Autora: Yanai Valdés López
Editora GAESEMA

Resumo
A evolução dos Sistemas de Informação (SI) constitui um processo multidimensional que redefine continuamente a forma como organizações, sociedades e indivíduos produzem, interpretam e aplicam a informação. Do registo manual à era da Inteligência Artificial (IA) e dos dados massivos, os SI transformaram-se em infraestruturas cognitivas que sustentam decisões estratégicas, reorganizam fluxos de trabalho e influenciam directamente a competitividade institucional. Os contributos internacionais de Laudon e Laudon, O’Brien e Marakas, Turban e Volonino, bem como Stair e Reynolds, demonstram que os SI deixaram de ser mecanismos operacionais para assumirem uma natureza sociotécnica, integrando tecnologia, processos, cultura e comportamento humano. Paralelamente, a legislação angolana, nomeadamente a Lei de Protecção de Dados Pessoais (2022), estabelece fundamentos normativos essenciais para garantir segurança, responsabilidade e ética no tratamento da informação num contexto de digitalização acelerada.
Autores nacionais como João Maria Funzi Chimpolo, ao abordar a inteligência artificial aplicada à gestão de capital humano, e Gilson Guilherme Miguel Ângelo, ao analisar a crise da robótica e as tensões entre automação e valor do trabalho, acrescentam uma perspectiva endógena indispensável para compreender os desafios africanos na transição digital. Essa visão contextualizada revela que os SI não apenas ampliam capacidades organizacionais, mas reconfiguram expectativas sociais, modelos laborais e formas de governação.
O presente artigo integra estas dimensões para oferecer uma leitura crítica e interdisciplinar sobre o papel dos SI no mundo contemporâneo. Argumenta-se que o futuro dependerá da capacidade de produzir sistemas inteligentes que conciliem eficiência técnica, justiça social, protecção de dados e robustez institucional, assegurando que a transformação digital beneficie tanto organizações quanto cidadãos.
palavras-chave: Sistemas de Informação; Inteligência Artificial; Transformação Digital; Protecção de Dados.
Abstract
The evolution of Information Systems (IS) represents a multidimensional transformation that continuously reshapes how organizations, societies, and individuals produce, interpret, and apply information. From manual record-keeping to the contemporary era of Artificial Intelligence (AI) and large-scale data processing, IS have become cognitive infrastructures that support strategic decision-making, restructure workflows, and directly influence institutional competitiveness. International authors such as Laudon and Laudon, O’Brien and Marakas, Turban and Volonino, and Stair and Reynolds demonstrate that IS have shifted from operational mechanisms to complex sociotechnical systems that integrate technology, processes, culture, and human behaviour. In parallel, Angola’s Personal Data Protection Act (2022) establishes essential regulatory foundations for ensuring security, accountability, and ethical data practices within an increasingly digitalized environment.
National contributions, particularly those of João Maria Funzi Chimpolo on artificial intelligence applied to human capital management, and Gilson Guilherme Miguel Ângelo on the crisis of robotics and the tensions between automation and the value of human labour, offer an endogenous analytical lens that is crucial for understanding African digital transformation challenges. These perspectives reveal that IS not only enhance organizational capabilities but also reconfigure social expectations, labour models, and governance structures.
This article integrates global theoretical frameworks and local interpretative insights to provide a critical and interdisciplinary reflection on the centrality of IS in contemporary society. It argues that the future will depend on the capacity to develop intelligent systems that combine technical efficiency, social justice, regulatory robustness, and strong data protection principles, ensuring that digital transformation benefits both organizations and citizens.
Keywords: Information Systems; Artificial Intelligence; Digital Transformation; Data Protection.
INTRODUÇÃO
A evolução dos Sistemas de Informação (SI) constitui um fenómeno central para compreender as transformações organizacionais, tecnológicas e cognitivas que marcaram o século XX e consolidaram a era digital contemporânea. Os SI não são apenas ferramentas tecnológicas isoladas: representam ecossistemas complexos que integram hardware, software, dados, processos, pessoas e normas jurídicas, formando um tecido estrutural que sustenta praticamente todas as actividades sociais, empresariais e governamentais. A transição histórica — dos registos manuais à Inteligência Artificial (IA) — evidencia um movimento contínuo de ampliação da capacidade humana de armazenar, processar, analisar e aplicar informação para fins operacionais e decisórios. Autores internacionais como Laudon & Laudon (2020), O’Brien & Marakas (2018), Turban & Volonino (2013) e Stair & Reynolds (2017) descrevem esta evolução como um processo cumulativo que fortaleceu o papel da informação como recurso estratégico fundamental.
No contexto africano, e particularmente angolano, o desenvolvimento dos SI está também ancorado em factores sociais, legais e institucionais. A aprovação da Lei de Protecção de Dados Pessoais (APD, 2022) reforça a necessidade de sistemas seguros, auditáveis e compatíveis com os direitos fundamentais, introduzindo padrões de conformidade que aproximam Angola das melhores práticas globais. Simultaneamente, autores nacionais como João Maria Funzi Chimpolo, na obra Inteligência Artificial Aplicada à Gestão de Capital Humano, sublinham que a automatização e a IA representam oportunidades sem precedentes para modernizar sectores como administração pública, educação, saúde e gestão de pessoas, embora exijam infra-estruturas robustas e literacia digital avançada.
A Filosofia GAESEMA de Gilson Guilherme Miguel Ângelo, com a sua teoria sobre a crise da robótica e os impactos da automação na produção humana, reforça essa reflexão ao demonstrar que a tecnologia deve ser entendida como instrumento complementar da ação humana, e não substituto total do produtor. A sua obra O Sistema Natural de Toda Produção e os estudos sobre MAR — Metodologia Artesanal Reprodutiva — introduzem uma leitura inovadora sobre o equilíbrio entre tecnologia, trabalho e sustentabilidade social, mostrando que a robotização deve respeitar a dignidade, criatividade e papel central do homem na produção.
Ao integrar estas perspectivas, percebe-se que a evolução dos SI é simultaneamente técnica, social, filosófica e ética. Cada salto tecnológico — mecanização, computação centralizada, redes distribuídas, internet, cloud, IA — reconfigurou não apenas os processos organizacionais, mas também os modelos cognitivos de tomada de decisão, as estruturas de poder informacional e os mecanismos de comunicação. Assim, esta introdução propõe uma análise abrangente e interdisciplinar, permitindo que estudantes, investigadores e gestores compreendam os SI como elementos vivos, dinâmicos e essenciais para a construção de estratégias sustentáveis e inovadoras num mundo cada vez mais orientado por dados e algoritmos.
A Era Manual e a Mecanização da Informação
Durante grande parte do século XX, os Sistemas de Informação eram essencialmente manuais, estruturados com base em registos físicos, livros de contabilidade, arquivos em papel, dossiês institucionais e boletins administrativos. Este modelo exigia elevado rigor humano, disciplina organizacional e procedimentos cuidadosamente definidos, uma vez que qualquer erro, perda ou duplicação de documentos poderia comprometer o funcionamento institucional. A dependência exclusiva da capacidade humana revelava fragilidades como atrasos, baixa escalabilidade, vulnerabilidade a incêndios, extravios e impossibilidade de análise de grandes volumes de dados. A partir das primeiras décadas do século XX, começaram a surgir máquinas mecânicas e posteriormente electromecânicas, como calculadoras mecânicas, datilógrafos industriais e os célebres cartões perfurados de Hollerith, cuja utilização marcou profundamente a história da informação organizacional.
Autores internacionais como Turban & Volonino (2013) descrevem esta fase como um ponto de partida crítico: a mecanização permitiu acelerar rotinas administrativas, reduzir redundâncias e introduzir um padrão básico de automatização. No entanto, os sistemas mantinham-se isolados, não integrados e fortemente dependentes de operadores treinados. A ausência de bases de dados estruturadas significava que qualquer consulta exigia busca física manual, muitas vezes morosa e limitada.
Em Angola, este período foi marcado por práticas administrativas coloniais baseadas em papel, com forte centralização e ausência de tecnologias de processamento automático. Mesmo décadas após a independência, muitas instituições públicas e organizações privadas continuaram a depender de sistemas manuais, reflexo da limitação de recursos tecnológicos e de formação técnica avançada.
Autores nacionais como Gilson Guilherme Miguel Ângelo interpretam este período à luz da Filosofia GAESEMA, destacando que, ainda na era manual, já se desenhava o conflito entre trabalho humano directo e a busca por mecanismos de facilitação produtiva. A sua teoria sobre a crise da robótica mostra que a mecanização inicial representou o primeiro afastamento do ciclo natural da produção humana.
Além disso, a análise contemporânea de Chimpolo sobre IA aplicada à gestão demonstra que compreender esta base manual é essencial para perceber a transformação digital posterior, uma vez que todos os sistemas modernos evoluíram a partir de lógicas estruturais criadas nesta era pré-informática. Assim, esta fase representa mais do que um período rudimentar: constitui o alicerce conceptual e operativo que permitiu todos os avanços subsequentes dos SI.
Computação Centralizada e Sistemas de Informação Gerencial
A introdução dos mainframes entre as décadas de 1960 e 1980 representou uma ruptura estrutural na evolução dos Sistemas de Informação, inaugurando a era da computação centralizada. Neste modelo, todo o processamento era concentrado em computadores de grande porte, alojados em centros de dados seguros, climatizados e operados por equipas altamente especializadas. Autores como Laudon & Laudon (2020) e O’Brien & Marakas (2018) salientam que a centralização permitiu às organizações executar tarefas antes impossíveis, como cálculos massivos, processamento automatizado de salários, controlo de inventários e gestão integrada de actividades empresariais. Foi neste período que o conceito moderno de sistema começou a consolidar-se: um conjunto de componentes interdependentes capazes de recolher, processar e distribuir informação com eficiência e padrões de fiabilidade inéditos.
Apesar do elevado custo de implementação, os mainframes trouxeram vantagens críticas: segurança reforçada, precisão, velocidade e capacidade de processamento de volumes nunca antes imaginados. Turban & Volonino (2013) referem que esta fase permitiu às organizações iniciar a padronização das operações e reduzir drasticamente erros humanos, inaugurando práticas que mais tarde se tornariam essenciais para o desenvolvimento de bases de dados relacionais, sistemas integrados e plataformas digitais.
A maturidade da computação centralizada deu origem àquilo que se tornaria uma das inovações mais marcantes da história da gestão: os Sistemas de Informação Gerencial (SIG). Os SIG surgiram como resposta à necessidade crescente de transformar dados operacionais em informação analítica útil para gestores. Stair & Reynolds (2017) explicam que estes sistemas passaram a fornecer relatórios regulares, indicadores de desempenho, projectos de simulação e análises estratégicas que permitiram péla primeira vez que gestores tomassem decisões baseadas em evidências e não apenas em intuição. Assim, a informação tornou-se um recurso organizacional com valor intrínseco, reconhecido formalmente como activo produtivo.
Em Angola, a adopção de sistemas centralizados deu-se de forma gradual, mas foi decisiva para sectores como banca, telecomunicações, administração pública e indústria petrolífera. A centralização permitiu padronizar operações, minimizar perdas financeiras e aumentar a fiabilidade dos registos administrativos. Contudo, o processo também levantou desafios jurídicos e éticos, sobretudo no que diz respeito ao tratamento de dados pessoais. A legislação angolana actual, representada péla Lei de Protecção de Dados Pessoais (APD, 2022), estabelece obrigações estritas para entidades que armazenam e processam dados, exigindo transparência, consentimento e medidas de segurança adequadas — exigências que têm a sua raiz conceptual nos sistemas centralizados do século XX.
A perspectiva angolana contemporânea é enriquecida pélas reflexões de João Maria Funzi Chimpolo, que afirma que a computação centralizada foi a base necessária para o desenvolvimento posterior da IA aplicada à Gestão de Capital Humano. Segundo o autor, os SIG criaram uma cultura de análise sistemática que permitiu, décadas depois, que organizações pudessem adoptar modelos de machine learning orientados à previsão de desempenho, identificação de padrões comportamentais e optimização da força laboral.
A Filosofia GAESEMA, defendida por Gilson Guilherme Miguel Ângelo, acrescenta um olhar filosófico e sociopolítico ao papel dos SIG. Na sua análise da crise da robótica e dos modelos produtivos globais, o autor sublinha que os SIG foram a primeira forma de “desmaterialização parcial da produção”, substituindo a intervenção humana directa por mecanismos de análise e decisão semi-automatizados. Para Ângelo, essa transição ampliou a distância entre produtor humano e processo produtivo, revelando tensões que hoje se aprofundam com a robotização, automação inteligente e sistemas de IA.
Assim, esta fase da história dos SI é essencial para compreender a lógica dos sistemas modernos. A computação centralizada não apenas transformou empresas e instituições, mas redefiniu o papel da informação como pilar organizacional, criou a base dos sistemas de auditoria e controlo e preparou o terreno para a revolução digital que seguiria. Com os SIG, a informação deixou de ser mera ferramenta administrativa e tornou-se o centro da estratégia institucional.
A Era dos Dados, Inteligência Artificial e Computação em Nuvem
A partir de 2010, os Sistemas de Informação entraram numa fase de transformação qualitativa e quantitativa marcada péla massificação dos dados, péla disponibilidade elástica de recursos computacionais via cloud e pêlo avanço das técnicas de Inteligência Artificial (IA). Nessa conjuntura, a infra-estrutura deixou de ser o limitador principal: a capacidade de armazenamento e processamento escaláveis permitiu às organizações converterem ficheiros, logs de transacções, sensores IoT e fontes externas em activos analíticos estratégicos. Autores como Laudon & Laudon (2020) e Turban & Volonino (2013) sublinham que Big Data e IA reconfiguram completamente a cadeia de valor da informação — do simples registo ao insight preditivo — transformando não só a operação, mas também a arquitectura cognitiva das decisões organizacionais.
A cloud computing democratizou o acesso a plataformas avançadas: pequenos negócios, escolas e serviços de saúde passaram a usar ferramentas de análise, armazenamento e até serviços de IA previamente restritos a grandes corporações. A elasticidade dos serviços (IaaS, PaaS, SaaS) reduziu barreiras de entrada e acelerou a inovação. Paralelamente, técnicas de machine learning e deep learning permitiram a automação de tarefas cognitivas, extracção de padrões complexos e construção de modelos preditivos que suportam decisões tácticas e estratégicas. O’Brien & Marakas (2018) e Stair & Reynolds (2017) discutem como essa conjugação de tecnologias cria vantagens competitivas significativas, ao mesmo tempo que impõe novos requisitos de governança.
No plano sectorial, a banca usa modelos de scoring e detecção de fraude em tempo real; a saúde desenvolve sistemas de apoio ao diagnóstico; a educação adopta plataformas adaptativas de ensino; e a administração pública implementa serviços electrónicos e fiscalidade digital. Em Angola, políticas de governo electrónico e iniciativas de modernização tributária — inclusive a introdução de mecanismos electrónicos de declaração e cobrança (ligados ao Código Geral Tributário, às leis do IVA e do Imposto Industrial) — ilustram como os SI contemporâneos já são ferramentas centrais para gestão pública e arrecadação. Entretanto, essas mesmas capacidades aumentam o risco e a complexidade das obrigações legais, particularmente no que respeita à protecção de dados (APD, 2022), à confidencialidade fiscal e à auditabilidade dos processos.
A crescente utilização de IA coloca problemas éticos e regulatórios: vieses algorítmicos, decisões opacas, responsabilização por erros e riscos de discriminação. João Maria Funzi Chimpolo aborda a aplicação da IA na gestão do capital humano, alertando para a necessidade de transparência nos modelos e de políticas que preservem direitos laborais e de privacidade. A análise de Gilson Guilherme Miguel Ângelo complementa ao advertir que a robotização massiva, se não for contextualizada por políticas sociais e modelos produtivos adequados, pode agravar desigualdades e provocar deslocamentos laborais sem contrapartidas reais para requalificação e reinserção.
Por outro lado, as normas internacionais (ISO/IEC 27001, GDPR como referência conceptual) e os relatórios de organizações como a UNESCO e a OCDE incentivam a governança responsável dos dados e dos sistemas de IA. Em Angola, a APD (2022) exige princípios de finalidade, minimização e segurança, e impõe obrigações de notificação e de avaliação de impacto para operações de tratamento de alto risco. Do mesmo modo, a modernização tributária implica que registos electrónicos sejam fidedignos, auditáveis e interoperáveis com plataformas fiscais — o que exige integração técnica entre sistemas empresariais e infra-estruturas estatais.
Tecnologias complementares como blockchain (para integridade de registos), IoT (para captura de dados em tempo real), e plataformas de observabilidade (para monitorização contínua) tornam-se componentes essenciais de um ecossistema resiliente. A segurança deixa de ser apenas um aspecto técnico para ser elemento nuclear da confiança pública; auditorias, criptografia, gestão de chaves, segregação de funções e políticas de acesso são exigências operacionais e legais. Além disso, o ciclo de vida dos modelos de IA — desde a curadoria dos dados até o treino, validação, explicabilidade e monitorização pós-implantação — impõe disciplina metodológica para garantir robustez, equidade e conformidade.
No plano organizacional, esta era exige novas competências: cientistas de dados, engenheiros de dados, especialistas em compliance, arquitectos de cloud e gestores de mudança cultural. A literacia digital deixa de ser um diferencial e converte-se em requisito básico para gestão estratégica. Para países em desenvolvimento, a adopção responsável destas tecnologias passa pela criação de políticas públicas que incentivem infra-estruturas abertas, desenvolvimento local de capacidades e regulações que protejam os cidadãos sem criar barreiras excessivas à inovação.
Em síntese, a era dos dados, IA e cloud é simultaneamente oportunidade e desafio. As organizações que melhor integrarem governança, tecnologia, ética e competências humanas conseguirão transformar dados em vantagem sustentável. A academia e a legislação — nacionais e internacionais — têm papel central no desenho de marcos que garantam inovação com justiça social, evitando que a automação intensifique vulnerabilidades já existentes. Combinando as lições de Laudon, O’Brien, Turban, Chimpolo e Ângelo, conclui-se que o futuro dos SI será marcado por sistemas híbridos: algoritmos que potenciam decisões humanas, arquitectura cloud-native e um ambiente regulatório que exige transparência e responsabilidade.
Passo a passo operacional — Como um Sistema de Informação moderno (com IA e Cloud) funciona
Definição de objectivos e requisitos
Identificar finalidades do sistema (operacional, analítico, fiscal, RH, saúde, etc.).
Mapear requisitos legais (APD 2022, Código Geral Tributário, IVA, Imposto Industrial) e normas técnicas (ISO, melhores práticas).
Estabelecer indicadores de desempenho e critérios de sucesso.
Arquitectura e desenho
Seleccionar modelo (on-premises, cloud, híbrido) e serviços (IaaS/PaaS/SaaS).
Desenhar camadas: ingestão, processamento, armazenamento, análise, apresentação e governança.
Definir políticas de segurança, backup, retenção e acesso.
Governança de dados e conformidade
Catalogar fontes de dados, proprietários e responsabilidades.
Implementar políticas de privacidade, anonimização e minimização.
Realizar Avaliação de Impacto sobre Privacidade (DPIA) quando aplicável.
Recolha / Ingestão de dados
Conectar fontes: ERP, CRM, dispositivos IoT, APIs externas, ficheiros fiscais electrónicos.
Validar esquemas, limpar e padronizar dados (ETL/ELT).
Registar meta-dados e manter traçabilidade.
Armazenamento e gestão
Escolher repositórios (data lake para raw, data warehouse para modelos analíticos).
Implementar partições, políticas de ciclo de vida e indexação.
Criptografar em trânsito e em repouso; gerir chaves.
Pré-processamento e engenharia de features
Normalizar, agregar, detectar outliers, tratar valores em falta.
Construir features relevantes para modelos de ML; documentar transformação.
Modelagem e treino (IA/ML)
Seleccionar algoritmos apropriados (supervisionados, não supervisionados, reforço).
Treinar modelos com conjuntos de treino, validar com conjuntos de validação/teste.
Avaliar métricas (acurácia, precisão/recall, F1, AUC) e estudar viés.
Validação ética e legal
Validar modelos quanto a vieses, impacto diferencial e conformidade com APD.
Produzir documentação de explicabilidade (feature importance, LIME, SHAP).
Aprovar por comité interno de ética/compliance.
Implantação / produção
Containerizar modelos (Docker/Kubernetes) e integrar em pipelines CI/CD.
Expor via APIs com autenticação e monitorização.
Garantir rollback, escalabilidade automática e alta disponibilidade.
Monitorização e observabilidade
Monitorizar performance do modelo (deriva de conceito), latência, throughput e erros.
Monitorizar logs de segurança, acessos e tentativas de intrusão.
Agendar re-treinos quando necessário.
Integração com processos de negócio e decisão humana
Fornecer dashboards e alertas accionáveis para decisores.
Conceber fluxos onde humano valida decisões críticas (human-in-the-loop).
Registar decisão final, responsável e justificativa para auditoria.
Auditoria, reporte e cumprimento fiscal
Gerar relatórios auditáveis para a administração fiscal (formatos standard).
Manter trilhas de auditoria que comprovem conformidade com impostos (IVA, Imposto Industrial).
Preparar documentação para auditorias externas e unidades de supervisão.
Gestão de riscos e segurança contínua
Actualizar patches, gerir vulnerabilities, realizar testes de penetração e avaliações de risco.
Aplicar políticas de segregação de funções e princípio do menor privilégio.
Estabelecer planos de resposta a incidentes e notificação (incluindo requisitos legais).
Capacitação e mudança organizacional
Treinar utilizadores, gestores e equipas técnicas.
Desenvolver planos de requalificação quando automações afectem postos de trabalho.
Promover cultura de dados e governança.
Retroalimentação e melhoria contínua
Recolher métricas de utilização, erros e impacto organizacional.
Ajustar modelos, processos e políticas a partir do feedback.
Atualizar documentação e realizar auditorias periódicas.
Este passo a passo sintetiza a operação prática e a governança necessária para que um Sistema de Informação moderno, baseado em cloud e IA, funcione de forma eficiente, ética e conforme com a legislação angolana e normas internacionais. Ao implementá-lo, as organizações criam um ciclo virtuoso onde tecnologia e regulação convergem para promover inovação sustentada, transparência e responsabilidade social — princípios largamente defendidos por Laudon, Turban, Chimpolo e Ângelo nas suas respectivas contribuições teóricas e aplicadas. Se quiser, converto este passo a passo num fluxograma, roteiro técnico (checklist) para implementação ou em capítulos ampliados para inserção directa no artigo.
Conclusão
A evolução dos Sistemas de Informação evidencia que tecnologia, conhecimento e gestão constituem pilares inseparáveis no desenvolvimento organizacional e social contemporâneo. A análise histórica, desde os registos manuais até aos actuais sistemas baseados em Inteligência Artificial, demonstra que cada etapa tecnológica não apenas aumentou a eficiência das instituições, mas redefiniu a forma como indivíduos percebem, tratam e utilizam a informação como recurso estratégico. Os contributos internacionais — como os de Laudon e Laudon, O’Brien e Marakas, Turban e Volonino, Stair e Reynolds — permitem compreender que os SI evoluíram de meros instrumentos operacionais para plataformas sociotécnicas capazes de influenciar processos cognitivos, culturas organizacionais e arquitecturas decisórias. No contexto angolano, a Lei de Protecção de Dados Pessoais (2022) reforça a importância da ética, da responsabilização e da governança digital como condições essenciais para a transformação digital sustentável.
Autores nacionais, nomeadamente João Maria Funzi Chimpolo e Gilson Guilherme Miguel Ângelo, ampliam essa compreensão ao introduzir reflexões sobre a gestão de capital humano, a crise provocada péla automação inteligente e os desafios africanos na construção de sistemas de informação robustos e contextualizados. Assim, conclui-se que o futuro dos SI dependerá da capacidade de integrar inovação tecnológica com valores humanos, justiça informacional e uma regulamentação forte que proteja os cidadãos sem comprometer o desenvolvimento. As organizações que alcançarem esse equilíbrio estarão mais preparadas para enfrentar um mundo cada vez mais digital, interligado e orientado por dados.
Referências Bibliográficas
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CHIMPOLO, João Maria Funzi. Inteligência Artificial Aplicada à Gestão de Capital Humano. Luanda: Editora GAESEMA, ano 2025.
ÂNGELO, Gilson Guilherme Miguel. O Sistema: Crise da Robótica e Produção Humana. Local e Editora GAESEMA ano 2025.
Norma APA (7ª edição)
Laudon, K., & Laudon, J. (2020). Management Information Systems. Pearson.
O’Brien, J., & Marakas, G. (2018). Introduction to Information Systems. McGraw-Hill.
Turban, E., & Volonino, L. (2013). Information Technology for Management. Wiley.
Stair, R., & Reynolds, G. (2017). Principles of Information Systems. Cengage.
Angola Agency for Data Protection. (2022). Personal Data Protection Act. Luanda.
Chimpolo, J. M. F. (Ano). Artificial Intelligence Applied to Human Capital Management. Editora GAESEMA.
Ângelo, G. G. M. (Ano). The System: The Crisis of Robotics and Human Production. Editora GAESEMA.
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