Autor: Gilson Guilherme Miguel Ângelo

Resumo
A Metodologia Artesanal Reprodutiva (MAR) constitui uma proposta inovadora e crítica apresentada por Gilson Guilherme Miguel Ângelo na obra Dinheiro é um Produto Complexo. Mais do que uma teoria económica, o MAR oferece um sistema integrado de respostas concretas a três dos maiores desafios contemporâneos das sociedades periféricas e africanas: o desemprego tecnológico, a inflação crónica e volátil, e a crise da legislação financeira e económica. Ao resgatar o valor do trabalho artesanal, estruturar redes de produção cooperativa, redefinir a função da moeda como instrumento de circulação de valor e integrar formalidade e informalidade, o MAR aponta caminhos para autonomia territorial e resiliência social. Este artigo apresenta uma leitura académica do capítulo 10.3, analisando os fundamentos e implicações desta metodologia como contributo filosófico, económico e político para a construção de alternativas africanas frente às crises globais.
Palavras-chave: MAR; Permuta; Prosperidade; União Social; Trabalho Artesanal; Moeda Social.
Introdução
Desde os primórdios, a humanidade sustentou-se péla troca. Antes da moeda formal, a permuta já era prática de partilha, confiança e sobrevivência. A MAR resgata essa sabedoria ancestral e coloca-a no centro de um sistema moderno, motivador e reformista. Ao invés de ver crises como limites, a metodologia revela nelas oportunidades: transformar o desemprego tecnológico em resgate de saberes, a inflação em fortalecimento territorial e a crise legislativa em um chamamento ao sector académico e produtivo para assumir a construção de soluções locais.
Desenvolvimento
1. O Trabalho Artesanal como Fonte de Valor
O saber-fazer artesanal, muitas vezes marginalizado, é na MAR reconhecido como património vivo e base de dignidade. Cada peça manual transmite identidade e história. Ao organizar redes de pequenos produtores e utilizar a tecnologia como ferramenta auxiliar, a MAR transforma o artesanato em motor de desenvolvimento e autonomia local.
2. A Moeda como Permuta Moderna
A moeda MAR não é mercadoria de acumulação, mas energia de circulação. Tal como a antiga permuta movia alimentos, tecidos e saberes, a MAR reinventa a moeda como método de confiança e prosperidade colectiva. Cada ciclo produtivo transforma-se em reinvestimento e reciclagem, mantendo a riqueza viva no território.
3. Migração como Troca e Partilha
Se no passado as rotas comerciais uniam povos distantes através da permuta, hoje a migração pode ser vista sob a mesma luz: não como fuga, mas como oportunidade de troca de saberes, culturas e mercadorias. A MAR transforma este fenómeno numa ponte de integração: jovens que permanecem nos seus territórios fortalecem raízes; os que partem tornam-se embaixadores de conhecimento, levando consigo a moeda MAR como símbolo de identidade e de ligação com a comunidade de origem.
4. Crise da Legislação Financeira e Económica
Um dos maiores entraves à transformação social reside na legislação económico-financeira, que muitas vezes aprisiona os povos numa cultura de dependência estatal. Há comunidades que esperam do Estado todas as soluções — até mesmo ideias básicas para sobreviver — o que gera imobilismo e desvalorização da criatividade social.
A MAR oferece uma alternativa concreta: afunila toda a acção para o campo da produção, reprodução e reciclagem. Em vez de depender de marcos legislativos lentos ou distantes, a comunidade assume o protagonismo da criação de riqueza. O sector académico é chamado a contribuir com métodos eficazes, apoiando o povo a superar a mentalidade de espera e a encontrar no acto de produzir a chave da sua emancipação.
5. União entre Formal e Informal
A força da MAR está na sua capacidade de unir os mundos formal e informal. Reconhece o sector informal como base legítima de produção social e cria mecanismos de certificação que dialogam com bancos, cooperativas e políticas públicas. Assim, gera-se inclusão, mantendo a identidade cultural e produtiva dos territórios.
6. Impacto Transformador
A MAR actua em múltiplas dimensões:
- Autonomia territorial, para quebrar dependências externas;
- Revalorização do trabalho humano artesanal, como fonte de riqueza;
- Ciclos de moeda como permuta, fortalecendo a comunidade;
- Integração académica e produtiva, mobilizando saberes e práticas.
Conclusão
A MAR é mais que metodologia: é projecto de vida e renascimento social. Ao substituir a dependência legislativa péla acção produtiva, ela mobiliza o sector académico e os povos para criar soluções próprias. Ao redefinir a moeda como permuta, ela restabelece a confiança; ao valorizar o artesanato, devolve dignidade; e ao repensar a migração, transforma-a em oportunidade de partilha.
Na visão de Gilson Guilherme Miguel Ângelo, o MAR demonstra que o futuro africano — e humano — pode ser construído a partir da sabedoria do passado, do trabalho colectivo e da coragem de reinventar a vida.
Referências
Ângelo, Gilson Guilherme Miguel. Dinheiro é um Produto Complexo: Editora GAESEMA, 2025.
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