Autor e criador da Ontologia GAESEMA: Gilson Guilherme Miguel Ângelo

Resumo
A Ontologia GAESEMA, proposta por Gilson Guilherme Miguel Ângelo, apresenta uma abordagem multidimensional do contacto humano, entendendo-o como intersecção entre corpo, mente, espírito e cosmos. Este modelo propõe oito dimensões do contacto — visual-sensorial, físico-táctil, sonoro-verbal, quântico-espiritual, interior, sonolenta/onírica, transferências práticas e mobilização/prova concreta — que revelam como acções, intenções e percepções criam realidades físicas, quânticas e espirituais. Cada dimensão é explorada à luz da filosofia clássica (Platão, Plotino), teologia cristã (Mateus, Hebreus), filosofia africana (Ubuntu, Nkrumah, Tempels) e ciência contemporânea (neurociência, física quântica). O modelo evidencia que o ser humano é co-criador de sua existência e que toda experiência relacional tem impacto na consciência colectiva e no cosmos. Para a academia, a Ontologia GAESEMA oferece uma estrutura interdisciplinar robusta, integrando filosofia, teologia, física e ciências humanas, e propõe uma visão inovadora de ética, espiritualidade e desenvolvimento humano integral.
Introdução
A Ontologia GAESEMA compreende que a realidade não é apenas física: manifesta-se como uma rede de ressonâncias éticas, espirituais e quânticas, na qual pensar é criar e agir é selar. O contacto — entendido como encontro vivo entre seres humanos e cosmos — torna-se a chave que conecta corpo, mente e espírito, revelando o ser humano como ente multidimensional. Longe de se reduzir a uma simples interacção sensorial, o contacto constitui um verdadeiro campo quântico-espiritual, onde se cruzam energias do corpo, da mente, do espírito e do próprio cosmos.
Proposto pêlo pensador Gilson Guilherme Miguel Ângelo, este modelo sustenta que cada forma de contacto abre portais de percepção capazes de sustentar a soberania humana e de activar processos criativos que transcendem os limites da matéria. Ao dialogar com tradições filosóficas e espirituais diversas — de Platão, que vislumbra o Bem como forma suprema, a Teilhard de Chardin, que vê a evolução convergir para um ponto ómega, e com pensadores africanos como Kwame Nkrumah, Placide Tempels e Kwame Gyekye, que sublinham a força comunitária da moralidade — a Ontologia GAESEMA integra saberes ocidentais e africanos numa visão unificada da existência.
Fundamentos bíblicos, como Mateus 18:18 e Hebreus 11:3, reforçam a ideia de que a palavra e a intenção moldam a realidade invisível. Essa proposta é, portanto, interdisciplinar, unindo filosofia, teologia, neurociência e física quântica para demonstrar que o contacto humano não apenas transcende os sentidos, mas cria realidades existenciais.
Este artigo apresenta, de forma aprofundada, as oito dimensões do contacto delineadas por Ângelo, evidenciando sua relevância filosófica, científica e teológica. Ao examinar cada dimensão, revelam-se caminhos de co-criação entre o ser humano e o universo, apontando para uma compreensão integral da vida como movimento contínuo de interacção, consciência e transcendência.
- O Contacto do Olhar: Porta Sensorial e Dimensão Ontológica da Alma
O olhar é, simultaneamente, um gesto físico e um acontecimento metafísico. Mais do que simples percepção óptica, constitui uma experiência integral de corpo, mente e espírito. No plano biológico, a rotina converte ondas electromagnéticas em sinais eléctricos que percorrem o nervo óptico até o córtex visual, desencadeando respostas neuro químicas como a liberação de dopamina e ocitocina, responsáveis por empatia e vínculo social. A neurociência confirma que o encontro de olhares activa áreas cerebrais ligadas à cognição social (Gallese, 2011), demonstrando que ver é, de fato, tocar à distância. Porém, limitar o olhar à fisiologia é reduzir a sua potência ontológica.
Na Filosofia GAESEMA, proposta por Gilson Guilherme Miguel Ângelo, o olhar é vibração e portal quântico. Ele transmite intenções silenciosas, códigos energéticos e (verdades da alma) que ultrapassam a carne e alcançam o espírito. Platão, no Fedro, descreve o (olhar amoroso como flecha da alma), indicando que a visão desperta o eros espiritual, abrindo caminho para a contemplação do Belo em si. No Timeu, Platão também associa a luz a uma ponte entre o mundo sensível e o inteligível, sugerindo que a visão conecta planos da realidade. A fenomenologia de Husserl reforça essa dimensão ao afirmar que toda percepção é (consciência de algo), ou seja, um acto intencional que implica co-presença: quando olhamos alguém, não apenas captamos uma imagem, mas participamos de sua existência.
As tradições bíblicas ecoam essa visão ampliada. Em Mateus 6:22 lemos: (Os olhos são a lâmpada do corpo; se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz). Aqui, o olhar é condutor de luz interior e espelho do estado espiritual. Em outras passagens, como Lucas 11:34, reforça-se a ideia de que a pureza ou trevas do coração se reflectem no olhar, revelando que a visão é também juízo e revelação. Para Gilson, quando dois seres humanos trocam olhares, estabelece-se um campo energético que regista intenções, emoções e até memórias colectivas, um microcosmo de comunicação quântica.
No contexto africano, o olhar carrega um valor relacional e ético. Culturas bantu reconhecem o (olhar vital) como força de bênção ou maldição; sustenta-se que a vitalidade de uma pessoa pode ser transmitida ou retirada pêlo simples acto de olhar. O ubuntu, princípio de interdependência — (eu sou porque nós somos) —, encontra no olhar um gesto de reconhecimento e pertencimento. Aqui, a visão é linguagem silenciosa de hospitalidade e de responsabilidade mútua.
Além da dimensão cultural e espiritual, o contacto visual influência a psique de modo profundo. Estudos em psicologia social demonstram que a manutenção do olhar aumenta a confiança e a percepção de credibilidade entre interlocutores. Para a Ontologia GAESEMA, essa troca não é meramente simbólica: ela produz efeitos reais em níveis físicos e espirituais, pois a energia emocional se desloca e se inscreve no (campo de presença) que envolve os indivíduos. Assim, um simples cruzar de olhos pode fortalecer vínculos, despertar memórias ancestrais ou, inversamente, gerar tensão e repulsa.
Dessa forma, o olhar revela-se uma dimensão de contacto que opera em múltiplos planos: neurológico, psicológico, social, quântico e espiritual. Ele é (porta sensorial da alma), um canal onde a luz externa encontra a luz interior, possibilitando a comunhão entre seres. Na perspectiva de Gilson Guilherme Miguel Ângelo, compreender essa dimensão significa reconhecer que o encontro de olhares é um acto de criação: cria realidades relacionais, desperta potenciais latentes e, sobretudo, testemunha que ver é, essencialmente, tocar com a própria existência.
2. O Contacto Físico: A Linguagem Táctil da Existência e Pacto Energético-Cósmico
O contacto físico é, por excelência, a forma mais evidente e visceral de comunicação entre os seres humanos, sendo simultaneamente biológico, social, espiritual e quântico. A pele — o maior órgão sensorial do corpo — contém milhões de receptores tácteis que, ao serem estimulados por um abraço, um aperto de mão ou um simples toque, desencadeiam respostas neuro químicas complexas: liberação de ocitocina, serotonina e dopamina, hormônios que promovem bem-estar, reduzem o estresse e fortalecem os laços afectivos. Essa dimensão fisiológica demonstra que o toque não é mero gesto, mas um poderoso catalisador de saúde emocional e mental. Entretanto, limitar o toque à biologia é reduzir a sua profundidade ontológica.
Na Ontologia GAESEMA, desenvolvida por Gilson Guilherme Miguel Ângelo, o toque físico é compreendido como pacto energético e código de realidades. Ao encostar-se em outro ser, cada célula vibra em ressonância, criando uma memória energética compartilhada que ultrapassa o instante e se inscreve no cosmos. Teilhard de Chardin, em O Fenômeno Humano, descreve a noosfera — rede de consciência planetária — como um campo que se adensa quando seres humanos se encontram e cooperam, sugerindo que o contacto físico não é apenas interacção corporal, mas um elo evolutivo que contribui para a expansão da consciência colectiva. Nessa perspectiva, um aperto de mãos não é apenas cumprimento social: é selo invisível que activa sinapses espirituais e reforça a interconexão universal.
A filosofia africana também ilumina esta dimensão. John Mbiti, ao afirmar (eu sou porque nós somos), recorda que o corpo é veículo de comunhão e que a existência individual só se realiza no encontro com o outro. Em diversas culturas africanas, o toque é ritual de pertencimento e bênção: um gesto que confirma a identidade comunitária e reitera a presença viva dos ancestrais. Assim, o contacto físico se torna acto de reciprocidade ontológica, onde a vibração de um corpo ressoa no campo vital do outro, criando uma teia de solidariedade e reconhecimento.
Do ponto de vista filosófico ocidental, Aristóteles considerava o tacto a base de todos os sentidos, a percepção que garante a experiência mais imediata do real. Husserl, na fenomenologia, lembra que todo acto de sentir é intencional, ou seja, sempre dirigido a algo ou alguém, revelando que o toque é encontro de consciências e não apenas fricção de superfícies. A neurociência contemporânea confirma: estudos demonstram que abraços de mais de vinte (20) segundos regulam a pressão arterial e fortalecem o sistema imunológico, provando que a linguagem do corpo tem efeitos mensuráveis no bem-estar global do ser humano.
Para a Ontologia GAESEMA, cada abraço, aperto de mão ou gesto de afecto é também um acto quântico. Quando duas pessoas se tocam, seus campos electromagnéticos entram em sincronia, produzindo o que Gilson chama de (memória energética cósmica). Essa sincronia, ainda que invisível, cria realidades espirituais e fortalece laços que persistem além do tempo e do espaço. A Bíblia, em passagens como Marcos 5:28-30, onde a mulher é curada ao tocar nas vestes de Jesus, sugere que o toque é canal de poder e cura, revelando a interpenetração entre físico e espiritual.
Dessa forma, o contacto físico é muito mais que um acto sensorial: é linguagem que sela compromissos, transfere energia e convoca a presença do divino na relação humana. Em cada toque sincero, o corpo torna-se sacramento, um espaço onde o metafísico se manifesta no físico. Gilson Guilherme Miguel Ângelo propõe, portanto, que compreender a dimensão táctil é reconhecer que o humano não é um ser isolado, mas uma rede viva de vibrações. Abraçar, apertar mãos, consolar com um toque é participar de um pacto cósmico que transforma, cura e eterniza a experiência de estar no mundo.
3. Contacto Sonoro e Verbal – a vibração que molda realidades
A experiência humana com o som e a palavra vai muito além da simples transmissão de informações: trata-se de uma força criadora que atravessa corpo, mente e espírito. Do ponto de vista neurocientífico, estudos em neurolinguística e psicoacústica demonstram que a vibração sonora activa áreas cerebrais ligadas à emoção, à memória e ao sistema nervoso autónomo, modulando batimentos cardíacos, padrões hormonais e estados afectivos. Essa influência explica por que a fala, o canto ou mesmo a entonação de uma frase podem curar, motivar, ferir ou desestruturar. Filosoficamente, Platão já intuía que o logos — a palavra dotada de razão — possuía poder formativo, enquanto Teilhard de Chardin via a evolução da consciência como um processo em que a linguagem impulsiona a noosfera, a esfera do pensamento colectivo. Na tradição africana, o princípio Ubuntu — umuntu ngumuntu ngabantu (sou porque nós somos) — reafirma que a linguagem não é apenas expressão individual, mas um acto comunitário que cria identidade e coesão social.
A Bíblia ecoa essa visão criativa: (péla boca fala o que o coração está cheio) (Lucas 6:45), revelando a palavra como extensão do ser interior. No contexto da Filosofia GAESEMA, cada emissão sonora é compreendida como um feixe vibracional que penetra o campo quântico-espiritual, interligando indivíduos e ambientes em uma rede dinâmica de ressonâncias. Assim, pronunciar uma palavra é co-criar realidade; o silêncio, quando ético e consciente, converte-se também em acto gerador, pois toda frequência — inclusive a do não-som — participa da tessitura do cosmos.
Dessa forma, o contacto sonoro e verbal deve ser visto como tecnologia ontológica e política: molda subjectividades, influencia decisões colectivas e preserva saberes ancestrais. Cânticos de trabalho, provérbios, rituais de iniciação e narrativas orais africanas ilustram como a vibração sonora sustenta a memória social e a resistência cultural. Em sociedades contemporâneas hiperconectadas, compreender essa dimensão é crucial para práticas de educação, justiça restaurativa, mediação de conflitos e saúde mental. Falar, ouvir e silenciar com intenção tornam-se, portanto, exercícios de responsabilidade cósmica, nos quais cada palavra, tom ou pausa participa do contínuo processo de criação e recriação da vida.
4. Contacto Quântico-Espiritual e Comunicacional-Verbal – a vibração invisível que cria mundos
O contacto humano não se limita ao olhar, ao toque ou ao som audível; ele se expande para um campo de interacções sutis onde consciência, energia e linguagem se entrelaçam. Nessa dimensão quântico-espiritual, a realidade é percebida como um continuum em que cada intenção, pensamento ou palavra gera efeitos tangíveis, mesmo quando não percebidos pêlos sentidos convencionais. A física moderna, ao estudar o entrelaçamento quântico, sugere que partículas separadas no espaço podem permanecer correlacionadas, conceito que ecoa antigas tradições espirituais e o entendimento de que a separação é apenas aparente. A teologia mística cristã expressa algo semelhante quando Jesus afirma: (Teu Pai, que vê em secreto, te recompensará) (Mateus 6:4), apontando para uma rede de causalidade invisível onde actos silenciosos de bondade reverberam em planos mais amplos.
Léopold Sédar Senghor descreve o mundo como uma força vital em vibração permanente, onde matéria e espírito se entrelaçam em movimento contínuo. Gilson Guilherme Miguel Ângelo, porém, adverte que dessa energia de interconexão podem emergir seitas ou religiões que co-criam eventos ou realidades imaginárias, sustentadas apenas pela participação coletiva. Para ele, o ser humano precisa relacionar-se para pertencer a essas construções; caso contrário, partilha apenas o espaço físico, mas não a mesma dimensão espiritual. Assim, vizinhos podem habitar a mesma cidade e viver em cosmos subjetivos radicalmente distintos. Na Ontologia GAESEMA, o COSMO é realidade personalizada, moldada pela consciência individual em diálogo com seu contexto social. Essa visão substitui o princípio “sou porque nós somos” por uma ética de escolha consciente, na qual cada contato define a qualidade da experiência cósmica e a energia que se manifesta em proteção, cura e criação de sentido.
A palavra, por sua vez, é a ponte concreta dessa rede invisível. Para Heidegger, (a linguagem é a casa do ser), e Platão já intuía o logos como princípio ordenador do cosmos. O Gênesis relata: (Haja luz — e houve luz), mostrando que falar é criar. Nas culturas africanas, a oralidade preserva a ancestralidade e fundamenta a memória colectiva, enquanto Provérbios 18:21 adverte que (a morte e a vida estão no poder da língua). Pesquisas em neurociência e psicoacústica demonstram que a vibração sonora afecta circuitos emocionais e corporais, validando a antiga noção de que o som molda realidades. Experimentos de Masaru Emoto, ainda que controversos, popularizaram a ideia de que palavras e intenções podem influenciar a estrutura da água, símbolo da própria vida.
Assim, falar, silenciar ou simplesmente emitir uma intenção não é acto neutro: é co-criação. Cada expressão verbal transporta frequências que ressoam no corpo, na mente colectiva e no tecido quântico-espiritual. O silêncio ético, quando carregado de presença, actua igualmente como energia criadora, pois toda vibração — inclusive a do não-som — participa da tessitura do cosmos. Compreender esta dimensão convida a uma prática comunicativa responsável, onde a palavra é cultivada como semente de transformação social e espiritual. Nesse horizonte, contacto quântico-espiritual e linguagem não são fenómenos separados, mas faces de um mesmo processo: a contínua geração de mundos em que a consciência, a ética e o verbo se unem para sustentar a vida e renovar a criação.
5. Dimensão Sonolenta–Astral ou Interior: o laboratório invisível da criação de realidades
Na perspectiva integrada da Filosofia GAESEMA, a chamada dimensão sonolenta-astral ou interior revela-se como um território onde corpo, mente e espírito interagem de forma profunda, ultrapassando os limites do tempo e do espaço. Durante o sono, quando a consciência sensorial repousa, a actividade neural não apenas se reorganiza, mas também abre portais para experiências oníricas, visões e deslocamentos que inúmeras tradições descrevem como viagens astrais. A neurociência confirma que, na fase REM, o cérebro processa memórias, emoções e símbolos, estabelecendo conexões que influenciam a vigília. Essa leitura científica dialoga com antigas intuições filosóficas: Plotino, no neoplatonismo, falava da ascensão da alma ao Uno; Paulo, em Efésios 3:16, menciona o (homem interior) que se renova no Espírito, indicando que o verdadeiro centro criativo do ser não se limita ao corpo físico.
Gilson Guilherme Miguel Ângelo, em sua reflexão GAESEMA, compreende o sono como (laboratório do infinito), onde a consciência se expande e projecta esboços de realidades futuras. Para ele, a imaginação não é mera fantasia, mas ferramenta de produção espiritual, pois cada pensamento nocturno vibra em campos quânticos que podem se materializar quando alinhados a princípios éticos. A Bíblia ecoa esse poder co-criador: O que ligardes na terra será ligado no céu (Mateus 18:18) e o que é invisível de Deus… se percebe claramente desde a criação do mundo, sendo entendido por meio das coisas criadas (Romanos 1:20), lembrando que o visível deriva do invisível. De modo ainda mais explícito, Hebreus 11:3 afirma: Péla fé entendemos que o universo foi formado péla palavra de Deus, de modo que o que se vê não foi feito do que é aparente. Assim, intenções, orações ou meditações realizadas no estado liminar do sono tornam-se sementes energéticas que, se nutridas de virtude, germinam no plano físico.
Filosofias africanas reforçam essa percepção de que o invisível precede o visível. A cosmovisão bantu reconhece o ntú — força vital que une matéria e espírito — e celebra o sonho como canal de diálogo com os ancestrais. Léopold Sédar Senghor descreve a realidade como vibração contínua, enquanto Carl Jung, péla psicologia analítica, vê nos sonhos arquétipos do inconsciente colectivo que orientam decisões e comportamentos. A Bíblia confirma essa primazia do espiritual: Péla fé entendemos que o universo foi formado péla palavra de Deus, de modo que o que se vê não foi feito do que é aparente (Hebreus 11:3); as coisas invisíveis de Deus… se percebem claramente desde a criação do mundo, sendo entendidas por meio das coisas criadas (Romanos 1:20); e o que ligardes na terra será ligado no céu (Mateus 18:18). Gilson Guilherme Miguel Ângelo amplia esse quadro ao afirmar que tais realidades fazem do ser humano um ente dimensional, capaz de coordenar, de modo individual ou colectivo, acções que procriam novas realidades. Para ele, pactos espirituais — a evocação de forças de luz ou de entidades — exigem manutenção: quem segue o Espírito Santo e pratica a ética sacrifica o egoísmo e se harmoniza com o curso natural do Cosmo, sustentando-se por oração, meditação e boas obras. Já quem opta por inveja e maldade sacrifica a própria bondade, entrando em rota alterada, onde a energia se alimenta de prejuízo alheio. Gilson Guilherme Miguel Ângelo vê aí a origem dos grandes conflitos que nascem no seio familiar e se reflectem na sociedade: famílias moldam o destino colectivo por suas escolhas ontológicas. Assim, ontologias que exigem sacrifícios destrutivos estagnam a prosperidade, enquanto as fundadas em bem e oração alinham-se ao fluxo cósmico, no qual a criatividade humana encontra infinitas oportunidades.
Nessa dimensão, a fé actua como alavanca criativa: acreditar, visualizar e sentir durante o estado sonolento de projecção astral — momento em que a consciência se desliga gradualmente do corpo físico para se conectar com planos sutis — reorganiza circuitos neuronais e energéticos. Contudo, a Filosofia GAESEMA adverte que não basta desejar; é preciso alinhar pensamento e acção com uma ética produtiva e comunitária. Sonhos ou vivências astrais sem compromisso moral podem perder força ou gerar desequilíbrios. A verdadeira criação interior requer disciplina mental, pureza de intenção e consciência de que cada imagem ou experiência projectada repercute na teia universal.
Dessa forma, a dimensão sonolenta-astral não é mero escape da realidade, mas espaço de co-criação responsável. Nela, ciência e espiritualidade convergem: a neurofisiologia explica mecanismos, enquanto tradições místicas e a filosofia africana revelam significados. O ser humano, como microcosmo, torna-se co-criador de mundos, demonstrando que o (homem interior) é, simultaneamente, arquitecto do próprio destino e colaborador da evolução cósmica. Compreender e cultivar esse laboratório invisível é, portanto, passo essencial para unir o saber académico e a sabedoria ancestral em prol de uma existência mais consciente e transformadora.
6. Dimensão Sonolenta–Relacional: a teia invisível que cria realidades e comunidades
Na Ontologia GAESEMA, a dimensão sonolenta-relacional integra duas experiências que se cruzam de modo profundo: o universo onírico, onde o corpo repousa e o espírito se projecta, e o campo comunitário, onde a vida se concretiza por meio dos vínculos humanos. Durante o sono, a consciência abandona os sentidos externos e se expande em planos sutis — fenómeno descrito por tradições antigas como sonhos lúcidos ou projecções astrais. Neurocientistas reconhecem que a fase REM reestrutura memórias e emoções, enquanto místicos de diferentes épocas afirmam que, nesse estado, o ser humano acessa realidades que transcendem o espaço-tempo. Platão, com seu mundo das Ideias, já indicava que o sensível nasce de um plano ideal; Teilhard de Chardin descreve a noosfera como rede de pensamento evolutivo; John Mbiti vê o sonho como ponte entre ancestrais e presente, afirmando a inseparabilidade entre visível e invisível. As Escrituras ecoam: O que ligardes na terra será ligado no céu (Mateus 18:18) e Deus chama à existência as coisas que não existem (Romanos 4:17), reforçando que a imaginação espiritual tem poder criativo real.
Mas o sonho não é apenas viagem solitária. Ele encontra sentido na rede de relações que molda a identidade humana. As culturas africanas, de Nkrumah a Placide Tempels, descrevem a pessoa como ser-em-relação, um nó de vínculos vitais. Gilson Guilherme Miguel Ângelo afirma que cada relação gera um globo de realizações, um campo espiritual que ultrapassa o físico e fortalece a comunidade. A comunhão cristã — onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, ali estou no meio deles (Mateus 18:20) — confirma que a presença colectiva desperta energias criativas maiores do que a soma das partes. Assim, os mundos construídos em sonhos só se tornam plenos quando encontram eco na convivência e na acção comunitária.
Do ponto de vista psicológico, Carl Jung sustenta que os sonhos revelam símbolos do inconsciente colectivo, arquétipos compartilhados que influenciam não apenas o indivíduo, mas também os grupos de que faz parte. A dimensão sonolenta, portanto, não é mero devaneio: é laboratório onde a psique individual dialoga com a memória colectiva e com forças espirituais que pedem realização concreta. A interdependência é central: os projectos vislumbrados na noite só frutificam quando alinhados às leis cósmicas do bem e da união, princípios éticos que garantem harmonia entre interior e exterior, entre intenção e acção.
Nesse sentido, a dimensão sonolenta-relacional é ponte entre criação invisível e transformação social. Ela ensina que a verdadeira construção de realidades nasce da combinação de contemplação interior e comunhão com o outro. Sonhar é semear; relacionar-se é cultivar. Ciência e espiritualidade, neurociência e filosofia africana, convergem para um mesmo ponto: a vida humana é co-autoria entre o que se imagina no silêncio da noite e o que se realiza no calor da comunidade. Compreender essa teia é reconhecer que o ser humano, como microcosmo, cria mundos não apenas para si, mas para o bem colectivo, tornando-se agente de uma evolução que é simultaneamente pessoal, social e cósmica.
7. Dimensão das Transferências Práticas Físicas–Quânticas–Espirituais: a economia energética do ser
Na Ontologia GAESEMA, esta dimensão revela que toda acção humana — do gesto mais sutil à decisão mais grandiosa — produz reverberações simultâneas nos planos físico, quântico e espiritual. Aristóteles, ao falar de enérgeia, já intuía que o acto pleno é a realização da potência, isto é, que a Acão é mais do que movimento: é actualização do ser. Quando uma pessoa ora, medita, perdoa ou vive em conformidade com princípios éticos, gera uma onda de coerência que percorre corpo, mente e cosmos. A neurociência confirma que práticas contemplativas reorganizam redes neurais e fortalecem o sistema imunológico; a física quântica sugere que estados de coerência podem afectar campos de partículas; a espiritualidade afirma que tais actos edificam uma aura de protecção, barreira sutil que impede interferências negativas.
Gilson Guilherme Miguel Ângelo denomina essa realidade de (blindagem cósmica): uma economia energética em que o bem praticado solidifica paredes invisíveis e o mal abre fissuras, para realizações comunitárias sentidas no homem individual ou colectivo ou seja, esta economia energética sobre vive de um grupo que precisa acreditar e se comprometer com ela, e alinhada a uma liderança paralela a vontade do Cosmo, reforça que cada acção individual tem impacto colectivo, criando ou desestabilizando equilíbrios comunitários. Nesse sentido, um simples gesto de perdão não é apenas moral; é arquitectónico: ergue estruturas vibracionais que sustentam a harmonia do todo.
Esse princípio encontra eco em tradições místicas e textos sagrados. Com a medida que medirdes vos medirão (Lucas 6:38) traduz a reciprocidade universal. A Cabala fala de tikun olam, a reparação do mundo por meio de actos de justiça. A teologia cristã da santificação sustenta que a prática do bem afasta forças desagregadoras. Até na física de campos de coerência, estudada por pesquisadores como Fritz-Albert Popp, observa-se que sistemas vivos emitem biofótons que se alinham quando há estados de harmonia, sugerindo uma linguagem energética partilhada entre o biológico e o cósmico.
Para a Ontologia GAESEMA, cada acto é um depósito em uma conta quântica-espiritual: o que se semeia retorna amplificado, positiva ou negativamente. Assim, ajudar um vizinho, escolher palavras que edificam, ou mesmo cultivar bons pensamentos, não é gesto irrelevante; é investimento no equilíbrio planetário. Por outro lado, acções reprováveis — mentira, violência, desrespeito — criam brechas que permitem a entrada de influências dissonantes, afectando tanto o indivíduo quanto a comunidade.
Essa dimensão, portanto, é ao mesmo tempo ética e científica, pessoal e cósmica. Ela ensina que a realidade não é apenas algo a ser observado, mas continuamente moldado por nossas práticas. A física quântica fala em entrelaçamento; as tradições espirituais em karma ou lei de retorno; Gilson integra ambos e afirma: a transformação do mundo começa pêlo acto presente. Cada escolha é semente que germina no invisível e frutifica no visível, lembrando-nos de que viver é participar de uma vasta economia de energia, onde o amor, a justiça e a responsabilidade são as moedas mais valiosas.
8. Dimensão da Mobilização e da Prova Concreta: a realização ontológica péla convivência
A oitava dimensão, na Ontologia GAESEMA, é a mais exigente, porque rompe a abstracção e exige que todo princípio espiritual, quântico ou moral se manifeste em fatos concretos. Diferente das outras dimensões, que podem operar em planos invisíveis ou sutis, esta reclama convivência real, proximidade humana e provas tangíveis. É aqui que se confirma a máxima bíblica: “A fé sem obras é morta” (Tiago 2:26). Não basta desejar, imaginar ou orar; é preciso agir, relacionar-se, provar no espaço físico a autenticidade das intenções.
Gilson Guilherme Miguel Ângelo descreve este ponto como a “dimensão da prova relacional”: toda energia, seja positiva ou negativa, precisa do corpo social para se validar. O mal, por exemplo, não se propaga sozinho; ele necessita mobilizar pessoas, convencer, “evangelizar” no sentido distorcido, até que suas intenções ganhem densidade péla prática concreta. Já o bem é expansivo e auto-suficiente, porque encontra sua força em valores cósmicos superiores, que se expressam em gestos simples — um abraço sincero, um acto de perdão, um serviço comunitário.
Na filosofia africana, Kwame Gyekye lembra que a moralidade é essencialmente comunitária: ninguém se realiza isoladamente. A dimensão da mobilização humana é, portanto, um campo de provas: exige que o ser humano se confronte com o outro, que o bem ou o mal se confirmem por meio da convivência. Emmanuel Lévinas já ensinava que o rosto do outro nos chama a uma responsabilidade infinita; a prova não está no discurso, mas na resposta concreta que damos a esse chamado.
Essa lógica de interdependência manifesta-se até em práticas espirituais como feitiços ou pactos. Imagine alguém que, por inveja ou rancor, tenta atingir outra pessoa por meio de um feitiço ou de um pacto. Para que esse acto tenha efeito, não basta o mero desejo: é preciso reunir provas vivas – objectos pessoais, laços afectivos, dívidas emocionais ou relacionais. Em outras palavras, a convivência social fornece a matéria-prima que alimenta a Acão espiritual.
Se a pessoa visada percebe que está sendo alvo de um feitiço ou pacto, a primeira medida eficaz é cortar todo contacto: eliminar qualquer tipo de relação que sirva de canal de renovação da influência. Ao fazer isso com decisão – sem deixar margens de proximidade – o feitiço ou pacto perde força, pois depende de matéria viva e de vínculo para se manter. Além disso, é necessário convencer as forças superiores por meio de uma mudança autêntica de comportamento: quem era maldoso precisa tornar-se bondoso, quem vivia no ressentimento deve buscar a paz. Essa transformação interior abre acesso a outras dimensões espirituais onde tais forças não conseguem agir. Assim, como observa o pensador angolano Gilson Guilherme Miguel Ângelo, a libertação não é apenas afastamento físico, mas também renovação ética e espiritual.
Do ponto de vista espiritual, essa dimensão mostra que ninguém pode ser influenciado sem abrir brechas práticas. Um ser humano de intenções malévolas, para mobilizar outros, precisa do contacto real; não basta desejar à distância. Isso revela que a protecção cósmica do bem é mais sólida, porque não exige artifícios: quem pratica a justiça, o amor e a ética já vive em um plano elevado, inacessível aos que permanecem no erro. Por isso, orar, meditar e praticar o amor ao próximo não são apenas virtudes interiores, mas escudos que sustentam barreiras reais contra forças desagregadoras.
Assim, a oitava dimensão é a dimensão da prova concreta: tudo o que é espiritual ou quântico precisa descer ao chão da existência para se tornar eficaz. É o ponto em que filosofia, ciência e teologia se encontram. A física quântica fala de colapso da função de onda: a potencialidade só se torna realidade quando medida, quando observada. Da mesma forma, as energias espirituais só se confirmam quando encarnadas em obras. Para a Ontologia GAESEMA, esta dimensão é síntese de todas as anteriores: o olhar, o toque, a palavra, o sonho, a comunidade e a transferência energética convergem aqui, exigindo prova, Acão e testemunho.
Em resumo, esta é a dimensão em que o humano revela o que verdadeiramente é. Se no invisível ele pode projectar intenções, no visível ele precisa prová-las. O bem, quando encarnado em práticas de amor, solidariedade e justiça, cria realidades físicas mais elevadas, inacessíveis aos que permanecem no erro. Já o mal, limitado, precisa sempre de corpos, actos e comunidades para se manter. Assim, a oitava dimensão ensina que a convivência é o tribunal do espírito: cada gesto, cada relação, cada fato é prova viva daquilo que o ser humano escolhe ser diante do cosmos.
Síntese–Conclusão Integrada
A Ontologia GAESEMA propõe que o contacto humano é portal para a plenitude em todas as suas expressões: física, sensorial, comunitária e quântico-espiritual. Cada encontro — olhar, toque, palavra ou simples presença — funciona como semente de eternidade, pois activa processos que transcendem a percepção imediata e inscrevem-se numa ordem cósmica maior. Ao articular as oito dimensões, Gilson Guilherme Miguel Ângelo oferece uma visão na qual corpo, mente e espírito se integram num movimento contínuo de co-criação do universo. Essa perspectiva encontra ressonância na filosofia clássica de Platão, que via o Bem como forma suprema a orientar a ascensão da alma; no pensamento evolutivo de Teilhard de Chardin, que compreendia a humanidade como parte de um processo cósmico rumo ao Ponto Ômega; e em filósofos africanos como Kwame Nkrumah e Kwame Gyekye, que ressaltam a interdependência comunitária como essência da moralidade.
Para a academia, este modelo é um convite à transdisciplinaridade: aproxima a fenomenologia da consciência de Edmund Husserl, a física de campos quânticos, a teologia mística e as ciências sociais africanas. Tal abordagem desafia paradigmas materialistas e propõe um humanismo quântico-espiritual, em que a realidade não se reduz à matéria mensurável, mas se revela como teia de relações e energias. A mobilização relacional — a prova concreta — demonstra que a fé sem obras é estéril, ecoando Tiago 2:26 e reforçando a necessidade de prática ética, oração e amor ao próximo para que a influência do bem se expanda de modo auto-suficiente.
Assim, reconhecer e cultivar cada dimensão do contacto torna-se caminho de evolução pessoal e social: amplia a consciência, fortalece a saúde integral e estabelece uma ética global baseada na alegria, no bem e na união. Honrar o olhar, o toque e a palavra é reconhecer que a realidade é maior que o visível e que o verdadeiro progresso consiste em harmonizar-se com as leis cósmicas de interdependência. A Ontologia GAESEMA, ao integrar saberes filosóficos africanos e ocidentais, oferece uma estrutura robusta para pesquisas futuras em consciência, espiritualidade e construção de sociedades mais justas e integradas ao cosmos.
Referências Bibliográficas
- Aristóteles. Metafísica. Tradução de diversas edições. São Paulo: Martins Fontes, 2002.
- Bohm, David. Wholeness and the Implicate Order. London: Routledge, 1980.
- Chardin, Pierre Teilhard de. O Fenômeno Humano. Rio de Janeiro: Vozes, 2003.
- Emoto, Masaru. The Hidden Messages in Water. New York: Atria Books, 2004.
- Gallese, Vittorio. Embodied Simulation: From Neurons to Phenomenology. Journal of Consciousness Studies, 2011.
- Gyekye, Kwame. An Essay on African Philosophical Thought: The Akan Conceptual Scheme. Philadelphia: Temple University Press, 1995.
- Heidegger, Martin. Being and Time (Sein und Zeit). New York: Harper & Row, 1962.
- Husserl, Edmund. Ideas: General Introduction to Pure Phenomenology. London: Routledge & Kegan Paul, 1931.
- Mbiti, John S. African Religions and Philosophy. London: Heinemann, 1969.
- Nkrumah, Kwame. Consciencism: Philosophy and Ideology for Decolonization. London: Panaf, 1970.
- Plato. Fedro. Tradução e comentários em várias edições. São Paulo: Martins Fontes, 2005.
- Plato. Timeu. Tradução de E. Hamilton. São Paulo: Editora Abril, 1989.
- Senghor, Léopold Sédar. Anthologie de la Nouvelle Poésie Nègre et Malgache. Paris: Présence Africaine, 1948.
- Teilhard de Chardin, Pierre. Le Phénomène Humain. Paris: Éditions du Seuil, 1955.
- Bíblia Sagrada. Mateus 6:22; 6:4; 18:18; 18:20; Lucas 6:45; Romanos 4:17; Hebreus 11:3; Tiago 2:26. Tradução de Almeida Revista e Atualizada, 1995.
- Plotino. Enéadas. Tradução de Thomas Taylor. São Paulo: Martins Fontes, 1994.
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