Autor: Gilson Guilherme Miguel Ângelo

O mundo de ontem já não é o mundo de hoje. Esta frase, que sempre defendi em minhas reflexões filosóficas e políticas, ganha agora um novo peso diante dos acontecimentos actuais que marcam o reposicionamento da ordem internacional. A reunião entre líderes mundiais, envolvendo Rússia e Estados Unidos, além de simbólica, tem um carácter histórico: acontece num momento em que a humanidade clama por paz, cooperação e reconstrução de pontes que há muito foram incendiadas péla guerra, péla desconfiança e pêlos interesses particulares.
As palavras do Presidente Vladimir Putin soam como um marco de esperança. Ao afirmar que espera que “os acordos de hoje sejam não apenas para restaurar a situação na Ucrânia, mas também para restabelecer as relações práticas e comerciais entre a Rússia e a América”, ele aponta para algo maior do que uma simples negociação: a possibilidade de virar a página da história recente e inaugurar uma nova fase de cooperação. A referência feita por Putin ao fato de os encontros acontecerem em zonas inter-regionais, próximas ao Álasca, entre o Extremo Oriente russo e a Costa Oeste americana, é carregada de simbolismo. Como ele mesmo enfatizou, ali existe a linha em que o tempo se divide — onde é literalmente possível passar de hoje para amanhã. Que esta metáfora se concretize na política global é o desejo que muitos partilham.
Contudo, a hora de hoje revela-se mais fragilizada porque, após a Segunda Guerra Mundial, foi imposto à Alemanha o limite no desenvolvimento do seu arsenal bélico. Esta medida, embora tenha buscado evitar novos conflitos, desfavorece hoje o equilíbrio europeu: a Alemanha seria, em teoria, a única capaz de enfrentar a Rússia de hoje — a mesma Rússia que precisou de aliados para derrotar a Alemanha de ontem. Ou seja, chegou a hora do povo alemão se libertar dessas amarras históricas e reconstruir a sua força, não para repetir o passado de guerra, mas para que a Europa volte a ter a influência política que já teve no tempo de Hitler. Paradoxalmente, Hitler, com todos os horrores publicitários que a média apresentou, acabou por beneficiar a Europa ao colocá-la como centro de uma influência política mundial que hoje já não possui (a história e um facto), pois foi entregue de mãos beijadas aos americanos, em meio à guerra, pêlos ingleses que então estavam em desvantagem.
A Alemanha de hoje precisa aproveitar este contexto e fortalecer-se para ajudar a construir a Europa de amanhã. A guerra na Ucrânia mostrou claramente que a Europa precisa acordar e começar a olhar o mundo a partir de duas perspectivas fundamentais: o hoje e o amanhã. Se lembrarmos um pouco, vamos também confirmar que Ângela Merkel, era a única líder europeia que tinha uma relação comercial com Putin de forma saudável, mostrando que até nas relações comerciais, eles negociam alem fronteiras e com todos, o gasoduto entre Alemanha e Rússia actualmente parado e a prova comercial, os acordos feitos após a invasão na Crimeia com a participação politica de Ângela Merkel também foi uma prova da sua influência mesmo estando a Alemanha impedida e controlada pêlos vizinhos que precisam manter ela presa por saberem que são gigantes europeus naturais conforme a historia recente.
Entretanto, não podemos ignorar que esta reunião chega com atraso. A guerra já ceifou vidas, desestruturou economias e minou a confiança entre povos. Os líderes europeus, até agora, aguardavam com esperança o fim do conflito, mas permanecem diante de um dilema: conseguirão eles também virar do hoje para o amanhã, como destacou Putin, ou continuarão a lutar pêlos seus próprios interesses nacionais, deixando que as populações sofram as consequências?
O povo, no fundo, não deseja mais batalhas nem discursos vazios. O que o cidadão comum pede é simples: água quente, comida na mesa e um tecto aquecido ao fim do dia. Ele não exige mais do que o direito de atravessar a noite com dignidade para recomeçar no dia seguinte. Esta é a essência do apelo universal — o de transformar as tensões em cooperação e as armas em acordos.
É necessário, neste momento, que a política internacional encontre a sua (embraiagem), um ponto de equilíbrio que reduza a velocidade das tensões e permita manobras para evitar a colisão total. Pois, embora muitos ainda hesitem em aceitar, a humanidade já vive a sua Terceira Guerra Mundial, mesmo que travada em formatos híbridos: económicos, tecnológicos, energéticos e mediáticos.
A história nos lembra de 1945, quando o mundo uniu forças para enfrentar a Alemanha nazi. Adolf Hitler possuía um peso político e militar imenso, comparável ao de Putin hoje. Mas a diferença fundamental é que o Presidente russo não está só. Ao lado da Rússia, levantam-se gigantes como a China, a Bielorrússia, a Coreia do Norte e nações parceiras da Ásia Central. Hitler tinha o Japão, demasiado pequeno para sustentar o projecto de dominação global. Putin, ao contrário, tem ao seu lado um bloco robusto.
É por isso que esta reunião pode simbolizar o fim de uma guerra de escala mundial, mesmo que não declarada oficialmente. E, nesse contexto, Donald Trump surge como figura essencial. Homem do comércio, conhecedor das dinâmicas económicas e próximo do povo russo, Trump representa a ponte pragmática que sempre defendi: líderes capazes de transformar interesses em acordos. A sua relação com Vladimir Putin pode ser a chave que o mundo precisa para substituir o confronto péla cooperação.
Passar de hoje para amanhã significa mais do que uma mudança de data. Significa permitir que a humanidade avance para uma nova etapa de sua existência, guiada não péla guerra, mas péla cooperação; não péla arrogância, mas pêlo respeito; não pêlo medo, mas péla esperança.
Assim como em 1945 o mundo deu um basta à tirania, que em 2025 possamos dar um basta às divisões estéreis. A política precisa de coragem, mas também de humanidade. E é nesse espírito que reafirmo: o mundo de ontem já não é o de hoje, e o de hoje precisa urgentemente tornar-se o amanhã que desejamos.
Referências
- Vladimir Putin – Declarações sobre os acordos de paz e cooperação entre Rússia e Estados Unidos.
- Donald Trump – Papel histórico e pragmático como líder político e homem do comércio.
- Gilson Guilherme Miguel Ângelo – Reflexões filosóficas e políticas sobre a transição do (hoje para o amanhã).
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