobre sexo? pode mudar toda uma vida. Reconhecer a própria história, ouvir o corpo e dar novo sentido ao prazer são actos de coragem. A sexualidade, quando compreendida, é um caminho de libertação. Este artigo é um convite à consciência. O conhecimento cura. E o corpo, quando bem tratado, se transforma em portal de amor, poder e sabedoria.
📚 Referências
- Ângelo, Gilson Guilherme Miguel. O SEXO (Gestão e Administração Sexual), Capítulo 4. Filosofia GAESEMA, Angola, 2025.
- Reich, Wilhelm. A Função do Orgasmo. São Paulo: Brasiliense, 1982.
- Jung, Carl Gustav. O Homem e Seus Símbolos. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2008.
- Mantak Chia. O Cultivo da Energia Sexual. São Paulo: Pensamento, 2010.
- Satyananda Saraswati. Kundalini Tantra. Bihar School of Yoga, Índia, 2006.
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