Autor: Gilson Guilherme Miguel Ângelo
Filósofo e Fundador da Filosofia GAESEMA
Presidente do GAESEMA Investments Group (PTY) Lda

Uma proposta de alfabetização existencial e reforma produtiva para o ensino secundário africano
Resumo
O presente artigo apresenta os fundamentos científicos, filosóficos e pedagógicos do livro O A, E, I, O, U da Produção, primeiro volume da colecção Filosofia GAESEMA. A obra propõe uma nova alfabetização existencial baseada na produção como fenómeno integral — espiritual, técnico, cultural e ético. Partindo de uma leitura ontológica do acto produtivo, a Filosofia GAESEMA redefine o conceito de trabalho e cria a Ciência da Produção, uma ciência humanista voltada à autonomia, soberania e dignidade do ser humano enquanto produtor. Cada capítulo do livro corresponde a um estágio do ciclo produtivo universal (A, E, I, O, U), formando uma gramática da criação humana. Este artigo analisa os quatorze capítulos como eixos de uma epistemologia africana aplicada à educação e ao desenvolvimento.
Palavras-chave: Produção; Filosofia GAESEMA; Ontologia; Educação Africana; Ciência da Produção; Desenvolvimento Integral.
Abstract
This article presents the scientific, philosophical and pedagogical foundations of the book The A, E, I, O, U of Production, the first volume of the GAESEMA Philosophy collection. The work proposes a new existential literacy based on production as an integral phenomenon — spiritual, technical, cultural and ethical. From an ontological interpretation of the productive act, the GAESEMA Philosophy redefines the concept of work and creates the Science of Production, a humanistic science oriented toward autonomy, sovereignty, and human dignity. Each chapter of the book corresponds to a stage of the universal productive cycle (A, E, I, O, U), forming a grammar of human creation. This article analyses the fourteen chapters as axes of an African epistemology applied to education and development.
Keywords: Production; GAESEMA Philosophy; Ontology; African Education; Science of Production; Integral Development.
1. Introdução: A Ciência da Produção e a Reforma Ontológica do Ser Produtivo
A Filosofia GAESEMA — Guia de Acção das Estruturas Sociais do Estado em Modelos Aperfeiçoados — nasce como uma resposta teórica e prática aos limites das economias tradicionais e dos modelos de desenvolvimento herdados de paradigmas coloniais. Gilson Guilherme Miguel Ângelo propõe, através do livro O A, E, I, O, U da Produção, uma alfabetização produtiva que reintegra o ser humano ao seu acto de criar. Produzir é, nesta visão, uma forma de existir com consciência e propósito. A produção não é reduzida a uma operação económica, mas reconhecida como o verbo original da vida, anterior à moeda, à indústria e à economia política. O livro estrutura-se em cinco vogais que representam os sons primordiais da criação: A (Ideia), E (Escolha), I (Iniciativa), O (Obra), U (Utilidade). Cada uma constitui um movimento do espírito humano em direcção à realização concreta.
Os quatorze capítulos do livro consolidam essa gramática espiritual da produção, tornando-se um manual ontológico para o ensino, a gestão e a cidadania produtiva. A seguir, cada capítulo é abordado como um ponto científico da nova Ciência da Produção.
2. Capítulo I – A Ideia: A Centelha Criadora do Espírito Produtor
A produção começa no invisível — no pensamento que antecede a forma. A Ideia é a semente espiritual da criação, a vibração silenciosa onde o humano dialoga com o possível. Antes da técnica e do capital, há o impulso criador, força interior que converte necessidade em visão. A Filosofia GAESEMA afirma que o produtor é, antes de tudo, um espírito em concepção, gestando o invisível. Este primeiro princípio ensina que toda transformação começa péla consciência. Assim, a educação deve formar pensadores criadores, capazes de imaginar antes de agir. A Ideia inaugura o ciclo da liberdade, pois quem imagina é já senhor do seu destino.
3. Capítulo II – A Escolha: A Decisão que Dá Direcção
A Escolha representa o nascimento da vontade consciente. É o momento em que o produtor deixa o sonho e entra na ética da decisão. Escolher é definir o propósito, e o propósito dá forma à realidade. O “E” é o som da consciência — o eco do discernimento que separa o útil do supérfluo. Produzir, nesse estágio, é um acto moral. Escolher o que produzir é escolher o que oferecer à sociedade. Assim, a alfabetização produtiva forma cidadãos éticos, que sabem decidir com amor, equidade e responsabilidade social. A verdadeira soberania começa quando um povo escolhe o que quer produzir.
4. Capítulo III – A Iniciativa: O Toque do Espírito na Matéria
A Iniciativa é o salto entre o pensar e o fazer. Representa o primeiro gesto tangível do espírito criador. O “I” é o som agudo da acção, símbolo da coragem de começar. Na Ciência da Produção, a iniciativa é o início da independência produtiva, quando comunidades e indivíduos decidem agir com o que têm. A produção africana renasce neste ponto: quando o informal se torna criativo, o improviso vira invenção e o pequeno acto adquire valor civilizacional. Educar para a iniciativa é educar para a autoconfiança, para o empreendedorismo ético e para a dignidade do fazer.
5. Capítulo IV – O Objecto / Obra: A Manifestação Visível do Invisível
O Objecto é o corpo da vontade, o testemunho material do espírito humano. A Filosofia GAESEMA considera a Obra como o registo visível da alma. Cada produto carrega o tempo, a cultura e a energia do seu criador. O “O” é o som pleno da forma, o vaso que contém o espírito. Produzir uma obra é mais do que fabricar — é consagrar a matéria. Este ponto propõe uma pedagogia estética da produção: ensinar a ver em cada objecto uma expressão de humanidade. O objecto é comunicação, memória e valor cultural. Ao educar o olhar produtivo, educa-se o respeito péla identidade e péla criação colectiva.
6. Capítulo V – O Uso e a Utilidade: A Consagração do Trabalho
A produção cumpre seu destino no Uso e na Utilidade. O “U” é o som profundo da realização — quando o objecto encontra seu sentido na vida humana. A utilidade é o critério ético da produção, porque o que não serve ao bem comum não é digno de existir. A Filosofia GAESEMA propõe a educação para o uso consciente: compreender o impacto de cada produto e promover a justiça do acesso. A utilidade deve gerar bem-estar e comunhão, não destruição ou vaidade. Produzir, aqui, é servir; usar, é honrar o trabalho humano. A utilidade é o elo entre o produtor e a sociedade.
7. Capítulo VI – O Ciclo Natural da Produção
Produzir é prolongar a natureza péla consciência. O Ciclo Natural da Produção descreve sete fases interligadas: Natureza, Intenção, Acção, Produto, Permuta, Satisfação e Reciclagem. Este modelo espiralado ensina que tudo se transforma — nada se perde, tudo se reinveste. É uma ecologia filosófica do fazer. A natureza é a primeira fábrica e a mestra silenciosa. O produtor consciente aprende com seus ciclos, recicla recursos e saberes. O ciclo natural é a chave da sustentabilidade integral e o antídoto contra a lógica linear do consumo. Educar neste princípio é ensinar a viver em harmonia com o planeta.
8. Capítulo VII – Classificação dos Produtos Humanos
A produção humana reflecte as funções vitais da existência. GAESEMA propõe uma classificação que transcende os sectores económicos e organiza os produtos segundo suas dimensões ontológicas: Alimento, Habitação, Vestuário, Saúde, Conhecimento, Espiritualidade, Relacionamento, Tecnologia e Permuta. Cada produto responde a uma necessidade da alma e do corpo. Esta taxonomia produtiva é, ao mesmo tempo, científica e cultural, permitindo compreender o desenvolvimento como equilíbrio entre o material e o espiritual. Ensinar esta classificação é formar gestores e cidadãos capazes de ver o produto como prolongamento da vida.
9. Capítulo VIII – A Produção e a Cultura
Toda produção é uma forma de cultura, e toda cultura é uma forma de produção. Neste ponto, a Filosofia GAESEMA afirma que criar é preservar memória. A cultura é o campo onde a produção ganha alma e identidade. O acto de produzir deve, portanto, proteger as tradições locais e ampliar o repertório simbólico dos povos. A educação produtiva deve unir a técnica à ancestralidade. Uma nação que valoriza sua produção cultural torna-se soberana em sua linguagem, em sua arte e em sua economia. A cultura é o rosto visível do espírito produtivo.
10. Capítulo IX – Produção e Educação
Educar é produzir consciências. A Filosofia GAESEMA propõe que a escola se torne oficina de vida, onde o aprender e o produzir se unam. O acto educativo é também um acto de produção — de saberes, valores e comunidades. A alfabetização produtiva substitui a memorização péla criação. Cada aluno é produtor do seu próprio conhecimento. O professor, por sua vez, é mediador entre espírito e matéria, inspirando a acção consciente. Assim, a educação deixa de ser instrução e torna-se libertação. Produzir é aprender; aprender é produzir.
11. Capítulo X – Produção e Economia
A economia, segundo GAESEMA, é apenas uma das faces da produção. O capital é um produto complexo, e o dinheiro é reflexo do valor humano aplicado. A economia deixa de ser ciência do lucro e passa a ser ciência da relação. Produzir é distribuir sentido, não apenas riqueza. Este ponto introduz a Economia da Consciência, na qual o valor é medido péla utilidade social e pêlo equilíbrio ecológico. A reforma económica começa péla reforma do pensamento produtivo: reconhecer que o trabalho é sagrado e que toda moeda deriva do esforço criador da humanidade.
12. Capítulo XI – Produção e Espiritualidade
Na Filosofia GAESEMA, o espírito é a fonte de toda produção. Produzir é uma oração activa, um modo de participar da criação divina. O trabalho espiritualiza a matéria e humaniza o progresso. O produtor consciente age com reverência e ética. Este capítulo fundamenta o que se pode chamar de Teologia da Produção: a união entre fé, técnica e serviço. O espírito é o motor invisível que move o fazer visível. Ao compreender que o acto produtivo é também sagrado, o ser humano reencontra o equilíbrio entre tecnologia e transcendência.
13. Capítulo XII – Produção e Soberania
A soberania produtiva é a liberdade aplicada. Um povo que produz o que consome é livre. Um país que depende do produto alheio é espiritualmente colonizado. A Filosofia GAESEMA ensina que a independência política nasce da independência produtiva. Produzir localmente é afirmar a própria história e proteger a dignidade colectiva. Este ponto transforma o conceito de desenvolvimento em autodeterminação. O produtor soberano é aquele que compreende seu território, domina seus recursos e investe em sua comunidade. Produção é, portanto, a expressão suprema da soberania.
14. Capítulo XIII – Produção e Futuro: O Homem como Sistema Produtivo Vivo
O ser humano é o sistema produtivo mais complexo e perfeito da criação. Cada pensamento, palavra ou gesto é uma forma de produzir realidade. Educar o homem para produzir com consciência é prepará-lo para o futuro. A Ciência da Produção projeta uma civilização baseada na criatividade ética e na cooperação. A tecnologia é vista como extensão do espírito, e não seu substituto. Este capítulo aponta para o renascimento de um humanismo produtivo, no qual a economia, a arte e a ciência convergem para o bem comum e a harmonia planetária.
15. Capítulo XIV – Para Além do Mercado: Produzir como Viver
Produzir é viver. Para além do mercado e da lógica do consumo, a Filosofia GAESEMA propõe que o acto produtivo seja reencontrado como prática existencial. O trabalho não é apenas meio de sobrevivência, mas de expressão do ser. Quando o homem produz com consciência, transforma o mercado em espaço de sentido e não de dominação. Este capítulo é um convite à economia do espírito: viver é criar, e criar é servir à vida. Assim, o produtor torna-se sacerdote da transformação, e a produção, linguagem universal da humanidade.
16. Conclusão Geral – Produção como Existência Consciente: A Alfabetização Filosófica da Criação Humana
O livro O A, E, I, O, U da Produção e a Filosofia GAESEMA inauguram uma nova ciência: a Ciência da Produção. Nela, o acto de produzir é compreendido como expressão integral do ser humano — racional, sensível, espiritual e político. Produzir é existir com consciência. A alfabetização produtiva ensina o homem a conjugar o verbo “produzir” como sinónimo de liberdade, dignidade e amor.
A Filosofia GAESEMA representa a emergência de uma consciência africana reformadora, que rompe com paradigmas coloniais e reivindica a autonomia intelectual e económica do continente. É ciência, espiritualidade, cultura e revolução pacífica. A produção torna-se, assim, o eixo central de uma educação libertadora e de um novo modelo civilizatório baseado na ética do fazer.
Produzir é o primeiro verbo da liberdade. Viver é o seu eco permanente.
Referências (modelo ABNT/APA)
ÂNGELO, Gilson Guilherme Miguel. O A, E, I, O, U da Produção: Gestão e Administração da Produção – A Linguagem Essencial da Vida Humana e dos Produtos. GAESEMA Namíbia / ANGRIB Angola, 2025.
______. A Filosofia GAESEMA: Guia de Acção das Estruturas Sociais do Estado em Modelos Aperfeiçoados. GAESEMA Press, 2025.
______. A Origem Sistemática da Produção: Gestão e Administração Económica, Financeira e Gaesema. GAESEMA Press, 2025.
FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.
MBEMBE, Achille. Crítica da Razão Negra. Lisboa: Antígona, 2017.
SEN, Amartya. Desenvolvimento como Liberdade. São Paulo: Companhia das Letras, 2000.
Citação final:
“Produz como quem respira. Vive como quem cria. E tua vida será uma obra-prima.”
— Gilson Guilherme Miguel Ângelo
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