Do livro: O SEXO (Gestão e Administração Sexual)
Autor: Gilson Guilherme Miguel Ângelo

1. A origem do tabu sexual e seu poder invisível
A palavra (tabu) vem da cultura polinésia e significava algo sagrado e proibido ao mesmo tempo. Ao longo da história, esse conceito foi usado para colocar uma camada de medo e mistério sobre o sexo. Quando o sexo é chamado de sujo ou perigoso, ele deixa de ser livre. O tabu torna-se uma ferramenta de controle, pois prende o desejo em correntes de culpa. Quanto mais a sexualidade é reprimida, mais a sociedade se torna submissa a regras externas. Assim, o tabu sexual passou de tradição para um mecanismo de dominação social e espiritual.
2. Sexo e medo: como essa aliança se formou
Desde a Antiguidade, muitas tradições ligaram o sexo ao pecado, ao demónio ou à impureza. As religiões e instituições reforçaram essa ideia, causando medo no contacto com o corpo e com o prazer. Esse medo transforma-se em culpa, e a culpa gera submissão. Quando a pessoa tem medo do próprio desejo, ela perde a autonomia sobre si. O medo do sexo é, na verdade, um medo da liberdade, porque o sexo desperta poder, instinto e criação — forças difíceis de serem controladas por sistemas rígidos.
3. O corpo como território ocupado
Ao controlar a sexualidade, o sistema também controla o corpo das pessoas. O corpo passa a ser vigiado, silenciado e punido. Toques, desejos e emoções naturais tornam-se (pecados). Isso provoca uma desconexão entre o ser e seu corpo, levando à repressão, à vergonha e à alienação. O tabu sexual age como uma cerca invisível: o corpo deixa de ser território livre e vira campo de controle cultural. Esse bloqueio limita a liberdade individual e a consciência de quem se é.
4. O sexo como energia criadora
Sexo não é só acto físico: é energia vital, força criadora e motor de transformação. Quando essa energia é reprimida, a criatividade morre. Quando é liberta, surge o impulso de viver, amar, criar, inovar. Dominar o sexo é dominar a criação, é interromper o fluxo natural da existência. Por isso, o controle do desejo sexual é uma das armas mais poderosas dos sistemas de dominação — ele retira da pessoa o seu poder mais sagrado: o de criar a própria realidade.
5. Como o tabu se tornou sistema
O tabu sexual não surgiu por acaso. Ele foi sistematizado como um instrumento estratégico. A moral cristã, por exemplo, reduziu o sexo à reprodução e eliminou o prazer como algo digno. A sexualidade feminina foi negada, silenciada e domesticada pêlo patriarcado. No capitalismo, o sexo virou produto — mas ainda envolto em culpa. Ou seja, o tabu não acabou: ele apenas mudou de forma, passando da proibição para o consumo controlado. O sistema lucra ao vender prazer e, ao mesmo tempo, culpa.
6. Moral religiosa e censura do prazer
Durante séculos, religiões — especialmente as monoteístas — ensinaram que sexo é pecado. A Igreja Católica, na Idade Média, condenava o prazer, permitindo o sexo apenas para reprodução. Isso causou um trauma colectivo: o prazer passou a ser sujo, e o corpo, perigoso. O resultado foi uma sociedade com culpa sexual internalizada, medo da nudez e distanciamento da própria natureza. Essa moral não educava para o amor, mas para a repressão e o sofrimento.
7. O controle da sexualidade feminina
Historicamente, o corpo da mulher foi tratado como propriedade do homem. A virgindade feminina era moeda de troca, e a pureza sexual, uma obrigação moral. Mulheres que expressavam desejo eram rotuladas como pecadoras ou devassas. Esse controle não era só religioso — era político. Ao reprimir a mulher, o sistema mantinha a estrutura patriarcal intacta. A autonomia sexual feminina sempre foi vista como ameaça à ordem social tradicional.
8. Capitalismo, desejo e o mercado do corpo
No mundo contemporâneo(moderno), a repressão sexual deu lugar a um outro problema: o consumo do sexo. ou seja, a repressão sexual, foi substituída por uma outra forma de controle: a mercantilização do desejo. O capitalismo transformou o sexo em produto — explorado péla indústria da moda, da pornografia, da publicidade e do entretenimento. O corpo tornou-se vitrine ou isca, e o prazer, mercadoria. Mas isso não é libertação — é outro tipo de dominação. Ainda há culpa e vergonha, só que agora travestidas de liberdade aparente. No entanto essa aparente liberdade esconde uma nova forma de opressão: a manipulação da libido sem consciência espiritual. O mercado do desejo sequestra a energia vital do ser, gerando frustrações, culpa e um vazio emocional disfarçado de liberdade. Como nos alerta a Ontologia GAESEMA, quando o sexo é reduzido à função comercial, ele deixa de ser energia sagrada e torna-se ruído psicológico, enfraquecendo a essência humana.
9. Emoção e repressão: o impacto psicológico
Reprimir o sexo é também reprimir emoções, ou seja reprimir o desejo sexual é, na verdade, reprimir o ser emocional por completo. A energia sexual não é separada da nossa alma — ela é expressão da vida emocional. Quem reprime o desejo, reprime também o amor, a ternura, o choro, a raiva. Porque ela — é a fonte da ternura, do carinho, da raiva criativa, da alegria e do choro curador. Ao bloquear o desejo, bloqueamos a expressão mais autêntica da nossa humanidade, Isso gera bloqueios emocionais e doenças psicossomáticas, distúrbios emocionais e relações doentias. A repressão sexual é uma forma de anestesia do espírito, que impede o indivíduo de viver com autenticidade. Libertar o sexo é, ao mesmo tempo, libertar o coração.
10. Criatividade e sexualidade: uma mesma energia
A energia criadora que movimenta a arte, a ciência, os projectos e os sonhos nasce do mesmo centro energético da sexualidade, ou seja, a energia sexual é a mesma que cria músicas, projectos, obras de arte e ideias revolucionárias. Toda pessoa criativa é, em essência, um ser sexual integrado — consciente ou não. Quando essa força é bloqueada, negada ou julgada, o potencial criador também é reprimido. A pessoa se torna passiva, repetitiva e sem brilho. A repressão sexual não só afecta o corpo, mas também a potência criativa e produtiva do ser. Quem vive em conflito com o próprio desejo, dificilmente cria com liberdade. Libertar o desejo é reacender a criatividade.
Na Filosofia GAESEMA, o ser humano produtivo é aquele que integra o desejo com a obra — que vê no erotismo da vida uma força de construção e invenção. O sexo liberto é também a criatividade liberta.
11. Sexo, poder, domínio, submissão e liberdade interior
Historicamente, o sexo sempre foi usado como uma ferramenta de submissão ou empoderamento. Quem domina o corpo e o desejo do outro, domina sua alma. Por isso, regimes totalitários, governos, religiões, famílias autoritárias e sistemas ou estruturas patriarcais usaram o tabu sexual como forma de controle. Estes sistemas mencionados reprimiram o prazer como forma de subjugar os corpos e moldar as consciências. Realmente ficou provado de que, quem controla o desejo próprio ou do outro, domina a alma. Mas o contrário também é verdadeiro: quem recupera o próprio corpo, recupera o seu poder interior. A verdadeira liberdade só acontece quando o ser humano recupera a posse do seu desejo e do seu prazer — quando o indivíduo deixa de obedecer à culpa imposta e passa a escutar sua verdade profunda.
12. Como romper com ciclo do tabu?
Romper com o tabu não é atacar a moral dos outros, mas curar a raiz da nossa vergonha. A saída não está em negar o tabu, mas em trazê-lo à luz da consciência. É preciso perguntar: Quem me ensinou a ter medo ou vergonha do prazer? Porquê? De onde vem minha culpa? Essa investigação interna é um processo de libertação. Não se trata de libertinagem ou de uma guerra de contravalores, mas de reumanização do corpo. O primeiro passo é olhar o corpo com respeito e entender que prazer é um direito, não um pecado.
Como defende Gilson Guilherme Miguel Ângelo na Ontologia GAESEMA, a vergonha sexual é uma decisão cultural imposta que gera consequências ontológicas profundas. Superá-la exige consciência, respeito próprio e uma nova pedagogia do amor.
13. O sexo como caminho espiritual
O sexo consciente é uma ponte para o espiritual. Quando há presença, desejo e amor, o acto sexual transforma-se em oração viva. Não há separação entre corpo e alma — o corpo torna-se templo, o toque vira bênção ou comunhão, o orgasmo vira expansão da consciência. A energia sexual, bem orientada, pode curar traumas, dissolver medos e reconectar o ser ao divino. Sexo consciente não é libertinagem — é espiritualidade encarnada.
14. Educação sexual como libertação filosófica
Uma sociedade madura não reprime o sexo — ela educa sobre ele com sabedoria. A ausência de educação sexual gera ignorância, medo e perpetuação de violências. A proposta da Filosofia GAESEMA é uma educação que una corpo, mente e espírito — ensinando prazer com responsabilidade, desejo com empatia, erotismo com ética. Precisamos de escolas, famílias e espaços comunitários onde o sexo seja tratado como vida, e não como tabu. Educar é iluminar; e iluminar o sexo é permitir relações mais humanas, mais livres e mais conscientes.
15. Para onde vamos?
A próxima revolução sexual não será marcada por libertinagem, posições, liberdade para tudo ou ruptura moral, mas por reconciliação espiritual. Será uma revolução da presença, da consciência, presença e da responsabilidade amorosa. O pensador Gilson Guilherme Miguel Ângelo define este novo tempo como (a restauração da natureza sexual como força sagrada da existência). O futuro exige coragem para rever as crenças herdadas e maturidade para honrar o corpo como dimensão divina. O tabu não desaparecerá de um dia para o outro, mas a verdade — quando assumida — dissolve o medo. O caminho é interior: do trauma à transcendência, da vergonha ao sagrado.
Sexo: O Portal Sagrado da Existência Humana na Ontologia GAESEMA
Para o filósofo angolano Gilson Guilherme Miguel Ângelo, o sexo é a expressão mais profunda e sensível do ser humano. Ele não é apenas um acto biológico, social ou prazeroso. É, acima de tudo, um portal de existência, a força primordial que possibilita o nascimento da vida, a continuidade da espécie e o reencontro do ser consigo mesmo. Falar de sexo é falar da origem da própria humanidade. É tratar da centelha vital que impulsiona o corpo, move a alma e liga o espírito à sua missão ontológica.
Ao contrário de visões reducionistas, moralistas ou puramente hedonistas, Gilson Ângelo convida-nos a contemplar o sexo como um campo energético multidimensional, onde se entrelaçam corpo, alma e espírito. Nesse espaço sagrado, o toque torna-se linguagem, o olhar torna-se elo, e o prazer, quando vivido com consciência, transforma-se em cura. A forma como cada sociedade compreende e vivencia o sexo determina, em larga escala, sua saúde emocional, sua maturidade espiritual e sua liberdade interior.
Segundo a Ontologia GAESEMA, o sexo ocupa um lugar central na formação do humano integral. Negar ou reprimir essa energia é negar a própria natureza humana. Por isso, o autor afirma que o sexo deve ser disciplinado, mas nunca reprimido. A repressão gera sombra, desconexão, culpa, obsessão. Já o uso consciente dessa energia vital conduz à elevação, ao amor verdadeiro, ao equilíbrio interior. Ao compreender o sexo como sagrado, o corpo passa a ser percebido como templo, e o acto sexual como liturgia do toque.
Neste sentido, cada ser humano vive o sexo de maneira única, como quem saboreia uma fruta suculenta. É uma experiência íntima, sensorial, afectiva e intransferível. Nenhuma religião, doutrina ou teoria é capaz de traduzir o que acontece no âmago de um encontro verdadeiro. O contacto físico e emocional com o outro é profundamente pessoal. Como o próprio autor diz: (ninguém explica o gosto de uma fruta; apenas sente-se).
A tentativa de moralizar o sexo, sem penetrar na sua complexidade e profundidade, produz efeitos devastadores: culpa religiosa, transtornos psicológicos, relações abusivas, violência simbólica e ignorância emocional. Para Gilson Ângelo, o caminho não está na censura, mas na consciência disciplinar: compreender, aceitar, educar e integrar o sexo como dimensão da vida.
É aqui que entra a lógica dos Elementos da Natureza Humana na Ontologia GAESEMA. O sexo, como qualquer expressão da existência, não está dissociado das decisões que tomamos e das consequências que delas advêm. Gilson estrutura essa dinâmica nos elementos 6 e 7:
- O 6º Elemento é a Decisão: todo acto sexual nasce de uma escolha — que pode ser consciente ou inconsciente.
- O 7º Elemento é a Consequência: essa escolha gera efeitos — que podem ser vida, prazer, amor, mas também dor, frustração, doença ou trauma.
Essa visão substitui a lógica do pecado péla lógica da responsabilidade ontológica. Se a decisão sexual é tomada sem consciência, as consequências inevitavelmente surgem como alertas da desconexão entre corpo e alma. Mas se é feita com respeito, consentimento, verdade e cuidado, então o sexo torna-se veículo de autoconhecimento, libertação e cura.
O autor também chama atenção para o impacto das experiências sexuais mal resolvidas nas esferas emocional, cultural e espiritual. A repressão sexual imposta por certos sistemas religiosos ou normas culturais desconectadas da realidade apenas intensificam os conflitos internos dos indivíduos e das sociedades. Por isso, educar para o sexo consciente é, na perspectiva GAESEMA, educar para a liberdade, para o respeito à vida e para o florescimento do amor saudável.
O sexo, quando alinhado com a natureza, com o coração e com o espírito, reconecta o ser humano ao seu estado original de unidade. Ele resgata a comunhão, o respeito mútuo, o prazer com significado. Em vez de ser uma fonte de dor, torna-se uma ponte para o divino, uma linguagem da alma. Esse é o convite de Gilson Guilherme Miguel Ângelo: resgatar a sacralidade do sexo como caminho para o reencontro com a própria essência.
Como já apontava Carl Jung, (tudo o que é reprimido, se torna sombra) o desejo reprimido retorna como culpa, vício ou obsessão, hoje em dia se manifesta na pornografia, no adultério compulsivo, na pedofilia, na prostituição forçada e em diversas formas de distorção da energia sexual, dando assim o grande protagonismo das decisões e consequências que integra cada humano.
No entanto, há caminho de cura: a reconexão consciente com o corpo, com o prazer sagrado, com a intimidade saudável, com o toque respeitoso e com a escuta do desejo. O sexo, neste sentido, deve ser educado, ritualizado, espiritualizado. O seu lugar não é o da vergonha, mas o da verdade; não o da repressão, mas o do respeito.
Num mundo onde o sexo é usado como arma de manipulação ou objecto de consumo, a Ontologia GAESEMA propõe um retorno ao sagrado sexual como fundamento da vida humana saudável e integral. Isto exige novas formas de educação sexual — não apenas técnicas, mas também filosóficas, afectivas e espirituais. Exige coragem para olhar para dentro e perceber como o sexo reflecte a nossa própria relação com a vida.
Por fim, cada ser humano tem um campo sensível único. Como a impressão digital, o toque, o olhar, o desejo e o prazer são individuais. O verdadeiro desafio é cultivar esse campo com disciplina, amor e consciência, para que o sexo não seja apenas reprodução ou prazer, mas sobretudo comunhão, criação e transcendência.
Referências Bibliográficas
- Ângelo, Gilson Guilherme Miguel. O SEXO (Gestão e Administração Sexual), 2025.
- Jung, Carl Gustav. O Eu e o Inconsciente.
- Foucault, Michel. História da Sexualidade.
- Freud, Sigmund. Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade.
- Hooks, bell. O Feminismo é para Todo Mundo.
- GAESEMA – Ontologia GAESEMA para a Governança do Espírito, do Saber e da Matéria.
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