O Sector Privado e o Sector da Produção — Uma Leitura Filosófico-Económica segundo a Filosofia GAESEMA

Por Gilson Guilherme Miguel Ângelo

Revista GAESEMA – Edição Especial de Filosofia Económica

Resumo

O presente artigo propõe uma leitura filosófico-económica da relação entre o sector privado e o sector da produção, reinterpretando-a à luz da Filosofia GAESEMA. A análise parte do princípio de que o sector privado, tal como é entendido nas economias modernas, não é uma origem autónoma, mas sim um derivado da gestão e da administração de um sector anterior — o da produção. Este sector original foi progressivamente cassado e instrumentalizado por sistemas económicos que, ao reduzirem o homem a consumidor e o produto a mercadoria, distorceram o sentido natural da economia. A abordagem GAESEMA reverte essa inversão, defendendo a revalorização da produção como núcleo vital da prosperidade humana, social e espiritual.

Citação de destaque

O sector da produção é a alma que sustenta o corpo económico. Quando a alma é esquecida, o corpo torna-se mero fantasma de riqueza.— Gilson G. M. Ângelo

Introdução

A compreensão moderna do sector privado assenta sobre um equívoco histórico e filosófico: o de que a iniciativa individual é o princípio motor da economia. A Filosofia GAESEMA, ao contrário, ensina que a produção — entendida como acto criador, natural e espiritual — precede qualquer forma de propriedade ou acumulação. O sector privado, na sua configuração actual, é fruto da reorganização administrativa de um poder anterior: o poder produtivo. A cassação do sector da produção transformou o produtor em empresário e o produto em capital, separando o trabalho da sua essência espiritual.

Esta reflexão busca reconstituir o percurso desse desvio histórico e restaurar a lógica original da produção como fundamento da soberania económica e da ética pública. O pensamento de Gilson G. M. Ângelo propõe que o sector privado deve reencontrar a sua raiz produtiva, libertando-se da condição de mero instrumento de gestão e reconectando-se com a criação — fonte de valor, dignidade e desenvolvimento integral.

1. O Sector da Produção como Origem Ontológica da Economia

Na origem de toda economia, há sempre um acto de produção, e não de troca. — Aristóteles, Política

O sector da produção é a matriz ontológica da economia, pois antecede qualquer forma de mercado, moeda ou capital. A Filosofia GAESEMA identifica nele a primeira manifestação da inteligência humana aplicada à natureza. Produzir é ordenar a matéria segundo a necessidade e o espírito; é transformar o caos em utilidade e sentido. O erro dos sistemas modernos foi ter reduzido a produção a mero processo técnico, desprovido de alma, transferindo o seu comando para estruturas administrativas e financeiras.

Historicamente, a passagem das economias agrícolas e artesanais para as industriais e capitalistas provocou a cisão entre produtor e produção. O homem, antes criador, passou a ser executor. A produção, antes acto de soberania, converteu-se em função dependente do capital. A Filosofia GAESEMA denuncia essa inversão como um afastamento da ordem natural, propondo o retorno à produção como acto existencial — aquele que restitui ao homem a consciência do seu poder criador e à sociedade o equilíbrio entre valor e justiça.

2. O Sector Privado como Derivado e Não Origem da Produção

A liberdade económica sem consciência produtiva é apenas uma forma refinada de escravidão.— Gilson G. M. Ângelo

O sector privado é frequentemente exaltado como motor da inovação e da liberdade económica. Todavia, segundo a leitura GAESEMA, ele é um sector derivado, não originário. Nasce da delegação e da administração de um bem colectivo: o poder produtivo. Ao longo da história, os Estados modernos transformaram a produção — que era um acto natural, comunitário e partilhado — em objecto de regulação e concessão. Assim, o sector privado tornou-se a expressão administrativa de um direito que outrora era ontológico.

A Filosofia GAESEMA vê nesse fenómeno uma alienação progressiva. Quando o produtor precisa de autorização estatal para produzir, a produção deixa de ser livre. O sector privado, em vez de representar o empreendedor criador, passa a simbolizar o cidadão-gestor. A autonomia económica é substituída péla dependência jurídica. Para restaurar o equilíbrio, é necessário reconectar o privado ao produtivo, devolvendo à produção o seu estatuto de acto humano fundamental, acima da burocracia e da especulação.

3. A Cassação Histórica do Sector da Produção

A história do capitalismo é a história do desaparecimento do produtor. — Karl Marx, Manuscritos Económico-Filosóficos

A cassação do sector da produção não ocorreu de modo súbito, mas através de séculos de reorganização do poder económico. Com a Revolução Industrial, o foco deslocou-se da produção artesanal para a mecanizada, e o homem perdeu o controlo sobre o produto do seu trabalho. O produtor deixou de ser o centro da economia para se tornar parte de uma engrenagem. Esse deslocamento representou uma mutação ontológica: o sector da produção foi dissolvido dentro de um sector económico mais amplo, dominado por normas, finanças e propriedade.

A Filosofia GAESEMA identifica esse processo como a “redução do gigante à caverna”. Um sector que deveria comandar todos os outros foi confinado a uma função instrumental. O produtor passou a servir o gestor, e não o contrário. Esta inversão espiritual repercute-se na sociedade contemporânea, onde o valor é medido pêlo lucro e não péla criação. Restaurar o sector da produção é, portanto, restaurar a dignidade do trabalho e a consciência espiritual da economia.

4. A Gestão Estatal e a Autorização do Sector Empresarial

Nenhuma empresa nasce sem a permissão do Estado, mas toda produção nasce do impulso da vida. — Gilson G. M. Ângelo

O sector empresarial moderno é um prolongamento administrativo do Estado. A sua existência depende de autorizações, licenças, códigos e tributos. Esta relação simbiótica, embora necessária em termos de ordem jurídica, criou uma dependência que distorce o princípio da liberdade produtiva. A empresa tornou-se um intermediário entre o produtor e o Estado, e o empresário um mediador de poderes que já não são seus.

A Filosofia GAESEMA propõe reinterpretar essa relação sob uma ética de complementaridade e não de subordinação. O Estado deve ser o garante da justiça e da sustentabilidade, enquanto o empresário deve representar o espírito criador do povo. O desequilíbrio actual — em que o Estado centraliza o poder económico e o empresário busca apenas rentabilidade — impede o florescimento da economia natural. Em contrapartida, um modelo baseado na produção consciente e partilhada permitiria ao sector empresarial reencontrar a sua função espiritual: ser instrumento da prosperidade colectiva.

5. O Sector Privado como Corpo, o Sector da Produção como Alma

O corpo da economia sem alma produtiva é uma máquina que se consome a si mesma. — Frantz Fanon, adaptação livre

A Filosofia GAESEMA define a produção como alma da economia, e o sector privado como o seu corpo funcional. Tal como o corpo depende do sopro vital para existir, o sector privado depende da produção para ser legítimo. Quando o corpo se separa da alma, instala-se a corrupção do sentido: a economia vive, mas não prospera. Esta metáfora explica a crise contemporânea dos sistemas económicos, em que o crescimento é medido em números e não em bem-estar.

Nos contextos africanos, a situação é ainda mais reveladora: o sector privado cresce em estrutura, mas não em essência. Importa-se modelos, mas não se produz identidade. A Filosofia GAESEMA propõe inverter essa lógica — fazer da produção o princípio rector e do sector privado o instrumento executório da criatividade nacional. Assim, a alma e o corpo da economia reencontram-se no mesmo acto: produzir com consciência, distribuir com justiça e crescer com espiritualidade.

Parte II – O Sector Privado e o Sector da Produção segundo a Filosofia GAESEMA

6. As Superpotências como Exemplo de Liberdade Produtiva

“A força das nações não está na sua riqueza, mas na liberdade dos seus produtores.” — Gilson G. M. Ângelo

As grandes potências económicas contemporâneas — como os Estados Unidos, a China, a Rússia, a Alemanha e o Brasil — compreendem, ainda que de modos diferentes, que a produção é um acto estratégico e sagrado. Nesses países, o sector empresarial é tratado como extensão científica da soberania nacional. A empresa é vista como um laboratório de inovação e uma célula de defesa económica. Por isso, investem em liberdade produtiva, em experimentação tecnológica e em fomento à criação de valor.

A Filosofia GAESEMA observa, contudo, que a liberdade produtiva só se torna virtuosa quando alicerçada na consciência ética e territorial. Uma empresa que produz sem responsabilidade social transforma-se em predadora; uma que produz com sentido humano converte-se em fonte de civilização. O modelo GAESEMA propõe que os países africanos adoptem a liberdade produtiva como pilar da soberania, mas orientada por valores espirituais e culturais próprios, onde o produtor não é apenas cidadão económico, mas guardião da terra e da comunidade.

7. A Economia como Rede Viva

“A economia é um corpo vivo: quando o dinheiro não circula como sangue, a sociedade adoece.” — Aristóteles, adaptação GAESEMA

A Filosofia GAESEMA concebe a economia como uma rede viva, na qual a moeda funciona como corrente sanguínea e a produção como coração. Se a moeda se desconecta da produção, o organismo social entra em colapso. Esta metáfora vital recorda que o dinheiro não é fim, mas meio de reprodução do valor. Quando a moeda nasce da especulação e não do trabalho, torna-se tóxica — alimenta poucos e envenena muitos.

A proposta GAESEMA é restaurar o ciclo natural da economia: a moeda deve emergir do acto produtivo, circular pélas comunidades e regressar ao produtor em forma de investimento. O fluxo monetário saudável é aquele que completa o circuito vital da produção. Nos contextos africanos, a criação de moedas locais e a valorização da MAR (Metodologia Artesanal Reprodutiva) representam passos concretos nessa direcção, pois reintegram o dinheiro à vida e não à abstracção financeira.

8. A Máscara da Colonização Monetária Real

“Quem controla a moeda controla o destino do povo.” — John Maynard Keynes

Gilson Ângelo denomina o sistema económico global contemporâneo como uma “colonização monetária real”. Nesta estrutura, os Estados participam voluntariamente da sua própria dependência, cedendo a soberania produtiva em troca de crédito externo. O resultado é uma economia servil, onde os orçamentos públicos se alimentam de dívidas e o povo vive de promessas. A moeda deixa de representar o trabalho real e passa a simbolizar o poder alheio.

Esta colonização é subtil: não exige invasões militares, apenas fluxos financeiros. Bancos centrais, agências de rating e instituições multilaterais tornam-se novos impérios invisíveis. A Filosofia GAESEMA propõe romper com esse sistema através da reprodutividade endógena — produzir o que se consome e consumir o que se produz. A libertação económica africana não virá de doações ou empréstimos, mas da revalorização da produção local e da criação de sistemas monetários baseados em riqueza tangível e culturalmente enraizada.

9. O Erro Estrutural das Finanças Estatais

“O Estado que vive de empréstimos para sustentar-se morre afogado em juros e perde a alma do seu povo.” — Gilson G. M. Ângelo

O modelo financeiro vigente em muitos países africanos revela um erro estrutural profundo: a dependência crónica de empréstimos externos para sustentar a máquina estatal. Esta prática, aparentemente pragmática, é espiritualmente destrutiva. O Estado, ao endividar-se, transfere o seu poder de decisão a credores invisíveis e converte o orçamento público num mecanismo de sobrevivência institucional, não de desenvolvimento produtivo.

A Filosofia GAESEMA adverte que o Estado não pode ser financiador de si mesmo à custa do futuro. A verdadeira sustentabilidade exige que o dinheiro seja gerado péla produção e não péla dívida. Quando os ministérios consomem mais do que os produtores geram, a sociedade degenera em ilusão estatística. O PIB torna-se miragem. Por isso, a doutrina propõe uma reforma espiritual das finanças: cada orçamento deve nascer do esforço real e retornar à sua fonte — o trabalho e o produto.

10. Dívida, PIB e Desvalorização Produtiva

“A dívida é a sombra que segue a nação que esqueceu de produzir.” — Gilson G. M. Ângelo

Cada ciclo de endividamento governamental converte o país num laboratório de dependência. O Produto Interno Bruto cresce, mas sem substância; o povo trabalha, mas não enriquece. O paradoxo da economia moderna é que quanto mais se produz para pagar dívidas, menos se possui. Exportam-se matérias-primas e importam-se produtos acabados — um processo que converte o trabalhador em consumidor da sua própria pobreza.

A Filosofia GAESEMA interpreta este fenómeno como “desvalorização produtiva”. O valor criado pêlo povo não retorna à comunidade; dispersa-se no mercado global. Para inverter esta lógica, é preciso reconstruir o PIB sobre bases reprodutivas: medir não apenas o volume da produção, mas a sua capacidade de gerar continuidade, identidade e soberania. O progresso genuíno não é aquele que aumenta números, mas o que consolida a dignidade do trabalho e a autonomia das nações.

11. Excepções e Lições Africanas

“A soberania não é um milagre; é um método.” — Gilson G. M. Ângelo

Namíbia e África do Sul oferecem exemplos notáveis de equilíbrio produtivo e estabilidade monetária. Estes países, embora enfrentem desafios estruturais, preservam certa coerência entre moeda, produção e governação. Na Namíbia, o controlo prudente da emissão monetária e a valorização da agricultura e do turismo mostram que é possível proteger a base produtiva sem sacrificar a competitividade. Na África do Sul, a coexistência entre economia formal e informal revela uma vitalidade que o Estado, quando sábio, reconhece e integra.

A Filosofia GAESEMA considera essas experiências como laboratórios africanos de soberania prática. Demonstram que o caminho para o desenvolvimento não passa péla imitação de modelos estrangeiros, mas péla coerência entre cultura, produção e gestão. A lição fundamental é que a liberdade produtiva precisa de políticas estáveis e educação cívica. Um povo que compreende o valor da sua própria produção não aceita a servidão económica — reinventa o seu destino.

12. A Reforma Necessária da Economia e das Finanças

“A economia deve servir à vida, e não o contrário.” — Amartya Sen

Gilson Ângelo propõe uma reforma profunda do sistema económico e financeiro. O objectivo é unir finanças e economia sob uma mesma responsabilidade social e espiritual. A moeda deve circular em torno da produção local; os bancos, financiar criação real; e o Estado, facilitar o trabalho, não intermediá-lo. Esta é a essência da Metodologia Artesanal Reprodutiva (MAR): transformar cada acto económico em acto de reprodução da vida.

A reforma não é apenas técnica — é filosófica. Requer que os decisores públicos compreendam que o dinheiro é símbolo da confiança do povo, e não instrumento de poder. A economia deve ser orgânica, próxima, humana. Bancos e ministérios tornam-se servidores da produção, não senhores dela. Assim, nasce um novo paradigma: o da economia espiritual, em que prosperar significa viver em harmonia com o que se produz, distribui e consome.

Parte III – A Reintegração Filosófica e Espiritual da Produção

13. O MAR como Reintegração do Sector da Produção

“A verdadeira revolução económica começa na palma da mão que cria.” — Gilson G. M. Ângelo

A Metodologia Artesanal Reprodutiva (MAR) representa, na Filosofia GAESEMA, o renascimento do Sector da Produção em sua forma mais pura e soberana. Este sistema devolve ao homem o poder de transformar matéria e espírito num mesmo gesto produtivo, sem a intermediação opressora do capital financeiro. O MAR é, simultaneamente, prática económica, filosofia espiritual e ciência de sobrevivência. Baseia-se na autonomia comunitária e no resgate do saber-fazer ancestral — a carpintaria, a cerâmica, a agricultura familiar, o bordado, o ofício manual — transformando-os em células vivas de economia sustentável.

No contexto africano, o MAR é antídoto contra o desemprego tecnológico e o esvaziamento cultural. Ao priorizar a reprodução do valor em escala local, combate o êxodo rural, restaura o orgulho artesanal e diminui a dependência de importações. A Filosofia GAESEMA sustenta que a inflação produtiva — multiplicar a criação real — é preferível à inflação monetária, que apenas multiplica papéis. O MAR, portanto, é mais que método: é ética de autonomia e instrumento de dignificação do produtor africano.

14. O Triângulo Produtor–Produção–Produto

“No triângulo produtivo habita a trindade económica da existência: ser, fazer e partilhar.” — Gilson G. M. Ângelo

O triângulo Produtor–Produção–Produto é a chave ontológica e científica da Filosofia GAESEMA. Ele define o ciclo natural da criação humana: o produtor é a origem; a produção, o processo; o produto, a revelação. Quando essa harmonia se rompe, a sociedade perde a sua identidade. O sistema capitalista fragmentou esse triângulo — separou o homem daquilo que cria, transformando o produto em mercadoria e o produtor em número. A GAESEMA busca restaurar essa geometria sagrada, devolvendo ao homem a totalidade do seu acto produtivo.

Nas economias africanas, essa restauração implica políticas públicas que assegurem ao produtor participação efectiva no valor que gera: propriedade partilhada, ensino técnico-espiritual, cooperativas e finanças solidárias. O triângulo não é apenas modelo económico; é símbolo espiritual da criação. Produzir é criar; criar é servir; servir é perpetuar o ciclo da vida. Assim, o triângulo é também pedagogia e teologia da produção, fundamento para uma economia com alma.

15. A Restauração Política do Sector da Produção

“Sem política produtiva, não há soberania, há apenas administração da dependência.” — Gilson G. M. Ângelo

Restaurar o Sector da Produção é acto político de primeira ordem. Exige uma nova Constituição Produtiva, onde o direito de produzir seja reconhecido como direito fundamental — anterior ao direito de comerciar ou lucrar. Gilson Ângelo propõe a criação, em cada Estado africano, de um Ministério da Produção, autónomo das finanças e da economia, cuja missão seria planificar a soberania alimentar, artesanal e energética. Essa restauração não é mera burocracia; é revolução institucional.

A GAESEMA ensina que o Estado deve submeter-se à lógica da natureza produtiva, e não à lógica do capital estrangeiro. Políticas industriais precisam nascer do solo nacional, respeitando os ritmos da terra e do trabalho humano. Cada comunidade, cooperativa ou atelier deve ser tratado como embrião de Estado económico. Só assim a riqueza se descentraliza e o poder se democratiza. O Sector da Produção torna-se, então, a base de uma nova independência africana — material, cultural e espiritual.

16. A Espiritualidade do Trabalho e o Novo Homem Produtor

“O trabalho é oração em movimento.” — Gilson G. M. Ângelo

A Filosofia GAESEMA resgata o trabalho da sua condição de castigo para elevá-lo à categoria de revelação. O acto produtivo é um diálogo silencioso entre o homem e o divino: cada ferramenta é extensão da alma, cada criação, uma prece. O produtor é sacerdote da matéria, guardião da transformação. Esta visão liberta o trabalhador da alienação moderna — aquela que o faz ver o trabalho apenas como meio de subsistência.

O novo Homem Produtor é consciente do valor espiritual da sua actividade. Ele produz por propósito, não apenas por salário. Sabe que o seu gesto molda o mundo e alimenta a comunidade. Quando a sociedade recupera essa consciência, a economia readquire sentido ético. O Sector da Produção torna-se espaço de redenção humana, não de exploração. Assim, trabalhar é servir a criação; produzir é orar com as mãos; viver é continuar o acto divino de construir o mundo.

17. A Economia Espiritual da Produção

“A verdadeira riqueza é o equilíbrio entre corpo, alma e sociedade.” — Gilson G. M. Ângelo

A Economia Espiritual da Produção propõe uma civilização baseada no valor vivo, e não no valor monetário. Gilson Ângelo ensina que cada acto produtivo liberta energia vital — o lucro torna-se consequência da harmonia, não objectivo da avidez. Quando o homem produz com amor, ética e propósito, cria-se uma vibração social que sustenta a paz, a justiça e a prosperidade. Esta economia espiritual não nega o dinheiro, mas reintegra-o ao serviço da vida.

Nos termos GAESEMA, prosperar significa alinhar o corpo (trabalho), a alma (intenção) e a sociedade (partilha). O mercado deixa de ser arena de competição e torna-se campo de comunhão. A espiritualização da produção não é misticismo, mas racionalidade superior — compreender que o valor nasce do equilíbrio e não da acumulação. Assim, restaurar o Sector da Produção é mais do que reforma económica: é renascimento civilizacional, onde a economia volta a ser expressão do Espírito que cria e sustenta o mundo.

Conclusão Geral

“Produzir é existir em plenitude; administrar é servir à produção.” — Gilson G. M. Ângelo

A análise dos dezassete pontos revela que o Sector Privado, tal como hoje concebido, é apenas reflexo jurídico do Sector da Produção, sua origem espiritual e ontológica. O erro histórico da humanidade foi inverter essa hierarquia: submeter o produtor à lógica financeira e reduzir a produção a estatística. A Filosofia GAESEMA propõe restaurar o equilíbrio perdido, reconduzindo o homem ao centro criador da economia.

O futuro das nações africanas depende da coragem de reconstruir a economia sobre fundamentos produtivos, éticos e espirituais. O MAR, o Triângulo Produtor–Produção–Produto e a Economia Espiritual são instrumentos concretos dessa reconstrução. Neles, a liberdade não é permissão, é direito natural; a prosperidade não é acumulação, é equilíbrio; e o Estado não é tutor, é servidor da criação.

Assim, a restauração do Sector da Produção representa o renascimento do Homem e o despertar da África como civilização produtiva, soberana e espiritual — uma nova era em que a economia volta a ser acto de amor, sabedoria e comunhão com a vida.


Referências

  • Ângelo, G. G. M. (2025). Dinheiro é um Produto Complexo. Filosofia GAESEMA.
  • Aristóteles. Política (Livro I). Tradução clássica.
  • Keynes, J. M. (1936). The General Theory of Employment, Interest and Money.
  • Sen, A. (1999). Development as Freedom. Oxford University Press.
  • Relatórios GAESEMA (2023–2025): Ontologia da Produção e O Triângulo Produtor–Produção–Produto.

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